1. Teve a receita do hidratante natural e vegetal que parece um chantilly que bombou muito :)

2. Leandra, musa do The Man Repeller, em favor do slow fashion.

3. Um ateliê que fornece as modelagens de roupas doadas por estilistas :) Aquela forcinha que falta pros que sabem só operar a máquina de costura, mas não sabem desenhar nada (tipo eu). Pra fazermos mais em casa.

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Faz um tempo que descobri que tenho pele seca & sensível. O que significa que preciso me besuntar de creme hidratante várias vezes por semana, não posso usar sabonetes muito agressivos, não posso tomar banho com água muito quente, não posso – de jeito nenhum – pegar sol nos horários errados.

Mas se tem uma coisa que eu detesto nesse mundo, é passar hidratante. E esses que deixam tudo grudento. Precisava tomar banho antes de passar e, de preferência, ir dormir depois. Mas eu tomo banho de manhã, então passava o dia grudenta. Me dava uns três tipos de afliceta.

Outra coisa que eu detesto é produzir lixo (hehe) e quando comecei o Um Ano Sem Lixo, abdiquei totalmente do sabonete líquido. Troquei por barras artesanais, feitos de várias manteigas ou óleos vegetais hidratantes. Ficou tudo igual na minha pele e fiquei feliz. Claro que, nessa altura, eu já não passava hidratante nem 1x por mês.

Aí veio o inverno.

Outro dia reparei em manchas vermelhas na minha pele, sem contar a descamação de sempre no rosto. Lembrei que a Lauren, do Trash is for Tossers, tinha postado uma receita de hidratante e resolvi testar. Essa receita chega a ser irritante de tão óbvia. Quando eu li, eu pensei "como eu nunca pensei nisso antes?".

Como todos os ingredientes são puros, é um hidratante sem todos os ingredientes químicos, conservantes, parabenos, etc que são tão nocivos pra nossa saúde. Eu acho que pode ser uma alternativa para quem tem bastante alergia de pele, mas recomendo perguntar pro seu médico antes. Além disso, se você tem alergia a algum dos ingredientes, pode dar problema. Esse hidratante é uma manteiga corporal, perfeito pra regiões mais secas ou peles mais secas como a minha.

(Essa receita rendeu todos esses potes: o de 500g, o de 250g, o pequeno de 40ml
e as duas latinhas, pra levar na bolsa e passar na boca)

Receita de hidratante natural e vegetal
100g de manteiga de karité
100g de óleo de coco
100g de manteiga de cacau
100ml de óleo de amêndoas


1. Junte todas as manteigas e óleos num recipiente (prefira um de vidro).


2. Derreta tudo em banho maria até ficar uma mistura homogênea.


3. Coloque na geladeira por umas 5h ou até tudo endurecer.


4. Bata com a batedeira a mistura. Vai virar um creme branquinho muito bonito e macio (parecido com um chantilly, nham).


5. Guarde em potes de vidro. Dá pra usar na pele, na boca, e acho que até no cabelo :)
Eu usei poucas vezes, mas adorei o cheirinho que ficou, predominante da manteiga de cacau. O que eu fiz pra levar na bolsa já foi usado pra boca e cutículas. No corpo, não achei que ficou tão melequento quanto normalmente. Como ele é mega hidratante e bastante oleoso, uma verdadeira manteiga, é ótimo pra regiões secas (como joelhos e cotovelos) ou pra quem, como eu, tem pele mais seca.

Na questão do lixo, o ideal seria ter encontrado as manteigas a granel. Infelizmente não consegui, mas lavei todas as embalagens (de plástico 100% reciclável) e joguei no lixo reciclável. Além disso, como é natural, não estamos colocando químicos no nosso corpo nem jogando químicos pelo ralo.

No preço, gastei R$7,30 em 100g de manteiga de cacau + R$7,95 em 100g de manteiga de karité + R$4,30 no óleo de amêndoas + R$6 no óleo de coco. No total: R$25,55.

Atualização: esse hidratante é especial para peles secas e regiões mais frias. Como a gente percebeu pelos comentários, nos lugares mais quentes do Brasil o hidratante derrete e fica líquido. O que não faz ele perder nenhuma característica hidratante. Aliás, é um ponto interessante esse: óleos vegetais são sim hidratantes, tá?
Se sua pele for oleosa ou normal, não faça essa mistura e opte por usar outros óleos mais leves puros: o de semente de uva, de abacate, de jojoba, de amêndoas ou de coco. Não sei dizer se você trocar só um ingrediente dessa receita, diminuir proporções, etc, vai deixar de ser tão oleoso, todos aqui são mais pesados e o resultado pode não ser legal. Esses óleos mais leves podem ser usados depois do banho ou antes de dormir para não ficar melado durante o dia, principalmente no calor.

Vai lá:
- Comprei as manteigas que usei no site Mix das Essências, mas depois algumas pessoas disseram que as coisas de lá não são tããão confiáveis
- Prefira lojas que vendam as manteigas e óleos em versões orgânicas (assim elas tem garantia de não serem refinadas e não terem aditivos sintéticos como conservantes)
Essa semana foi fraquinha de links lá no Facebook porque estive viajando, mas os que rolaram foram:

1. Descobri que existem vários lugares que vendem cerveja a granel (!) com os growlers, um tipo de jarrinho de cerâmica.

2. Estive em Curitiba por uns dias e aproveitei pra fazer umas comprinhas a granel de coisas que nunca tinha achado aqui: lemon pepper e cebola desidratada.

3. Teve a polêmica da bergamota vendida descascada e numa bandejinha de isopor (blé).

4. E uma foto pra nos inspirar a pensar que antes de comprar, podemos: emprestar, fazer, compartilhar etc.

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O vinagre ataca novamente! Já falei dele aqui e eu já usava ele como desinfetante pra limpar a casa, móveis com mofo, pia da cozinha e tudo mais que precisasse. Mas daí eu resolvi testar uma receita de desinfetante natural com limão que vi na internet e não acreditei muito (hehe).



A receita é simples: você deixa várias cascas de limão de molho no vinagre, fechados e descansando por umas 2 semanas. Esse é o tempo mais ou menos necessário pro óleo essencial que tem na casca dos limões sair da casca e passar pro vinagre. Eu comecei aos poucos, colocando as cascas conforme ia usando. Na primeira foto, como eu comecei. Na segunda, ele pronto pra usar (o líquido ficou amarelo, viram?).

Eu achava que ia ficar com um cheirinho muito suave, mas ficou com um super cheiro cítrico gostoso! Principalmente porque usei mais limão siciliano, que tem a casca mais aromatizada.

Com essa mistura dá pra limpar tudo: chão, pia, sofá, banheiro, móveis, sapatos. O limão adiciona um poder bactericida ao vinagre, intensificando a eficiência da limpeza. Além do cheirinho de limão que ajuda muito quem não gosta do vinagre puro. Outra vantagem é que limões são proibidos em composteiras – justamente por causa do óleo essencial da casca que é super forte – e, depois desse mergulho, as cascas ficam menos tóxicas pras amigas minhocas. Win win!
De todo o lixo que nós produzimos, mais da metade é aquele que chamamos de orgânico: restos e cascas de alimentos, basicamente. Todo esse material acaba indo para os aterros sanitários e se degradando de forma inadequada, gerando mau cheiro, atraindo animais que podem causar doenças e aumentando o risco de contaminação de água e solos (por conta do chorume).

Quase todo esse lixo orgânico poderia ser tratado nas casas das pessoas, através de um processo de compostagem, que possibilita que ele retorne, em forma de adubo, à natureza. A compostagem é um processo ainda não muito conhecido, mas que vem ganhando cada vez mais adeptos. Um dos jeitos mais comuns de fazer compostagem caseira é com a ajuda das minhocas, que comem o material orgânico e o trasnforma em húmus, um adubo riquíssimo em nutrientes.

