Sabe aquele tanto de livros e filmes sobre sustentabilidade que a gente escuta falar por aí que existem, mas que nunca lembra de assistir? Eu também sofro desse mal. Sempre esqueço, nunca acho que é hora de assistir umas porradas, vou adiando e quando vejo não vi nada.

Mas eu acho super importante ver novas perspectivas, discursos, estudos sobre assuntos que questiono tanto, como o lixo. Por isso, pensei em criar um clube do livro e de filmes pra discutir com todo o pessoal lá no grupo do UASL no Facebook.



Vai funcionar assim:
  • Vou fazer uma lista de títulos bacanas e deixar em um documento que todo mundo pode editar e adicionar sugestões lá no grupo.
  • A cada 15 dias, seleciono 2 títulos e fazemos uma votação. O que ganhar, é o próximo a ser assistido. Temos 15 dias pra assistir e o tópico no grupo já vai sendo criado com links do filme, dicas de onde encontrar o livro, links pra posts de assuntos relacionados, etc.
  • Quando terminar a discussão (ou não, rs) eu me proponho a fazer um textinho falando sobre aquele aspecto aqui pro blog (e talvez pra newsletter).
  • Começa tudo de novo. :)
  • Quando tiver livro, o prazo é 30 dias pra terminar a leitura.

Curtiu? Quer participar também? Entra lá no grupo que a enquete pro primeiro filme já está rolando e as outras informações também. Depois volto aqui pro blog pra fazer uma página com todas as informações e links dos filmes que já assistimos, dos textos que já rolaram e tudo mais. :)
Desde o comecinho do Um Ano Sem Lixo, eu tenho pensado e repensado tudo o que foi ensinado pra gente como normal. Dos descartáveis que a gente usa por segundos aos cosméticos cheios de ingredientes que a gente mal consegue falar. Minha dieta, minhas vontades de compras, as coisas que significavam felicidade ou não. E aí que, cada vez mais, datas como o Natal mudaram muito pra mim.

Desde ano passado, quando eu falei de presentes diferentes que a gente pode dar de presente no Natal, minha maior vontade é dar coisas especiais pras pessoas queridas. Não que eu ache que a gente precise dar presentes no Natal, inclusive. Mas pras pessoas mais próximas como mãe, pai, irmãos, namorado, melhores amigos, sempre acho legal esse momento de carinho.

Imagem via

Foi aí que eu decidi que esse ano eu não vou comprar presentes pra ninguém, todos os presentes que eu der nesse Natal vão ser feitos por mim. A ideia começou com a ideia do presente pro meu namorado há meses atrás (#canceriana, meu jeitinho) e resolvi estender pras outras pessoas. Pode ser uma playlist, uma comida gostosa, um cosmético feito em casa, algo costurado, um livro que tenho e é muito incrível e decidi passar pra frente. Sei que vai ser um presente pensado pra pessoa de verdade, com significado verdadeiro que veio do meu sentimento por ela.

Primeiro porque é tão bom fazer as coisas. Me sinto sempre muito feliz, capaz e importante quando termino um projeto, por mais simples que ele seja. Depois porque assim eu posso reutilizar embalagens que já tenho em casa, fazer produtos customizados e únicos, dar coisas naturais pra quem talvez não use coisas naturais ainda.

Então quero estender esse convite pra quem também quiser participar desse movimento: vamos fazer os presentes de Natal pras pessoas queridas? :) Ah, mas se você não conseguir ou não souber fazer tudo, também vale pensar em comprar direto de quem faz ou pedir pra alguém fazer e trocar os presentes. Assim a gente consome consciente de verdade, reduzindo as compras por impulso, os futuros-lixos na casa dos outros, o lixo em embalagens, pacotes de presente.

Pra ler mais:
- Dicas de presentes zero lixo pra um Natal mais feliz
- Dicas de não-presentes para um Natal mais feliz
Há um tempo atrás, quando a gente falava de roupa usada de brechó, o que vinha na cabeça era uma roupa ruim, fedida e muuuito usada. Tô errada? Talvez você ainda veja isso na sua cabeça. É que é difícil mesmo mudar uma ideia que a gente ouve tanto. Mas você talvez já pense em peças baratas, porém em bom estado como no caso do Enjoei ou peças vintage incríveis como no caso de muitos brechós legais por aí.


E o Garimpário é assim: um brechó legal com peças usadas, mas novinhas e alguns achados vintage. Esse projeto foi criado por três amigos, a Jaqueline Scissar, o Renato Kormives e a Emanuele Lazzari. Foi durante a faculdade de moda que eles começaram com a ideia de vender as próprias roupas que não usavam mais, que logo viraram as suas roupas + as roupas de amigos + alguns garimpos de brechós.

