Espinhas são uma inflamação na pele e, muito provavelmente, são causadas por algum desequilíbrio na sua vida. Pode ser excesso de maquiagem, pode ser pelos produtos com sulfatos, pode ser pela alimentação. Se você chegou aqui depois de ter feito o food journal que a Adina do Skin Cleanse sugere*, depois de ter feito uma limpeza nos cosméticos e estar usando só produtos naturais, então talvez seja um desequilíbrio hormonal. Eu tenho sempre pequenas espinhas antes da menstruação. E é bem comum que nós mulheres tenhamos.

Pra limpar a pele e evitar que elas apareçam, uma das melhores coisas é fazer máscara de argila semanal. A mais indicada pra esses períodos de pele com espinhas é a verde, mas existem outras muitas:

Argila verde: adstringente, tonificante e secativa. Faz um peeling natural, por isso não é recomendada para peles sensíveis.
Argila branca: absorve a oleosidade sem desidratar, cicatrizante e efeito de limpeza. Indicada pra peles sensíveis (ou: todos os tipos de pele podem usar, inclusive as sensíveis).
Argila dourada: rica em silício, tem ação tonificante e é indicada para peles maduras e cansadas.
Argila roxa: tem efeito calmante e também é indicada para peles mais sensíveis.

Argila roxa da Terramater ;)

Como fazer a máscara de argila


  1. Misture cerca de 1 colher de chá da sua argila com 1 colher de chá de água filtrada.
  2. Misture até formar uma pasta e aplique no rosto (eu prefiro usar um pincel porque fica mais homogêneo e não desperdiço nada).
  3. Deixe agir por cerca de 15min ou até secar e lave bem.
  4. Pra ter um efeito esfoliante é só fazer movimentos circulares enquanto estiver limpando.
  5. Você pode usar um disco de algodão pra ajudar a limpar o rosto.
  6. Aplique uma vez por semana, não mais que isso. :)

Obs: A argila (todos os tipos) ativa a circulação da pele, então é comum sentir a temperatura do rosto aumentar um pouquinho. Mas não chega a incomodar! Se você passar e sentir ardor, lave com água fria na hora. Talvez a argila que você escolheu não seja pro seu tipo de pele.

Óleo essencial de Tea Tree (ou Melaleuca) da Terraflor

Secando espinhas naturalmente


Nem sempre a máscara impede que as espinhas apareçam, principalmente aqui no meu ciclo pré-menstrual que os hormônios estão a mil! Por isso, apelo pra uma alternativa que seca espinhas. Sim, parece promessa milagreira de indústria de beleza, mas é que é quase isso mesmo.

O óleo essencial de melaleuca (ou de tea-tree) é um super funcigida, bactericida, cicatrizante. Foi a única coisa que funcionou pra diminuir consideravelmente espinhas, da noite pro dia. Passe uma gotinha direto na espinha que apareceu no seu rosto. Não encoste o dedo no potinho! Deixe a gota cair ou use alguma coisa (como uma colher limpa) pra pegar o óleo. Durma e, quando acordar, veja a mágica acontecer!

Dá pra usar por uns três dias, duvido que sua espinha tenha sobrevivido até lá. Não é legal usar por todo rosto. Se sua pele estiver com muita acne, o ideal é misturar o óleo essencial de melaleuca em um óleo vegetal carreador pra usar por mais dias, até sua pele melhorar. Nesse caso, recomendo o óleo vegetal de jojoba, que é leve e não aumenta os problemas pra quem tem acne e não recomendo o óleo de coco que é comedogênico.

* O food journal que a Adina do livro Skin Cleanse sugere é você anotar por alguns dias (3 a 10) tudo o que você come e como está sua pele. A ideia é observar os reflexos da sua dieta na sua pele pra achar suas "comidas culpadas", que são as que deixam a pele ressecada ou que dão espinhas. ;)
Eu cresci em uma cidade de 5mil habitantes. Como vocês podem imaginar, meu colégio era minúsculo. Tive 12 colegas na classe até a 8ª série. O que significa que tinha poucos amiguinhos e, entre eles, poucas amigas. Eu não lembro de me dar muito mal com ninguém, mas tinha minhas amigas preferidas que importam agora. Vou chamar de Luisa e Júlia.