Um projeto incrível chamado Composta São Paulo foi criado pra estimular esse tipo de reciclagem de orgânicos. Através de uma chamada pública onde as pessoas se inscreviam e as famílias selecionadas ganhavam composteiras e suporte para aprender como usá-la. O site agora tem os resultados desse projeto e algumas respostas a muitas dúvidas que normalmente temos. Usamos algumas dessas informações como base para esse post.

Abaixo, vamos explicar um pouco o que é e como funciona a composteira de minhocas normalmente usadas em residências, como é simples de fazer em casa e diminuir a quantidade de lixo que você e sua família mandam diariamente para o aterro sanitário.

O que é uma composteira de minhocas?

Uma composteira é o lugar onde vai acontecer a compostagem, que acabamos de falar. É onde você vai colocar o material orgânico e, dependendo do tipo de composteira, a decomposição vai acontecer com ajuda do calor, das minhocas ou outra coisa (existem vários tipos).

Uma composteira com minhocas precisa de, no mínimo, três andares: o terceiro, onde o lixo orgânico vai sendo depositado e coberto com o material seco (serragem e folhas secas) e, quando cheio, fica em repouso por cerca de um mês. Durante esse tempo de repouso, o segundo andar vira o terceiro e começa o ciclo de novo. Estes dois andares são onde acontece a compostagem do material. O primeiro andar é o que recolhe o líquido que escorre (os andares são intercalados com furinho para o líquido descer, e as minhocas se movimentarem).

No final desses trinta dias, o chamado período de repouso, o material que sobra é um húmus, que parece terra, super nutritivo para as plantas e com cheirinho de terra molhada. Nada disso dá mau cheiro, se tudo for feito corretamente. O excesso de umidade pode facilitar a criação de mosquinhas, por isso é importante cobrir tudo muito bem com serragem. Além das minhocas, acabam aparecendo outros bichinhos pequenos, como formiguinhas, que também ajudam no processo de decomposição dos alimentos. É tudo limpo e, seguindo todas as etapas, não há risco nenhum de contaminação.

Por serem recipientes, existem tamanhos de acordo com a produção de lixo e o número de pessoas da sua casa. Esse tipo de composteira é ideal pra quem mora em apartamento e não tem quintal pra enterrar os restos de alimentos.

O que pode e o que não pode ir numa composteira?

Algumas coisas tem passe livre, outras pode só de vez em quando e outras são proibidas de colocar numa composteira de minhocas.

O que pode sempre: frutas, verduras, legumes, grãos, sementes, saquinhos de chá, erva de chimarrão, borra e filtro de café e cascas de ovos.

O que pode de vez em quando: frutas cítricas, laticínios, comidas cozidas, guardanapos e flores ou ervas medicinas.

O que não pode: carnes, limão, temperos fortes (alho, pimenta, cebola), líquidos (iogurte, caldos, sopas, etc), óleos e gorduras, fezes de animais domésticos e papel higiênico.

Para ajudar no processo, o ideal é não colocar as cascas dos restos de alimentos sem dar uma cortadinha em pedaços menores. Não é nada gourmet, é só para os pedaços ficarem um pouco menores mesmo.

Como é ter uma composteira em casa?

Eu tenho uma composteira desde o começo do ano e me sinto muito feliz em não precisar mais jogar os restos de comida fora. A primeira coisa que achamos é que ela vai dar um mau cheiro horrível e infestar a casa, certo? Mas não dá. Se tudo for feito direitinho, fica com um cheiro de terra molhada. As minhocas vão se reproduzindo, crescendo e dá pra vê-las se escondendo da luz cada vez que nós abrimos a tampa (eu acho isso muito legal, para quem tem criança em casa é um ótimo jeito de entender a natureza).

Em um primeiro momento, a ansiedade fica toda por conta de ver o lixo sendo processado. Mas como é um processo lento, pode ser meio frustrante no começo. Você precisa de mais ou menos uma ou duas semanas para ver alguma diferença nesse processo de decomposição. Além disso, passei a cuidar muito mais do desperdício de comida, até mesmo para controlar a quantidade de resíduo e não encher os andares e ficar sem espaço.

Dúvidas? Tem uma composteira em casa? Compartilha conosco as ideias nos comentários e vamos levar essa ideia para cada vez mais pessoas.



Para comprar: Morada da Floresta.
Para fazer em casa: passo a passo.

*Post originalmente publicado no Modefica.com.br. Para acessar o post completo, clique aqui.
1. Lembrete pro evento Modefica Offline, que entre outras coisas maravilhosas, vai ter um bate-papo muito legal com a fundadora da Surya Brasil, Clelia Angelon, sobre se é possível ganhar dinheiro com produtos e serviços que façam o bem.

2. Eu, Cristal Muniz, entrei pra lista de jovens inspiradores do projeto A Nova Geração de Brasileiros da Oxford Porcelanas por causa do Um Ano Sem Lixo. :)

3. Esse container (ironicamente, uma iniciativa da Coca-Cola) transforma água suja em potável, dá acesso a internet, tem espaço pra guardar vacinas e outras coisas. É um projeto super interessante pra áreas sem saneamento básico, pra melhorar o acesso das pessoas a essas coisas.

4.  Post do mês que eu escrevo pro Modefica, contando sobre o que são as composteiras e como elas podem ajudar muito para diminuir o lixo gerado em casa.

5. França anunciou que vai proibir os itens descartáveis! A medida vai valer mesmo a partir de 2020, mas até lá os estabelecimentos e as pessoas precisam começar a se adequar. Essa proposta vai diminuir em cerca de 30 MIL TONELADAS POR ANO a quantidade de lixo só dos descartáveis.

Para ver mais links imperdíveis, clique aqui.

Toda vez que eu me apresento ou falo do meu projeto, faço questão de lembrar pras pessoas (e pra mim mesma) que não sou "hippie". Nada contra, mas a ideia aqui não é largar tudo pra ser mais sustentável. É viver no mundo moderno tentando ser menos impactante. E, até agora, a gente tem provado que é fácil, certo?

E aí chegamos onde eu queria e estava sendo um problema pra mim: depilação.

Como quase toda brasileira, eu fazia com cera. Em casa eu usava aqueles refis de roll-on. As axilas, eu usava gilette. Os problemas eram que nenhum desses métodos gerava resíduos 100% recicláveis ou compostáveis. O roll-on da cera é de plástico, difícil (se não impossível) de limpar e vai pro aterro sanitário. Sem contar os paninhos usados pra ajudar a tirar a cera da pele, na sua maioria feitos de tecidos sintéticos que também iam pros aterros. E os gilettes também não são recicláveis porque misturam 2 materiais (plástico e metal das lâminas) que nem a gente nem a coleta seletiva separa pra ser descartado corretamente.

Então eu descobri uma opção bem legal: o barbeador de metal Safety Razor. Ele é um barbeador à moda antiga, trocando só a lâmina (sabe aquela imagem que a gente tem de gilete?) e tendo dois lados pra barbear. Como a lâmina é feita de metal, é 100% reciclável! Yay :) Além disso, vai durar uma vida inteira, pois o cabo é de aço inoxidável. Dependendo do uso, as lâminas precisam ser trocadas em média 1x por mês.

As vantagens são: ele é mais eficiente porque as lâminas são mais afiadas; você não gera resíduos não-recicláveis; não tem dor que nem a cera; depois do 1º ano o custo com lâminas é muito menor que com os descartáveis. E ele é lindo e o que comprei, fabricado no Brasil!

Custo de comprar barbeadores descartáveis por ano: 6 barbeadores (ou 6 lâminas) = R$120
Custo do Safety Razor + 10 lâminas por ano = R$110 (depois do 1º ano, o custo é de cerca de R$15/ano)


Eu com meu Safety Razor montado errado (!) e os diferentes tipos de lâminas que existem.