Era um projeto paralelo e bem diferente, um brechó online sem cara de vó, com cara de jovem. Hoje em dia, a kombi Antônia é parceira pra levar as peças do brechó pra outras cidades, participando de feiras. Mas pra saber mais, fui falar com a Jaque e o resultado foi essa super entrevista:

1. Quando surgiu a ideia de fazer um brechó online?


A ideia surgiu durante a faculdade, em 2012. Além de sermos super amigos, nós três sempre fomos apaixonados por brechós, e decidimos tornar esse amor em negócio. No início a intenção era nos desfazermos das roupas que a gente tinha e que não queríamos mais, viajamos muito juntos e fazia parte dos nossos roteiros conhecer os brechós das cidades que visitamos. Com isso acabamos acumulando muita coisa e sentimos a necessidade de começar a desapegar delas. Como tínhamos vários amigos querendo desapegar de muita coisa também, começamos o site com essas peças, e depois partimos pra buscar peças exclusivas pro Garimpário.

2. Em que momento vocês pensaram em comprar uma kombi e transformar o brechó em um evento itinerante também? Vocês já faziam isso antes só que com outros carros?

Antes da Kombi nós já havíamos participado de alguns eventos em Florianópolis. A gente sabia que existia mercado pro Garimpário em feiras, mas como trabalhamos com peças exclusivas, a quantidade de produtos que tínhamos que levar pra cada lugar era muito grande, ficando impossível viajar pra montarmos stands em outras cidades. Além disso era muito cansativo pra gente, sempre com muita coisa pra carregar no carro, montar nosso espaço, desmontar, encabidar peças, desencabidar, tudo começava do zero, não tínhamos estrutura nenhuma pra de alguma forma agilizar o processo no dia dos eventos.


A Kombi foi um projeto meu paralelo, mas que desde o início entrou como parceiro do Garimpário. Comprei ela justamente pra poder viajar com as peças e participar de feiras em outras cidades e estados. Na verdade a Kombi serviu pra unir minha vontade em viajar com o que gosto de trabalhar. Vi a Kombi como uma oportunidade de mudar aos poucos meu estilo de vida e conseguir conciliar trabalho com a forma que quero viver. O Garimpário foi então um passaporte pra essa mudança, que tornou possível ver ela na estrada em tão pouco tempo.

3. Vocês quiseram trabalhar com roupas usadas por algum motivo especial?

Primeiramente amamos os diferentes estilos de roupas que podemos encontrar em brechós. A varidade é muito grande, as peças são exclusivas, diferenciadas e com preço pra todos os bolsos. Também acreditamos no reaproveitamento de peças como forma de evitar uma produção desenfreada de peças que acabam tendo sempre o mesmo destino: o lixo. Além de encontrar uma utilidade pro que iria ser descartado, reduzindo a quantidade de lixo, também devemos lembrar da poluição que a indústria da moda causa.

O impacto gerado ao meio ambiente é muito grande na produção de vestuário, com um gasto gigantesco de água e uma quantidade enorme de resíduos descartados de maneira incorreta, sem contar o alto consumo de energia elétrica durante o processo. Se ainda nos aprofundarmos um pouco mais no assunto também nos deparamos com uma questão social, onde hoje muitas peças de moda provêm de trabalho escravo. De todas as formas, vemos que trabalhar com peças usadas traz vários benefícios, nos permitindo trabalhar com o consumo consciente aliado a sustentabilidade.


4. Vocês mudaram a percepção sobre o mundo da moda depois de começar esse projeto? O que vocês descobriram e passaram a questionar?

Com certeza, nossa percepção de sustentabilidade mudou completamente. Passamos a enxergar todos os malefícios causados pela indústria da moda e os problemas gerados pelo consumo e descarte desenfreado de peças. Temos cada vez mais convicção de que brechós representam o futuro no que diz respeito à moda consciente.

5. Hoje em dia, no seu guarda-roupa tem mais roupa de 2ª mão que roupa que foi comprada nova na loja?

Sim, hoje quase não compro peças novas em lojas, sempre dou prioridade para encontrar o que preciso em brechós.


6. Conta mais do projeto: onde vocês já passaram; onde dá pra acompanhar o itinerário da kombi; onde compra; como é o processo com as roupas, etc.

Hoje vendemos online para todo o Brasil pelo nosso site, e pessoalmente em eventos com a Kombi. Além das feiras que participamos em Florianópolis já passamos por Blumenau, Balneário Camboriú e Porto Alegre. Para acompanhar o itinerário da kombi e os eventos que participamos basta seguir e ficar de olho na nossa página do facebook. Estamos viajando cada vez mais, e já posso adiantar que nos nossos planos de verão pretendemos levar a Antônia pro nordeste.

Com relação ao que vendemos, pra termos peças incríveis na nossa loja nós garimpamos os brechós durante nossas viagens (algumas fora do Brasil), com um cuidado especial pra deixarmos elas como novas. Lavamos, higienizamos, consertamos, customizamos, tudo pra que o produto chegue no cliente em perfeito estado. Também compramos peças de pessoas que entram em contato com a gente, então o fluxo de novidades que temos acaba sendo bem grande.