A Luisa sempre foi bem magricela, esguia, cabelo bem liso e quase preto. Sempre foi bonita, sempre era a que tinha mais meninos apaixonados por ela. A Júlia foi um pouco mais gordinha, mas assim, nada demais mesmo. Depois emagreceu, mas o biotipo dela não era magricelo de jeito nenhum. Ela tinha a pele branquíssima, cabelos pretos e olhos azuis. Linda e também disputava o amor dos meninos. Eu era magra, mas não magricela. Até porque sempre curti comer muito. Não era o foco dos meninos assim, na minha percepção, mas vivia enrolada em causos (#canceriana). Depois dos 12 anos eu continuei crescendo e virei a mais alta da trupe, com quase 1,80m. Tinha o cabelo ondulado, era loira. Bonitinha, vai.

Nessa época, durante a infância, eu achava elas o máximo. Queria ser magra que nem a Luisa e ter os olhos azuis da Júlia. Me sentia gorda, porque elas viviam falando nisso. Mas comia, não lembro de pirar muito com dieta, sempre tive muita fome. A Luisa pirava um pouco e comia pouquíssimo. Inclusive lembro que a mãe dela vivia inventando dietas diferentes pra fazer. Lembro de uma em que todas as refeições precisavam ser sopa e outra que só podia comer melancia. A Júlia teve seus problemas com o peso e embarcou numa dieta com uma nutricionista. Se exibia comendo só frutas enquanto a gente atacava os cachorros-quente do colégio.

Quando chegou a pré-adolescência, comecei a me sentir feia. Desencaixada. Eu não era o que via de bom na Júlia nem na Luisa. E não reconhecia muito o que eu tinha de bom. Bom, vocês sabem como termina essa fase: odiava cada centímetro do meu corpo. Eu cortava o cabelo repicado igual ao delas, que era liso, e o meu ficava uma bagunça ondulada que eu queria morrer. Eu achava meu nariz simplesmente imenso e sonhava com uma cirurgia até porque minha mãe não cansava de repetir isso lá em casa. Eu achava que meu pé 39 era um absurdo, mesmo que eu tivesse minha altura e ah, andava corcunda porque queria ser mais baixinha.

Eu, na praia, sem maquiagem, sem escova no cabelo e me sentindo incrivelmente linda! :)
Eu cresci numa cidade onde fui muito feliz em muitos aspectos: morei com meus avós, comia comida da horta de casa, não tinha medo, era tudo pertinho, a biblioteca era incrível, tive vários bichinhos e era super tranquilo. Ao mesmo tempo que foi muito difícil porque sempre me senti inadequada pros costumes, pra certos pensamentos, a famosa ovelha negra da família.

E, como vocês também devem saber, cheguei na fase adulta assim: insegura, achando e tendo certeza de que era chata porque ninguém curtia as mesmas músicas que eu, os mesmos livros que eu, que não ia nunca ser considerada bonita porque não me adequava ao tipo loira de cabelo comprido e super liso que faz chapinha (apesar que tive uma fase assim, rs).

Aí eu encontrei minha bolha na faculdade e vi que tudo bem, posso ser diferente do que me diziam que era o normal e sou aceita. As pessoas leem livros que eu leio, gostam das coisas que também gosto. Momento identificação total. Mas eu ainda me sinto feia. Meu cabelo sempre bagunçado, minhas roupas que não são o que eu queria estar vestindo, não sei usar maquiagem.

Foi só com a chegada dos primeiros textos sobre feminismo que eu comecei a me sentir bonita. Tinha texto que dizia que você pode escolher o cabelo que quiser ter. Tinha texto que falava de meninas gordas, negras, lésbicas, com deficiências físicas, com várias coisas que eu não tinha e ainda sim eram lindas. Então eu também devia ser, oras.

Eu percebi que o sentimento de me sentir GORDA era absurdo quando, com uns 20 e alguns, achei uma foto de uns 16. Na frente do espelho, com um top de ginástica. Super magra. E lembro que me achava GORDA na época. Não com uma barriguinha (que nem tinha), gorda. Aprendi com o feminismo que reproduzir essa discurso é opressivo pra quem é gordo, até porque não tem nada de ruim ser gordo. E que nunca fui gorda, mesmo que as minhas amigas da infância falassem isso o tempo inteiro.

