Uma das saídas para um guarda-roupa sustentável é comprar de marcas que se preocupem. Que se preocupem com a matéria-prima, com a produção, com as pessoas que produzirão, com os resíduos, com a durabilidade e vida-útil da peça, com todos os impactos que o pós uso pode causar.

Mas não existe saída perfeita: mesmo a marca mais preocupada com tudo isso vai estar causando impacto no meio ambiente. O segredo é quanto esse impacto é minimizado com ações dentro e fora da empresa, com os consumidores e com o mundo exterior, através do que for possível.

Por isso, lembrete: antes de comprar algo novo, avalie o que você já tem e veja se não consegue um de 2ª mão. Se não der, procure comprar de marcas de perto, que você confie nos valores e pensem no impacto que vão causar.


1. Insecta Shoes
A Insecta, que a gente já falou aqui, é uma marca feita por mulheres usando o conceito do upcycling, ou seja, ressignificando roupas de brechó e transformando-as em sapatos lindos, únicos e cheios de estilo. Além disso, a borracha do solado também é feita de material reciclado e é fabricada artesanalmente lá no Rio Grande do Sul. Eu posso garantir que vale a pena: os sapatos são os mais confortáveis que meus pés já pisaram. Eram só sapatinhos estilo tênis, mas agora também tem os modelos sandália e slipper. Tem masculino e feminino!
Para comprar: loja virtual.


2. Folk Boots
A Folk Boots faz botinhas cano baixo ou cano médio, as Junes e Johnnys. O cabedal é feito de tecido que sobra de estofarias, por isso as estampas são lindíssimas. Eles acabaram de passar por várias mudanças, do tecido do interior que ficou mais fofinho à reforços nos calcanhares e na parte da frente das botinhas, pra aguentar por muitos anos. Quer coisa melhor que sapato que dura anos?
Para comprar: loja virtual.


3. Verssa Shoes
A Verssa é uma marca gaúcha de alpargatas pensadas em vários pontos para ser sustentável. O solado é de borracha reciclada e os tecidos feitos de algodão e/ou garrafa PET. Além disso eles tem responsabilidades sociais como o comércio justo, impressão digital para diminuir o uso de água nos tecidos e couro curtido com vegetal para diminuir o uso de cromo e a consequente poluição das águas. Unissex, né? :)
Para comprar: loja virtual.


4. Ahimsa
A Ahimsa é uma daquelas marcas-achado: com uma linha super completa de sandálias, sapatilhas, sapatos, mocassim, botinhas, feminino e masculino. São sapatos veganos, sem nada de origem animal, muitos com tecidos com fios de garrafa PET reciclada, solado com cortiça natural e o processo feito para ser menos impactante. Achei super legal ver as fotos dos artesãos lá na aba que fala sobre a marca, com nome e tudo. Gosto muito que os sapatos sejam super neutros, básicos, atemporais. Sou apaixonada, mesmo sem ter nenhum :)
Para comprar: loja virtual.

5. Riva Sandálias
Achei a Riva no instagram e fiquei bastante apaixonada. São sandálias lindas, bem coloridas, com a cara de onde são feitas: no Rio de Janeiro. Feitas à mão, veganas, em baixa escala (e pelo que entendi no site, muitas vezes em um esquema por encomenda, porque sempre tem todos os modelos e cores disponíveis), com couro vegetal. Mesmo nos casos como esse que os sapatos não tem uma maior preocupação ambiental (no sentido de usar material reciclado, por exemplo), eles são muito menos impactantes dos que os feitos 3 continentes de distância. Local e de perto é sempre melhor.
Para comprar: loja virtual.
Fazia tempo que eu não ficava tão atarefada e não conseguia dar muita atenção aqui! Vou juntar os links das últimas duas semanas pra gente voltar ao normal, oks?


1. Um dos motivos deu ter sumido foi a preparação pra dar uma palestra & workshop no SESC Sorocaba, que rolou na última sexta-feira. Foi muito muito legal, as pessoas todas que foram eram incríveis <3 Muito obrigada pela presença, viu?

Os potinhos vazios à esquerda e cheios de hidratante natural à direita, uma das receitas que ensinei no workshop e todos levaram uma amostra pra casa :)

2. Tô achando que vou postar aqui todas as matérias dessa edição sobre consumo consciente da Revista Tpm! De projetos armário-cápsula conhecemos muitos e muitas pessoas aderindo, né? Sinto uma onda de pessoas querendo destralhar os guarda-roupas (alô efeito Marie Kondo e A mágica da Arrumação!) e acho isso super legal por 1) diminuir a necessidade de roupas e de consumir roupas novas 2) entender melhor as roupas que você tem no armário 3) melhorar o jeito que você se veste e comprar peças novas que falem mais e melhor de você e 4) usar mais vezes e prolongar a vida útil das peças. Ao mesmo tempo que: lembrem-se sempre que não há reciclagem de têxteis no Brasil, por isso um esforcinho a mais na hora de separar as roupas, vender, trocar e doar é imprencindível para que aquelas peças realmente sejam usadas depois. E esse projeto da Daniela, Less Is The New Black, é a simplicidade traduzida. Menos é mais ;)

3. E falando em Revista Tpm, quem é que tá lá esse mês numa matéria falando sobre receitas de beleza natural? Euzinha! Tem a matéria no site e também na versão impressa <3 Muita alegria! 

