Além de não precisar na maioria das vezes (sério!), dá pra usar cascas e talos pra fazer caldo de legumes, vinagre e desinfetante natural. Você aprendeu que precisa jogar as cascas fora e inclusive que muitos vegetais só tem uma parte pequena que dá realmente pra comer, como brócolis e couve-flor. Acertei?

Mas tem muitos problemas em cozinhar assim, porque a gente deixa de comer muitas vitaminas e minerais (que normalmente são mais concentrados nas cascas dos vegetais) além de desperdiçar alimentos e nosso dinheiro.

Aqui em casa eu cozinho quase tudo com casca, porque faz parte da minha responsabilidade não jogar alimentos fora. É e sempre foi um assunto muito sério pra mim, já que tem tanta gente que passa fome nesse mundo, é feio demais jogar comida fora porque a gente não guardou direito, comprou mais do que podia comer, esqueceu e não se planejou.

No Brasil, são desperdiçados cerca de 40mil toneladas de comida por dia (aqui). É comida demais jogada fora. Apesar de não ser em casa o maior problema (é na produção e no transporte onde mais se perde), a gente pode diminuir esse número com algumas coisas simples como não jogar as cascas fora.

COMA COM CASCA MESMO

Esse bolo LINDO de banana e abacaxi da Bela Gil tem na receita bananas COM CASCA. Ó a receita aqui.

Muitos vegetais podem ser consumidos com a casca, não precisa tirar. Como: cenoura, abóboras, abobrinha, berinjela, batatas (doce inclusive), frutas. É só lavar bem com uma escovinha e sabão, enxaguar e pronto! Dê preferência por alimentos orgânicos sempre.

FAÇA CALDO DE LEGUMES DAS CASCAS QUE NÃO DÁ PRA COMER

As cascas dos vegetais que guardei pra fazer caldo. Tem: casca de cebola, alho e alguns talos como couve-flor.

O caldo de legumes (olha essa cor!) feito de cascas -- rendeu mais que o dobro disso, que eu usei pra uma sopa na hora.

Algumas cascas não dá pra comer mesmo, como a casca da cebola, do alho. Mas dá pra usar todas elas pra fazer um caldo de legumes gostoso e rico em nutrientes. Você só precisa ir guardando as cascas em um potinho ou saquinho e manter congelado até encher. Daí é só cobrir com água em uma panela e ferver por cerca de 40min. Use esse caldo em sopas, risotos, no lugar da água de cozimento, pra fazer molhos, etc. Vai ter MUITO sabor e MUITOS nutrientes.

FAÇA VINAGRE DE FRUTAS

Dia 3 do meu futuro vinagre de abacaxi!

Dá pra fazer vinagre em casa usando cascas de frutas que você ia jogar fora! É só cobrir as cascas com água, colocar açúcar e esperar fermentar e virar vinagre. É simples, você faz seu vinagre custando quase zero e não desperdiça nem as cascas nem o plástico que você ia comprar. A receita tá aqui.

FAÇA DESINFETANTE DE FRUTAS CÍTRICAS

Desinfetante feito de cascas de bergamotas. <3

Dá pra aproveitar cascas de frutas cítricas pra fazer duas receitas bem fáceis de desinfetante natural. A primeira eu já falei aqui, é só cobrir as cascas com vinagre (eu usava o de álcool, mas agora vou usar o de frutas feito em casa) e deixar por umas duas semanas. Os óleos essenciais da casca vão deixar um cheirinho cítrico no vinagre que você pode usar pra limpar tudo em casa.

A segunda receita é da Neide Rigo (vocês conhecem? Mulher mais-que-maravilhosa). É só bater no as cascas no liquidificador com água e depois filtrar. Essa receita é um desengordurante, na verdade. Clica aqui pra ler direitinho a receita e como fazer. :)

E depois que a gente esgotar os nutrientes e usos de todas essas cascas, tudo vai pra composteira. Clica aqui pra saber o que é se você ainda não sabe. :)
Você já sabe que eu uso vinagre pra uma porção de coisas aqui em casa, né? Ele é o rei da limpeza natural (aqui), faço desinfetante (aqui) e uso depois do xampu sólido natural pra deixar o cabelo soltinho e brilhante (aqui). Mas eu compro vinagre em embalagem de plástico, porque não tem a granel pertinho de mim e essa embalagem tem me incomodado muito nas últimas semanas.

Foi aí que lembrei de uma receita de vinagre de maçã do blog Zero Waste Chef, da Anne Marie (aqui). Eu fiz faz alguns meses já, mas tinha esquecido dentro de um potinho na geladeira (não me pergunte, haha). Essa semana eu abri e a minha surpresa foi que o cheiro era perfeitamente de um vinagre de maçã. Então eu decidi que não vou mais comprar vinagre a partir de agora, vou sempre fazer! :)

Essa receita é de maçã porque foi a fruta que testei até agora, mas dá pra fazer de basicamente todas e usar os restinhos das frutas que você come em casa. Já pensou em um vinagre de manga ou abacaxi? :) E o mais legal é que essa receita é barata, fácil e rende litros de vinagre. Assim a gente aproveita o lixo orgânico da cozinha e economiza em embalagens de plástico.

A mistura no primeiro dia – lembre-se de cobrir com um paninho!

Você vai precisar de:

  • Cascas e miolos de cerca de 6 maçãs (aproveita pra fazer uma torta com as frutas)
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • Cerca de 2 litros de água (sem cloro, filtrada)

A Anne Marie dá a dica de que essas medidas são uma base, mas não tem muito erro quando a gente fala de fermentação. As bactérias presentes nas maçãs fazem a fermentação acontecer e o açúcar (da fruta e o adicionado) alimenta o processo.

Se você só tiver água não-filtrada da torneira que tem cloro, antes de começar coloque a água em um pote / recipiente aberto e deixe um dia assim – melhor se pegar sol. O cloro, que pode naturalmente matar as bactérias que fazem a fermentação, vai se dissipar.

Como fazer:
  1. Coloque os restos de fruta, o açúcar e a água em um pote, jarra, etc. O pote não pode ficar fechado, diferente dos outros fermentados que não podem entrar em contato com o ar. Pra fazer vinagre, precisa. Mas, pra evitar bichos, coloque um tecido preso com um elástico na boca do pote.
  2. Durante os próximos dias, lembre de mexer várias vezes a mistura. Pelo menos uma vez ao dia, mas quanto mais melhor porque vai ajudar a aerar a fermentação e prevenir a criação de mofo. 


  1. Aos poucos a mistura vai começar a criar bolhas (fotos) e aí dá pra mexer só uma vez ao dia – mais ou menos 1 semana. Não tem receita exata, você tem que dar uma olhadinha todo dia na mistura.
  2. Quando começar a sumir as bolhas, o vinagre vai estar pronto. Esse processo vai durar mais ou menos uns 15 dias, conforme a temperatura onde você vive: se for mais quente (média de 30ºC), vai ser mais rápido.
Foto da Anne Marie, do Zero Waste Chef, filtrando o vinagre. 
  1. Filtre o conteúdo com um paninho e voilá! Seu vinagre está pronto. :) Composte o resíduo e guarde em garrafas fechadas, vai durar muitos meses – não precisa se preocupar com a validade, com o tempo ele fica ainda mais ácido. Pra prevenir que os potinhos explodam de gases, abra frequentemente, algo como uma vez ao mês. 

Vamos fazer vinagre em casa e usar menos plástico a partir de agora também? Me contem se deu certo e se vocês fizeram com outras frutas.
* Esse post foi gentilmente patrocinado pela Ecojoias Carol Barreto.

É vendo a beleza de plásticos de embalagens de amaciante, shampoo e latinhas de alumínio que a Carol Barreto transforma esses objetos que seriam descartados em ecojoias como colares, brincos e pulseiras reutilizando os materiais em um processo que a gente chama de upcycling. É um trabalho delicado, slow, sob encomenda e que precisa de um processo de garimpo dos materiais e de abrir os olhos pra enxergar mais que um potinho que iria pro lixo.

Foi assim com aquela bolinha do desodorante roll-on que se transformou no Colar Uno e que me deixou enlouquecida quando vi no Instagram dela. Eu já acompanhava fazia um tempo, mas quem me conquistou foram as bolinhas e saber de onde elas vinham.

As peças que recebi* foram feitas especialmente pra mim com materiais que seriam descartados e transformados em produtos lindos. As peças são cortadas artesanalmente usando técnicas de ouvires, são bem acabadas e são leviiinhas. Os brincos são feitos de aço inoxidável pra não dar alergia (sou super alérgica e não tive nenhum problema!) e toda peça vem com tags explicando a origem e o percentural do material que é de reuso. :)

Brincos Uno feitos especialmente pra mim, menorzinhos.

1. Conta um pouco sobre você e sua história. :)

Quando ainda bem nova, eu montava algumas bijuterias para meu próprio uso, sempre gostei de brincos com um lado diferente do outro, mas era bem difícil encontrar algo assim para vender, então comprava conjunto de colar e brincos iguais, e como o pingente do colar era sempre maior, eu desmontava tudo e assim criava meus brincos com um lado maior do que o outro.

O ano de 2005 foi o ano em que a empresa onde eu trabalhava faliu e fui obrigada a trancar a faculdade de biologia. Me vi fazendo bijuteria e vendendo para as amigas como uma forma de renda extra.

Um dia olhei para o lixo seco que eu separava para o catador do meu prédio, e uma garrafa pet dourada de refrigerante me chamou a atenção, achei ela linda demais e pensei no que eu poderia transformá-la, e adivinha o que nasceu dali? Brincos lindos e junto com eles nascia a minha marca. Da garrafa pet dourada para as garrafas transparentes e em seguida para as latinhas de bebidas foi um pulo. Comecei tudo sozinha, com técnicas bem manuais e arcaicas, e com o dinheiro das vendas fui me especializando com cursos de joalheria e moda.

Colar Uno feito com embalagem de desodorante e lata de alumínio com 80% de upcycling.

2. Qual foi sua influência na hora de criar a marca?

Eu sempre fui aquela carioca da gema mesmo, que ama estampa e cores fortes até mesmo no inverno, de chinelo no pé e um par de biquínis sempre dentro da bolsa. Não suporto roupa desconfortável, sapato apertado e acessórios pesados. A Ecojoias é o reflexo disso tudo, tem uma pegada bem regional, que respira o dna brasileiro.

3. Como é o processo de produção das peças?

Todas as Ecojoias são feitas artesanalmente, com técnicas próprias e de joalheria.
Desenvolvo uma coleção por ano, sem seguir tendências nem estações, cada coleção é criada com base nas minhas experiências pessoais como viagens, sabores, lembranças de infância. As inspirações podem surgir do formato de um barco a vela, das folhagens, aves e até de algum prédio ou arquitetura.

Desenho as peças primeiro e depois monto os protótipos (alguns em papel cartão) para então confeccioná-los no material escolhido que pode ser em plástico, alumínio ou outro material. Esse processo do desenho até a peça final, pode durar 40 minutos ou 2 anos. Dependendo do projeto a peça pode dar super certo ou não ter um resultado final bacana, aí ela fica de molho.

Para cada uma existe uma técnica específica e um tratamento diferenciado, mas todas são tratadas com a mesma importância de um metal nobre: são separadas por tipo, espessura e cores, onde cada pedacinho não usado é destinado a reciclagem.

Não trabalhamos com estoque, as peças são feitas sob encomenda, com isso o cliente pode personalizar a sua peça, escolhendo a cor e tamanho que desejar, e ainda pode escolher peças de coleções mais antigas, que não saem de produção, deixando o consumidor livre para comprar quando desejar, sem a pressão de seguir temporadas.

Gargantilha Eclipse feita com reaproveitamento de plásticos.

4. De onde são os materiais utilizados?

Tenho parceria com algumas empresas que separam as latas de bebidas e garrafas pet em grande quantidade, mas a maior parte da matéria prima das Ecojoias vem de produtos domésticos como embalagens de amaciante, frascos de shampoo, produtos de limpeza. É um trabalho de formiguinha, recebo doações dos vizinhos do atelier, de amigos e dos próprios clientes das Ecojoias.

Existe um trabalho de conscientização ecológica depois que o cliente toma conhecimento do conceito e do material utilizado nas peças, ele nunca mais olha para o seu "lixo" da mesma forma, ele passa a ver valor e beleza nas coisas que descartamos diariamente.

Bracelete Gladiadora feita de garrafa pet e fio de algodão.

5. Qual a reação das pessoas quando elas descobrem que as peças são de "lixo"?

O bacana é que ninguém percebe que o material vem do lixo, não dá pra criar uma peça, olhar para ela e ainda ver o material de descarte ali, fica over. Por isso todas as peças acompanham uma tag explicativa sobre o material utilizado e também a porcentagem dele.