Mas uma das coisas que mais me marcou foi quando uma amiga da faculdade, que eu achava linda demais, falou que tinha feito alisamento no cabelo e ele não era natural. Depois, ainda falou que tinha feito plástica no nariz. Achei muito louco. Comecei a perceber que uma das minhas buscas era não só pela beleza, mas por uma beleza que eu não tinha e então me frustrava em cada olhada no espelho. E ao mesmo tempo, comecei a ver que tudo bem se eu quisesse mudar certas coisas. Tudo bem, mesmo.

E daí, com um tempo, eu descobri que eu era o "beleza padrão". Tinha gente que falava que tinha inveja porque eu era magra e alta. Eu pensava "oi? Inveja de não pode usar salto? Inveja de... eu sou feia!".

Meu namorado Lucas teve uma grande participação em o "eu sou feia" virar "eu sou bonita". Depois de inúmeros relacionamentos abusivos que minam sua auto-estima, eu conheci um cara que me acha linda. Do pé ao cabelo. E comecei a perceber essa beleza em mim de tanto que ele fala(va).

Hidratante que fiz :)

E foi aí que eu conheci o mundo da beleza natural também. Um mundo que, pra começo de conversa, diz que a indústria mentiu pra você a vida inteira. Porque é isso que a indústria da beleza faz: mente. Eles mentem que o único cabelo aceitável é o liso. Eles mentem que não existem pessoas negras porque não tem base e outras maquiagens pra essas peles. Eles mentem que existem milagres e que se você passa um produto, sua pele milagrosamente vira de pêssego. Eles mentem que você SÓ tem como ter resultados bons com produtos que ardem. Eles mentem que o corpo ideal é um corpo doente de gente que não come nada o dia inteiro e provavelmente tem distúrbios alimentares. A lista, amigos, é infinita.

Saber que tudo o que você ouvir é mentira é... libertador. Primeiro porque você sente que não era você que tava errada esse tempo todo, mas que eles que queriam te enfiar em uma caixinha que você jamais caberia. Sério, as discussões e textos sobre feminismo me ajudaram TANTO a perceber isso. E não vou nem dizer que daí do nada passei a ME AMAR, mas era incrível porque parecia que eu não devia mais nada a ninguém.

Depois que, o movimento da beleza natural, pra mim, é o seguinte: você entender o seu corpo. Sua pele, sua genética, seu biotipo, seu cabelo, suas cores, suas formas, o que você é. E, a partir disso, usar produtos pra equilibrar isso, deixar mais bonito, ajudar o jeito que você é a ser mais ainda. Na beleza natural não tem máscara de argila pra transformar sua pele em algo transcendental ou pra tirar rugas ou pra rejuvenescer. Essas coisas não são naturais, os cosméticos naturais são pra entender e caminhar nesse caminho que é só seu.

E, por ser só seu, você pode criar seus cosméticos em casa. Você pode pesquisar o melhor óleo vegetal e ter uma pele linda e hidratada. Você pode testar as cores das argilas. Você pode ficar sem maquiagem sem medo. Você pode aceitar seu cabelo na forma que ele ficar com seu xampu sólido natural.


O meu movimento de beleza natural, o que eu reconheço como sou praticante, é feminista. Porque não impõe nenhuma meta ridícula pra ninguém, mas diz pras mulheres que tá tudo ótimo com o que elas tem na mão, no rosto, no corpo (pros homens também, mas tô falando das mulheres).

Tem sido uma super libertação usar cosméticos naturais, feitos em casa e não precisar pesquisar em blogs sobre produtos e maquiagens. Me sinto muito mais feliz desde que comecei o caminho do auto-descobrimento. Eu gosto de como eu sou, eu uso produtos que entendem como eu sou sem brigar comigo. Parei de tentar lidar com meu cabelo como se ele fosse o cabelo grosso e liso da Luisa ou da Júlia.

Se você ainda tá muito presa em "não consigo usar maquiagem natural porque não cobre toda minha pele" ou "não consigo me sentir bonita com meu cabelo natural", tudo bem também. Acho que o importante, antes de mais nada, é você se sentir bem. Reforça sua auto-estima e, quem sabe, daqui a pouco você tá usando seus cachos e sendo feliz assim. É bom entender porque a gente não sente isso com o cabelo que veio com a gente. É o que eu espero: que, se você não quiser seguir os padrões bizarros que venderam pra gente como verdadeiros pra beleza, tudo bem. Mas se você quiser ter o cabelo diferente, tudo bem também desde que seja uma vontade sua e não uma obrigação moral. E que tem um monte de produtos, óleos, argilas, chás que vão te deixar com uma pele linda e saudável e aí você vai poder usar a maquiagem de si mesma, assumindo tudo o que você já é, gata. Porque você é linda. Eu sou linda. Somos todas lindas. Do jeito que escolhemos ser. :)

Ps.: A Luisa e a Júlia sempre foram lindas. Mas a Júlia, especificamente, sempre quis ser o que não era. Pegava sol do meio dia na esperança de ficar bronzeada. Inclusive ficou laranja com um auto-bronzeador numa dessas tentativas. Fazia luzes pra tentar ser mais loira mesmo tendo um cabelo preto lindo que combinava com ela só porque a moda era ter luzes. Sofreu horrores a vida inteira e, se bobear, sofre até hoje achando que é gorda. Não sejamos Luisas e Júlias mais, que passam a vida insatisfeitas consigo mesmas. ;)
Calendário LINDO da Brunna Mancuso

Confesso que foi difícil pensar em metas pra esse ano novo. Primeiro porque tenho MUITAS, mas que não tem nada a ver com o Um Ano Sem Lixo, são pessoais. Depois porque todas elas são uma maior: zerar o lixo. Então eu resolvi destrinchar um pouco em coisas que sei que são problemáticas e que, principalmente em 2016, não consegui resolver.

Parar de usar papel higiênico


Eu sei que eu falo disso desde que comecei o projeto, mas antes eu morava em um apartamento que não tinha como instalar uma ducha higiênica sem quebrar parede -- e como ela alugado, cês entendem que não rolou, né? Nesse outro apartamento eu acho que tenho como instalar pela pia, mas acabei me enrolando porque tinham outras coisas do próprio apto pra resolver antes. Mas é isso.

O que vou fazer? Instalar uma ducha higiênica no banheiro de casa e ao invés de usar papel, vou usar toalhinhas que serão lavadas.

Reavaliar o que posso melhorar em cada cômodo da casa


A vida é assim: a gente muda uma coisa, parece impossível realizar essa mudança, mas depois de um tempo você nem lembra como era a vida antes da mudança. Quero dar uma melhorada e otimizada, apesar de saber que já resolvi vários problemas. A gente sempre pode melhorar, e quero compartilhar com vocês como eu faço tudo pra ver se posso diminuir AINDA MAIS o lixo. ;)

O que vou fazer? Série de posts pro blog contando o que tem no meu banheiro, no quarto, na cozinha, na sala e no escritório. O lixo que é produzido, o que é evitado e o que ainda pode mudar. :)

Veganizar


Não sou vegana, sou ovolactovegetariana. Ou seja, como derivados de leite e ovos apesar de não comer carnes. Quero tentar deixar minha cozinha em casa vegetariana primeiro e antes de mais nada, sem derivados de leite nem ovos. Cuidar mais e me preocupar mais com cosméticos testados em animais (apesar de quase sempre escolher essas opções hoje em dia, não é um cuidado específico). Enfim, evoluir nessa questão. Acredito muito em uma mudança gradual, então aos poucos vou dando updates por aqui.

O que vou fazer? Tirar os derivados de leite e ovos de casa, primeiro. Depois, evitar comer essas opções na rua. Prestar mais atenção em produtos e cosméticos cruelty-free e não testados em animais.

Fazer uma limpa digital


Sempre falo em ter menos, em se preocupar com menos coisas. Mas tem um quesito que precisa muito de uma limpa: minhas coisas digitais. Recebo um milhão de newsletters que nem sei mais o que são, sigo pessoas que não adicionam nada na minha vida mais, passo horas vendo coisas que não tem nada a ver com o que quero ler. 

O que vou fazer? Me descadastrar de to-das as newsletters que não façam sentido, como a maioria das lojas, sites de notícias, etc. Deixar de seguir no Instagram, no Twitter e no Facebook as pessoas que não fazem mais sentido. Tentar uma calmaria digital. :)

Organizar melhor o clube de filmes e livros sobre sustentabilidade


Falei aqui que ia começar um clube sobre livros e filmes sobre sustentabilidade e adivinha? Já falhei miseravelmente. Preciso pensar em um jeito que dê menos trabalho pra mim, pra que a gente consiga assistir e ler os livros sem que eu segure demais as rédeas. Vamos ver, acho que pensei em uma solução mais soltinha. ;)

O que vou fazer? Pensar em uma solução pra que o clube de filmes e livros sobre sustentabilidade role durante o ano todo de 2017! ;)