4. Teve esse vídeo com duas receitas naturais e bem simples de xampu seco: uma para cabelos claros e outra para cabelos escuros. Eu confesso que não me imagino usando porque meu cabelo é super oleoso, então só lavando pra ele ficar limpo mesmo.

5. Eu também saí nessa matéria da Gazeta do Povo sobre lowsumerism, como personagem em busca do menos, que é o que esse estudo identificou como tendência de consumo atual.

6. Vários movimentos sociais assinaram um pedido para a Ministra da Agricultura, Katia Abreu, aprovar o Programa de Redução de Agrotóxicos.

7. O Fleety é esse sistema de compartilhamento de carros muito legal! Dá pra alugar para outras pessoas o seu se você usa pouco ou alugar um se você não tem para aqueles momentos especiais que um carro é bem-vindo. Já funciona em Curitiba, São Paulo e agora aqui em Floripa!


8. Essas mulheres com cabelos gigantescos que moram em um vilarejo na China e lavam as madeixas com uma água de arroz (!). Sorry, L'Oreal. 

9. E o Pronara (Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos) foi finalmente lançado e ele vai ser super importante para reduzirmos o uso desses venenos que tem tantos efeitos ruins em todos envolvidos na cadeia de produção dos alimentos.



Meu guarda-roupa vintage charmoso

Eu percebi que definitivamente sou um ponto fora da curva quando se trata de guarda-roupas. A maioria das coisas que tenho ali tem vários anos. Mas eu não tô dizendo isso pra me comparar com ninguém e dizer como sou melhor. É só que, por algum motivo, eu sempre fui muito apegada às minhas coisas e quero que elas durem 10 anos, não 6 meses. E quando compro coisas novas, espero que elas cumpram essa função. Mas eu nunca fiz isso muito pela sustentabilidade em si, mais por conta do dinheiro (gasto em panelas e toalhas mas não gasto em roupas).

Ter um guarda-roupa sustentável não é nem só comprar roupa usada, nem só não comprar roupa, nem só ter roupas feitas com algodão orgânico. Ter um guarda-roupas sustentável é ter aquilo que você vai usar e usar tudo aquilo que você tiver. É cuidar, é questionar e se preocupar.

Você não precisa comprar uma peça nova todo mês
Definitivamente não precisa. Eventualmente você precisa de um vestido novo, um casaco, umas blusas. Não todo mês. Não adianta parar de comprar de lojas fast fashion e continuar agindo com uma consumidora de fast fashion.

Tenha menos
Abra seu guarda-roupa e conte quantas peças têm lá. Mais de 100? Mais de 200? Isso não é sustentável em nenhum aspecto, mesmo que tudo aí dentro seja reciclado, de algodão orgânico e feito com mão de obra justa. E seja sincera: você usa tudo o que tem no seu guarda-roupas? Ter 100~200 peças com certeza garante uma bela folga entre o uso de uma peça até chegar na última, sem repetir. Pense em fazer uma mala com as coisas que você mais gosta e mais usa e vai ter a resposta pras peças que deveriam ficar aí dentro.
Iniciativas como a Roupateca e a Lucidbag, bibliotecas de roupas onde você aluga peças por alguns dias também são muito legais. A gente não necessariamente precisa ter aquela peça, pode usar por um tempo e depois devolver.

Tenha melhor
A chave para um guarda-roupas sustentável é ter roupas de qualidade. Isso significa materiais que durem mais lavagens, bom acabamento e modelagem. Isso também provavelmente vai significar um custo maior por peça, porque algo bem feito custa mais caro. Mas lembre-se: qualidade é melhor que quantidade.

Cuide bem
Aprender a lavar, quantas vezes lavar, passar, como dobrar e guardar de um jeito que a peça não deforme é super importante. Não adianta ter aquele casaco maravilhoso e jogar na máquina de qualquer jeito para quando tirar perceber que ele encolheu três números. Dá pra usar menos sabão em pó na lavagem, dá pra usar esse sabão que faço que é bem menos agressivo, parar de usar amaciante e trocar pelo vinagre e garantir menos agressão às fibras do tecido.

O produto mais verde é aquele que já existe
Vou sempre bater na tecla que comprar usados é mais legal do ponto de vista ecológico porque é um produto que já foi produzido. Mas não adianta encher o guarda-roupas de peças usadas só porque é baratinho. E, às vezes, comprar uma usada de péssima qualidade é pior que uma nova mas de alta qualidade e que vai durar muito. Ainda assim, nem todo mundo consegue achar o que precisa sendo usado, seja por conta do tamanho, seja por conta do estilo.

