Eu ando bem quietinha por aqui tem tempo. Desde que virou o ano, me pergunto como continuar o projeto, como continuar a não produzir lixo, como produzir ainda menos lixo, o que ir além do que já fiz. Era pra ser só uns diazinhos ou umas semanas de férias, mas acabaram sendo meses. E os últimos meses, como bem me avisaram Susan Miller e Mainá Mello (rs), foram de uma revolução interna e muito trabalho.

É obvio que eu comecei a me questionar também. É difícil ser blogueira, viu. Ter essa responsabilidade sobre você, as pessoas julgando com o olhar, as vezes que a vontade é largar tudo e comprar um chocolate mas lembrar que tem embalagem e se sentir mal. Eu dei palestra, falei num TEDx, respondi muuuuitas entrevistas e muitosssss emails e comentários de vocês. Tem sido ótimo, aliás. Nunca vou me esquecer da sensação em estar em uma palestra e metade das pessoas dizer que foi porque me conhecia. É lindo demais. Também é lindo ser inspiração pra uma coisa tão bonita, uma causa tão boa pra todos nós que é ser mais sustentável. Mas não é fácil, né.

Quando eu comecei as mudanças pra passar a viver sem lixo, em 2015, eu achava tudo fácil. Mas eu tava empolgada, feliz e tão afim de realmente fazer as coisas que obviamente eu tava achando fácil. Mas viver sozinha, ser 100% responsável por tudo na sua vida, trabalhar e cuidar de um gato e um cachorro dá um trabalhão. E aí eu descambei e passei a achar muita coisa difícil.

Tenho produzido bastante lixo. Reciclável, basicamente, porque não tenho conseguido me organizar pra comprar comidas a granel e porque os preços subiram muito nessas lojas. Acabei ficando na facilidade de comprar um saquinho de arroz, apesar de todo o remorso. Desde que a Filó (a cã) chegou na casa, então, meudeusdocéu quanto lixo. Foram muitos jornais até eu conseguir o sanitário canino que usa areia biodegradável. Ela destruiu muita coisa - e a maioria de tecido, nada reciclável e que eu não tinha mesmo como reaproveitar (vocês já viram como os bichos deixam as coisas destruídas?). Até hoje rolam pequenas destruições, brinquedos que vão estragando, coisas que ela derruba e quebra. Sim, Filó é uma cã saltitante e fofa, mas que cria um pequeno caos ao seu redor.

Em suma: me desorganizei completamente. Sigo com a composteira, a bucha vegetal pra lavar louça, fazendo meu sabão em pó e outras mil coisas que reduziram meus lixos, mas a sensação de estar falhando é tão grande, gente. É que sou perfeccionista também, viu.

Todo esse desabafo pra dizer que: agora vai.

Tô planejando novos posts finalmente, novas parcerias que vão ser incríveis, novas ideias e em breve e aos poucos elas vão chegando por aqui, no facebook, no grupo do facebook, na newsletter, no instagram, no snapchat (@cristalmuniz) e no twitter. Ufa!

Mas vamos conversar? Gosto tanto dos comentários aqui no blog e queria muito saber: o que é mais difícil pra vocês? Vamos nos ajudar falando do que é difícil também, porque é importante a gente lembrar que a realidade não são só fotos bonitas e flores.

Quanto menos a gente olha pra gente mesma, quanto menos "se investiga", se aceita e se curte... mais energia sobra pra olhar pra fora. Não ter vontades claras, não exercitar questionamento (no guarda-roupa e na vida!) rende um vazio que deixa a gente à mercê do mercado/da indústria: a gente passa a não desenvolver pensamento crítico e opinião como cidadãs – mas sim passamos a nos expressar como consumidoras, através do que compramos. Se a gente não faz as próprias escolhas, então o mercado "escolhe" pra gente.

Nosso trabalho como consultoras de estilo pessoal exercita bem isso: a gente ajuda clientes a enxergar com clareza os seus SIMs, pra que elas tenham força emocional pra dizer NÃO pro que não serve pra elas. :)

Percebam que tudo em volta quer que a gente diga esses SIMs, que compre tudo, que não raciocine sobre nada, que não faça escolhas -- pra optar sempre por um excesso que não funciona, e que por isso mesmo faça a gente querer comprar ainda mais.

Já disse Marcelo Camelo: a gente devia "só precisar do que já tiver". Isso é tranquilidade, é o oposto de ansiedade!


Agora pára um segundo e pensa com a gente: e se a gente tivesse cuidando de estudar a nossa própria aparência em frente ao espelho (e não tanto as aparências das moças que frequentam semanas de moda, que aparecem no Pinterest, que tão nas páginas das revistas)? E se no lugar de estudar e perguntar "de onde é" e querer saber milimetricamente o que as outras pessoas tão vestindo... a gente fizesse essas perguntas sobre nós mesmas?

Olhar pra dentro de si mesma com carinho <3 procurando clareza de preferências e vontades nem é tão dificil – mas a gente tá bem desacostumada, já que nada em volta ajuda ou incentiva essa prática.

Perguntas boas pra se começar (assim que a gente desliga o celular ou sai da frente do computador) podem ser:

-o que eu quero sentir?
-como eu quero parecer?
-o que é importante pra mim?
-que tipo de roupas, cores, acessórios, materiais e estampas eu entendo que me fazem sentir essas sensações ou parecer como eu desejo?


Um aprendizado útil de verdade pode ser esse: entender como as roupas podem materializar sensações. Se a gente consegue organizar essas respostas daqui de cima com honestidade e carinho, fica tranks escolher o que vestir – e as escolhas vão ficando mais e mais certeiras na medida em que a gente se interessa também por conhecer qualidade, caimentos, acabamentos, etc.

Quando a gente tem clareza de quem é e consegue "mapear" a vida que vive, fica fácil dizer não pro que é excesso. É nisso que a gente fundamenta o nosso SUBSTITUA CONSUMO POR AUTOESTIMA: na energia que coloca em si mesma pra não precisar comprar pra se sentir bem.


E a nossa experiência prática com clientes de consultoria e com alunas dos nossos cursos ensinam mais e mais pra gente – e dão certeza de que esse é um raciocínio eficaz, que funciona de verdade, na vida real.

Pra ler mais sobre:
Quando eu pensei em fazer um blog pra contar como seria parar de produzir lixo, eu sabia que ia dar algum barulho. Fosse só entre os amigos ou um pouquinho mais, mas nunca imaginei que seria como está sendo. Fui entrevistada pela Trip, pelo Estadão e saí no site da Carta Capital. Eu fico muito muito feliz, mas muito mais pela possibilidade de espalhar essa ideia por aí.

E é com muita muita muita muuuita alegria que eu publico o TEDx Talk que eu fiz, graças ao convite ilustríssimo do TEDxBlumenau. Sem mais, ó: