Nem todo lixo é igual ao resto do lixo. Tem lixo seco, lixo orgânico, lixo comum, lixo reciclável e o que eu quero parar de produzir é o lixo que chamam de comum ou sólido: aquele que não pode ser reciclado, não pode ir pra composteira e o único fim que podemos dar é o caminhão de lixo levar para um aterro sanitário, ficar empilhado e esperar longos anos até se decompor.

Esse tipo de lixo – e os lixões ou até os aterros sanitários – são super prejudiciais ao meio ambiente. Nos aterros temos uma série de coisas a fazer, como drenar o chorume ou ter mantas no solo que impeçam que esse chorume chegue no leçol freático e contamine água limpa. Nos lixões, não há tratamento nenhum. Se só o lixo que não tem jeito fosse pra esses lugares, va lá, seria menos pior, mas ainda não temos coleta seletiva em 42,7% das cidades do país (!!!).

Então, a partir de agora quando eu disser que é lixo, quero dizer que: é tudo aquilo que não tem como ser reutilizado e cujo destino é o lixão/aterro. É tudo aquilo que não vai ser reutilizado, seja reciclando seja como composto.

O que eu quero reduzir é esse lixo que vai para o aterro: mesmo o orgânico e também o que pode ser reciclado mas acaba parando lá (como as sacolinhas plásticas que usamos para armazenar todo lixo). Por isso vou trocar alguns hábitos, como por exemplo fazer compostagem dos restos de lixo orgânico e sempre descartar o lixo reciclável no lixo e dia certo (o que eu já fazia, na verdade). Assim, evitando embalagens desnecessárias e comprando coisas com embalagens 100% recicláveis, o montante de tudo vai reduzir drasticamente.


Olha, pra ser bem sincera: já seeeeeeeeiiiii!!!! Esse tem sido um dos tópicos que mais li sobre na internet pra saber o que fazer e que mais me perguntam também.

Em muitos outros países as pessoas simplesmente jogam no vaso. Aqui no Brasil quase ninguém faz isso. De acordo com vários sites e lugares (aqui e aqui), o ideal seria jogar no vaso quando se tem tratamento de esgoto, e no lixo comum se não tem tratamento de esgoto. O resumo é que o papel se dissolveria rápido suficiente pra não entupir o encanamento, vira matéria orgânica e vai ser tratado com o resto do esgoto. Mas, se não há tratamento, a contaminação da água seria pior que empilhar os papéis num aterro, onde ele leva cerca de 20 anos pra se decompor.

O difícil é que aqui no Brasil, de acordo com uma pesquisa do IBGE de 2008 (a mais recente) só temos rede de tratamento de esgoto adequada em 55% dos municípios do país. Ou seja, quase metade do país não trata o esgoto e joga direto na rede fluvial ou mar. Além disso, nossa rede de encanamentos não é adequada porque não foi pensada para isso e tampouco os papéis que usamos, que não se dissolvem facilmente. Ou seja: essa não é uma alternativa pra maioria das pessoas que não pode fazer seu encanamento e ter um tratamento adequado de esgoto em casa.

Pensei em colocar o papel na composteira também, mas desisti porque na vermicompostagem (a com minhocas) o composto não é esterelizado porque o processo não acontece com calor. Nesse caso, as bactérias patogênicas que vivem na gente e estão no papel poderiam sobreviver e nos contaminar, caso a gente usasse esse húmus pra plantas comestíveis. Por isso essa não é a melhor alternativa pra quem mora em apartamento também.

Então cheguei a conclusão de que ao invés de lidar com o papel depois de usá-lo, seria melhor parar de usá-lo. Vou instalar uma ducha higiênica no banheiro e me lavar toda vez que for ao banheiro. Para me secar, vou usar toalhinhas, uma de cada vez. Vou jogar elas no lixeiro, como se estivesse jogando fora. Uma vez por dia, coloco de molho num balde e uma vez por semana lavo tudo. Parece simples e fácil, né? Também é recomendado por ginecologistas, lavar ao invés de usar papel.

Tá, mas vamos lá que existem várias opções:

E se eu morar em casa?
1. Você pode continuar usando papel higiênico e jogar ele no vaso se seu encanamento suportar. Mas o ideal é fazer isso se você tiver algum tipo de tratamento de esgoto (seja ligado na rede municipal, seja alternativo).

2. Se esse não for o seu caso, dá pra queimar o papel. Vão ficar só cinzas. Mas se você mora em Cuiabá e a umidade do ar estiver menos de 20%, não queima não. Você vai estar ajudando a deixar o ar que já está muito seco, cheio de partículas possivelmente nocivas pras vias respiratórias.

3. Também dá pra fazer uma composteira e colocar o papel lá. Mas aí, nesse caso, você precisa fazer em um lugar que pegue muito sol (pode ser enterrado ou dentro de um pote/tonel escuro). O calor vai esterelizar o composto e ele poderá ser usado em hortinhas com segurança.

E se eu morar em apartamento?
1. Eu não recomendo jogar no vaso sanitário, porque em prédio os encanamentos geralmente são mais fáceis de dar problema.