Consuma consciente
Além de saber que você não precisa de muitas peças, é importante saber de quem você está comprando. Compre mais do pequeno e pare de comprar das grandes redes de lojas. Procure marcas que tenham materiais e produtos finais de alta qualidade. Marcas que se preocupem com a produção, que ela seja feita no Brasil e seja justa. Marcas que falem sobre consumo consciente, que queiram que você tenha uma peça de roupa só se você realmente precisar dela. Marcas que tenham preocupação com o custo ambiental da sua produção, seja buscando materiais mais sustentáveis seja criando produtos sob novos olhares (como o upcycling e a ressignificação).

Se responsabilize pelo depois
No Brasil não temos reciclagem de tecidos. O que significa, em suma, que as roupas que não são mais usadas vão pros aterros sanitários, sem chance de reciclagem. Por isso, mesmo que a tentação de comprar seja enorme, pense em quanto tempo essa peça não estará anunciada na sua lojinha do enjoei ou numa caixa de doações. O mínimo que podemos fazer é aproveitar muito bem aquela peça, usá-la até o fim da sua vida, para compensar todo o custo ambiental da produção e tingimento do tecido, do transporte, da manufatura, das lavagens, etc.

Ah, e se você já tem tudo que precisa no seu guarda-roupas: não compre mais. Não comprar é, muitas vezes, o ato mais sustentável que você pode tomar.

Continue lendo sobre:
- Como avaliar a qualidade da roupa
- Aula de manutenção das roupas parte I (dicas de lavagem e armanezamento)
- Dica para manchas em roupas
- Mais posts sobre consumo consciente lá no Oficina de Estilo
- Para onde vão as roupas usadas que saem do seu armário
- O que fazer com as peças de roupa que você não quer mais
- Mapa colaborativo com: costureiras, lugares para doar, cursos, marcas legais, brechós

Esse post é o resultado da conversa com as meninas da Oficina de Estilo e a Fê Canna, lá no twitter.

1.Tenho uma notícia linda & maravilhosa pra vocês (em especial pra São Paulo). Teve a inauguração da 1ª Pop-Up Store da Insecta Shoes lá na House of Bubbles, um projeto que também é uma biblioteca de roupas. Clica aqui para saber mais.

2. Olha só que projeto lindo: o Instituto Guandu recolhe o lixo orgânico de alguns restaurantes de São Paulo e transforma todo esse material em um adubo maravilhoso. Por um país com mais iniciativas assim! Clica aqui para saber mais.

3. A leitura da semana fica por conta desse texto da Fê Canna sobre o movimento que chama Lowsumerism (que já falamos aqui). A gente aprende como praticar esse movimento do menos consumindo menos, tendo menos e precisando de menos :)

4. Esse terminal de ônibus no Rio ganhou uma máquinha de reciclagem que troca as embalagens por créditos para passagens. Muito legal e deveria ter em todos os lugares.

Para ver mais links imperdíveis, clique aqui.
1. Saiu um episódio do Podcast "Ouvindo Abobrinhas" comigo sobre cosméticos e produtos de limpeza naturais. Esse podcast é dos amigos Chile e Flávia, do blog Tô Puta e Vou Cozinhar! Vem ouvir que ficou uma conversa super legal e vocês podem conhecer minha voz <3

http://www.therogueginger.com/2015/10/avocado-seed-shampoo.html

2. As sementes de abacate são uma das coisas meio... chatas (?) de se colocar na composteira. Eu sinto que elas nunca vão se decompor, mas coloco ali já que não tem muita opção. Daí que a The Rogue Ginger fez essa receita de XAMPU a partir da semente do abacate!!! D: Ainda vai um pouco de xampu pronto (tem várias marcas de líquido sem sulfatos, parabenos, etc), mas fiquei curiosa pra testar e ver se funciona sozinho! E raladinha, a semente deve se decompor mais fácil.

3. Menos consumo, mais comida saudável, menos empregos no modelo antigo, mais economia colaborativa = amor. Esse texto nos lembra que algo de grandioso está acontecendo no mundo.

4. Quando chega a hora de se desfazer das coisas que você não gosta mais, fica sempre aquela dúvida: o que fazer? Doar? Jogar fora? Onde joga? O fim da vida também é importante, assim como escolher de quem comprar. Esse post tá certeiro em tudo!

5. Novidade na área: existe um "couro" sintético feito das fibras do abacaxi! E parece sensacional, clica aqui pra ver.

6. Cerca de 70% do que os brasileiros consomem vem da agricultura familiar e ela foi chave para a erradicação da fome aqui! Um belo lembrete e incentivo de comprar de quem produz :)

7. Esse vídeo mostrando a decomposição de uma fruteira com uma surpresa no final.

Semana passada foi tão corrida que não teve links da semana, por isso juntei as duas últimas nesse post ;)

Para ver mais links imperdíveis, clique aqui.