Confesso que eu estava ansiosa e com medo desse barbeador. Como as lâminas são mais eficazes, tem muitos avisos para não colocar pressão e que você pode se cortar. Eu sou meio estabanada, então já tava vendo um acidente pela frente. Mas fiquei surpresa em ver que foi bem tranquilo e seguro. Eu não comprei espuma de barbear (hehehe) e fiquei apreensiva que ia dar tudo errado depois de ver um vídeo de uma menina ensinando a usar nas pernas. Usei um xampu sólido como sabonete pra fazer espuma (ele não ficou muito bom no meu cabelo, então estou usando pro rosto e agora pra isso porque ele não resseca tanto a pele) e deu tudo certo.

Obs.: cês acreditam que eu montei o meu barbeador errado? :') Tô chorando aqui de rir! E aí que acabei de inverter a base dele (a primeira foto tá correta) e ficou muuuito mais eficiente (dei uma testadinha) e, claro, mais perigoso de se cortar. Volto com feedbacks caso dê algo errado rs

Dicas de ouro:
Não faça pressão, deixe o barbeador e a lâmina fazerem seu trabalho suavemente.

Faça movimentos curtos, aos poucos e cuidando com a curvatura da área que você está depilando (muuuito cuidado com joelhos e calcanhares!).

De preferência, use uma espuma de barbear boa, pra facilitar a depilação.

Cuidado com o ângulo, tem um jeitinho certo. Clica aqui pra ver a dica em vídeo

Não esqueça de hidratar a pele depois. Pode ser com óleo de coco ou de amêndoas, pra ser natural e sem lixo :)

Vai lá:
- Barbeador de metal Safety Razor, Paz em Gaia (R$95)
1. Teve entrevista sobre o Um Ano Sem Lixo ao lado da Joanna, do Um Ano Sem Zara (a inspiração do nome é daí!) numa matéria do jornal O Tempo, de BH, sobre blogueiras e mudanças de vida, aqui.

2. Uma matéria mostrando por que Nova York declarou guerra ao isopor e quer bani-lo (e por que eu parei de comprar coisas que vem em isopor desde o começo do ano).

3. O Just, uma iniciativa do WWF que busca incentivar as pessoas a trocarem os produtos químicos de sempre por opção 100% naturais. Quero muito testar o enxaguante bucal de canela!

4. Uma tentativa de fazer um desinfetante com cheirinho de limão: estou guardando as cascas do limão, que é proibido na composteira, mergulhadas em vinagre. Assim elas liberam o óleo essencial que é forte e nocivo pras minhocas no vinagre, fazendo um desinfetante cheiroso e super antibactericida :)

5. Adidas lançou uma linha de tênis feita com rede de pesca que seria lixo oceânico! As redes foram coletadas por ativistas da ONG Sea Shepeard.

6. O Banco de Tecido, uma iniciativa incrível para comprar, trocar e vender pedaços de tecido a um preço único, otimizando as sobras que são quase sempre inevitáveis nas costuras.

7. Lego anunciou que vai parar de produzir legos de plástico e vai investir 150 MILHÕES de dólares na criação de outro tipo de material mais sustentável!

8. Eu indo comprar pãozinho sem gerar lixo, levando meu próprio saquinho de pano :) 

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A gente vive falando que temos de consumir conscientemente, ou seja, devemos consumir produtos mais eco-friendly, produzidos numa lógica mais sustentável. Vários desses termos são importados da indústria dos alimentos para a indústria fashion, inclusive. Mas todos eles querem dizer que o produto tentou ser menos impactante pro meio ambiente na sua produção e, com isso, os consumidores conscientes ficam mais felizes em levar esses itens pra casa e "ajudam a melhorar o mundo".