2. Se você tiver uma sacada com churrasqueira pode achar que queimar o papel é uma boa ideia.

3. Ou você faz como eu e para de usar o papel, instalando a ducha higiênica.

Ufa! Problema resolvido :)


Evitar desperdício fora de casa requer um pouquinho de prevenção. Pensando nas dicas que li em blogs como o Trash is for Tossers e o Zero Waste Home, pensei num kit pra mim pra evitar gerar lixo sem passar perregue. O que tem nele:

- 1 guardanapo de pano
- 1 kit de garfo/faca (esses de acampamento são ótimos)
- 1 sacola de pano
- 1 pote de vidro com tampa

O guardanapo de pano vai substituir todos os guardanapos de papel que você poderia precisar comendo fora (ou até pra secar a mão em shopping, banheiro público, etc). Com o garfo/faca, você pode dispensar colherzinha de plástico só pra mexer o café, os talheres descartáveis que alguns lugares ainda dão e comer coisas sem problema por aí. A sacola de pano é pra sempre poder recusar sacolinhas de plásticos de mercado ou outros lugares, evitar ao máximo levar pra casa mais lixo sem você precisar planejar o dia antes de sair de casa. O pote de vidro serve como copo pra frios ou quentes e você pode pedir pro café ser servido nele ao invés de copinhos descartáveis. Pode ser usado pra levar alguma comida (já que tem tampa) também! Super útil :)

E pra economizar espaço na bolsa, dá pra colocar o guardanapo e a sacola dentro do potinho:


Decidir parar de produzir lixo começa com um primeiro problema: o que e onde jogar fora minhas coisas que não quero mais usar?

Para decidir o que, avalie o que você realmente usa e o que você não usa mais. Desapegue. Para o que você quer diminuir ou trocar por soluções mais naturais, como eu disse aqui, não vou simplesmente jogar tudo o que tenho fora, mas selecionei muitas coisas que não usava pra doar - entre roupas e cosméticos principalmente. Outras, como xampus e maquiagens, vou usar até acabar (sem desperdício!) e quando precisar comprar algo novo, vou atrás de soluções naturais ou marcas vegan.

Mas para decidir onde, você precisa saber se as coisas vão ser recicladas ou vão ter um reuso. Escova de dentes, plásticos, eletrônicos, baterias de celular e pilhas, por exemplo, podem ser reciclados se forem descartados em postos de coleta adequados. Roupas, sapatos, móveis, livros, revistas e cosméticos podem ser doados para pessoas que farão um novo uso dessas coisas.

Nesse primeiro mês que ainda tô limpando a casa (além da limpeza normal de fim de ano), tenho empilhado várias caixas de coisas em casa ainda sem saber pra onde levar tudo isso. Aí que eu descobri no site Ecycle uma ferramenta MUITO LEGAL. Você diz seu CEP, o que quer descartar e ele te indica postos de coleta (pra mim funcionou super bem, essa semana devo ligar pra alguns lugares).

Agora vai ficar mais fácil descartar muita coisa sabendo que elas vão para o lugar certo: reciclagem ou reuso.
Oi! Meu nome é Cristal Muniz, sou designer gráfica, tenho 23 anos e decidi diminuir a quase zero minha produção de lixo. Sempre me preocupei com as embalagens dos produtos, com a quantidade de sacolas que levamos pra lixeira por semana, pra onde isso vai e se realmente vai ser reciclado.

Tudo começou enquanto lia uma matéria sobre uma menina, Lauren, que mora em NY, no Brooklyn e que não produz lixo faz 2 anos. Vocês devem ter lido essa matéria, andou bombando por aí nos últimos dias. Me peguei pensando que eu também queria ser assim e, depois de passar um domingo inteiro lendo o blog dela (leia-se do último ao primeiro post), decidi que iria tentar.

Sempre gostei de coisas mais naturais, de usar menos química, de procurar alternativas mais sustentáveis e sempre esbarrei naquele discurso derrotista do "é muito difícil no nosso mundo". Lendo o blog da Lauren não achei nada difícil, até porque já faço várias coisas como ela (tipo levar comida pro trabalho), mas também percebi que nosso reducionismo a "mas eu já separo lixo" não ajuda em tanta coisa.

Bom, mas tentando me adequar desde já a esse novo modo de vida, fui analisar minha cozinha e meu banheiro, pra começar. Eu ainda tenho muuuuitos produtos (xampu, condicionador, cremes, sabão em pó, desinfetante, amaciante, etc) e não vou simplesmente jogar tudo fora - seria desperdício, certo? Então minha meta vai ser passar por esse momento de transição, de criar novos hábitos pra poder viver sem produzir lixo a partir desse ano de 2015.

Ainda não sei o que vou fazer com papel higiênico, sabão em pó, embalagens adesivadas, esponja pra lavar as louças e pretendo ir contando aqui as trocas que for fazendo, as alternativas que for encontrando, inclusive de produtos pra comprar aqui no Brasil.