O problema é que assim a gente só muda os produtos, mas continua tendo papel apenas como consumidor que escolhe entre um produto ou outro. Continuar simplesmente comprando, mesmo que produtos tidos como menos impactantes, não é tão melhor assim. O que a gente precisa mudar é a lógica do consumo. Precisamos parar de ter papel apenas como consumidores finais e começar a questionar.

Outro dia, empolgada com descobertas de produtos naturais brasileiros, dei de cara com esse texto do NY Times: "Desculpa, Etsy. Aquele cachecol feito à mão não vai salvar o mundo". Etsy é um site internacional famoso por comercializar produtos feitos à mão de diversos universos. Existe uma campanha deles mesmo e, aqui no Brasil, pelo seu equivalente – o Tanlup – , por valorizar mais produtos handmade.

O ponto explorado nesse texto é que criou-se uma moda ao redor das coisas artesanais que passaram de cópias toscas e baratas das roupas de "loja" para itens praticamente de luxo, exclusivos e caríssimos. Hoje em dia é muito mais viável pra maioria das pessoas comprar itens de grandes empresas que produzem sob condições duvidosas seus produtos, reduzindo muito o custo, do que de marcas nacionais, pequenas e que encarecem muito o preço final dos itens. E isso não vai salvar nem a economia, nem o mundo.

Se dar conta disso é um tanto doloroso. Quando eu fiquei pensando sobre isso, dei uma bela paralisada e, por um momento, achei que nada mais fazia sentido. Mas existem dois lances aqui: o primeiro é que tudo, tudo mesmo, causa impacto no meio ambiente e no mundo. Podemos nos preocupar em diminuir esse impacto das formas que nos são possíveis dentro da estrutura que vivemos e aí sim, estaremos sendo mais legais. O segundo lance é que existem jeitos de se pensar nosso consumo que podem começar a "salvar o mundo" e um deles é o que chamam de economia colaborativa.

Mas então, o que dá pra fazer?
Comprar produtos artesanais tem sim muitas vantagens – em pegada de carbono, em qualidade, em possibilidade de customização, em financiar produtos produzidos no seu país, etc – mas nem todas essas vantagens são a solução para o mundo moderno que vivemos.

Precisamos: 1. Lutar por leis que regulamentem a produção, importação e exportação de produtos para que seja feito de modo menos impactante pra nossa economia, para o meio ambiente e, de quebra, que seja acessível para as pessoas. De comidas à carros.

2. Repensar a lógica de ter produtos versus usar produtos. Passar a pagar apenas pelo tempo que esse produto for utilizado, num esquema de aluguel mesmo. Aumentar o uso dos produtos durante a sua vida útil. Daqui a pouco vai ser inviável cada um ter uma máquina de lavar, vamos ter lavanderias coletivas. Iniciativas como o site Tem Açúcar? mostram que, cada vez mais, as pessoas estão compartilhando – seja comida, sejam livros, sejam eletrodomésticos.

Repensar sua relação com suas roupas. Plataformas de viagem como o AirBnb e o Couchsurfing podem entrar aqui como exemplo de coletividade. Os próprios sites de financiamento coletivo de campanhas, ideias ou produtos são belos exemplos que as pessoas tem tido de poder de bancar movimentos ou marcas que promovam ideias inovadoras. O pessoal do Cinese fez uma lista com vários movimentos que podemos apoiar, clica aqui pra ver.

Além disso, precisamos não nos deixar enganar com rótulos: quanto mais naturais os produtos, menos embalagens, menos processamento, melhor. Prefira orgânicos, produzidos perto de ti. Faça seus produtos de limpeza usando menos químicos. Cozinhe o que você come.

Mas além de nós, consumidores, abraçarmos essa causa, os produtores precisam entrar nesse barco também. Precisamos criar alternativas que incentivem as pessoas a buscar coisas menos impactantes, mas que sejam fáceis e acessíveis de serem consumidas. Precisamos começar a tentar mudar os hábitos das pessoas, criar métodos que recompensem ações como separar o lixo.



Empreste, use, troque, alugue: desapegue.