Muita gente sempre me pede indicação de um protetor solar natural, que não gere lixo, que seja diferente desses do mercado. Eu nunca soube responder porque via receitas pela internet sem nenhuma explicação científica ou nenhum estudo mais aprofundado sobre. Como não sou farmacêutica, só acredito em coisas depois de pesquisar bastante em fonte confiáveis sempre que possível. Ainda mais sobre um assunto tão importante que envolve câncer de pele, queimaduras graves como protetores solares. Resolvi fazer esse post até pra eu pesquisar mais sobre e porque já discuti isso bastante em alguns grupos com a Ane, do Cosmetologia Orgânica (que é farmacêutica) e queria deixar um alerta aqui.

Sou entusiasta total de fazer receitas de cosméticos naturais em casa, trocar produtos industrializados por opções mais naturais, e a ideia de fazer um protetor solar natural com poucos ingredientes é super tentadora, eu sei. Mas depois de pesquisar e discutir um pouco, vi que existem muitos motivos pelos quais isso não é recomendado e resolvi fazer esse post ENORME que explica tudo o que é possível sobre protetores solares, até porque muita gente entende errado muito sobre isso. Então prepara um chá e senta pra ler porque tem muita informação e é legal que você leia tudo com atenção. Depois, você é livre pra tomar a decisão que quiser, como sempre. :)

O que é um protetor solar


Pra começo de conversa, vamos falar de o que é um protetor solar. A gente sabe que ele funciona para bloquear os raios solares e proteger a pele do câncer de pele, de queimaduras e do envelhecimento precoce. Um protetor solar deve, de acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, "ter amplo espectro, ou seja, ter boa absorção dos raios UVA e UVB, não ser irritante, ter certa resistência à água, e não manchar a roupa." (1)

A maior parte dos protetores solares que existem no mercado são protetores solares químicos. Eles funcionam com substâncias absorvendo a radiação e só funcionam após alguns minutos, depois da pele absorver essas substâncias. Já os protetores solares físicos criam uma camada física a partir de substâncias como o óxido de zinco e o dióxido de titânio que impedem que os raios solares cheguem na pele, refletindo-os. Alguns protetores solares unem as tecnologias químicas e físicas pra conseguir uma proteção eficaz de amplo espectro.

O fator de proteção solar (FPS)


O fator de proteção solar é medido pela capacidade de um protetor solar de prevenir que os raios UV causem algum dano para a pele. Demora cerca de 20 minutos para a pele desprotegida começar a ficar vermelha, então usar um protetor solar com FPS 15 teoricamente previne isso 15 vezes mais – cerca de 5 horas.

De acordo com a Skin Cancer Foundation (4):

Outro jeito de olhar em termos de percentagem: FPS 15 filtra cerca de 93% dos raios UVB. FPS 30 protege de cerca de 97% dos raios e FPS 50, 98%. Parecem diferenças irrisórias, mas se você é sensível à luz ou tem histórico de câncer, esses percentuais extra fazem bastante diferença. E, como você pode ver, nenhum protetor solar pode bloquear todos os raios UV. 
Mas existem problemas com o sistema de proteção FPS: Primeiro, nenhum protetor solar, independente do fator, é esperado a continuar efetivo por mais de duas horas sem reaplicação. Segundo, ficar com a pele vermelha é uma reação aos raios UVB sozinhos e nos diz pouco sobre os danos que sua pele ter tido causado pelos raios UVA. Muitos danos podem ser causados sem que o sintoma da queimadura aconteça (pele vermelha).

Obs: esse pedaço todo sobre FPS foi traduzido do Formula Botanica. (5)

Qual a diferença entre os raios solares


"De acordo com o comprimento de onda, os raios ultravioletas (raios UV) são classificados em raios UV-C (200- 290nm), em raios UV-B (290-320nm) e em raios UV-A (320-400nm). Os raios UV-B são carcinogênicos, e a sua ocorrência tem aumentado muito, progressivamente à destruição da camada de ozônio, o que tem permitido, inclusive, que raios UV-C alcancem mais a atmosfera terrestre, e estes são mais potencialmente carcinogênicos. Por sua vez, os raios UV-A independem daquela camada, e causam câncer de pele em quem se expõe a eles em horários de alta incidência, continuamente e ao longo de muitos anos. Os raios UV-A também contribuem para o início, ou piora das doenças ocasionadas pelo sol, são responsáveis pelo fotoenvelhecimento (aparecimento de manchas e rugas) e seus efeitos são cumulativos." (2)


Como funcionam os protetores solares químicos


Mais comuns no mercado, os protetores solares químicos funcionam depois de cerca de 20 min de ter sido passado na pele. Eles têm uma composição que mistura vários ingredientes para proteger tantos dos raios UVA quanto dos raios UVB. A SBD recomenda que se use uma colher de chá para o rosto e 3 colheres de sopa para o corpo não deixando nenhuma área desprotegida (1)(4), reaplicando a cada duas horas ou em caso de sudorese intensa ou contato com água. Ou seja, a cada mergulho no mar e na piscina, a cada secada com uma toalha, a cada duas horas deveríamos reaplicar o protetor solar para garantir a proteção esperada pelo FPS do produto.

Quais os problemas dos protetores solares químicos


Substâncias: A gente acaba questionando tudo o que dizem pra gente ser seguro, vocês bem sabem. Já falei por aqui várias vezes dos estudos que mostram que ingredientes comuns de cosméticos como parabenos e sulfatos são considerados alergênicos e cancerígenos. Por que com o protetor solar deveria ser diferente, né? 

Algumas substâncias comuns em protetores solares químicos algumas foram consideradas nesse estudo (3) potencialmente perigosas, como 3-(4-methylbenzylidene)-camphor (4-MBC), octyl-methoxycinnamate (OMC), octyl-dimethyl-PABA (OD-PABA), bexophenome-3 (Bp-3) e homosalate (HMS) (Krause, 2012; Schlumpf, 2001). Substâncias presentes nos protetores podem estar ligadas à câncer de mama, segundo outros estudos. (6) Aqui, nesse ponto, existem muitos e muitos estudos com muitos e muitos ingredientes considerados bem problemáticos na formulação dos protetores. 

Na questão sustentável, a maioria dos protetores solares comuns não são biodegradáveis e são bioacumulativos. Ou seja, eles permanecem na praia, na areia, na água etc. (9)

Uso: Como a gente falou ali em cima, um dos principais problemas é que as pessoas não usam o protetor solar segundo as especificações recomendadas (5) tanto dos fabricantes quanto da SBD, diminuindo sua proteção. Depois que como a gente viu no tópico sobre FPS, nenhum protetor solar protege 100% dos raios UV, então não devemos achar que protetor solar seja suficiente para proteger a pele de doenças como câncer nem que podemos pegar sol do meio-dia e nos considerarmos seguros.

Apesar de existirem alguns problemas, devemos lembrar que ainda assim os protetores solares químicos industrializados são produtos considerados importantes e existem muitos testes laboratoriais pela Anvisa e Inmetro (e organizações internacionais) que garante sua eficácia quanto a proteção solar (não quanto à formulação, nesse caso). Por isso, não estou dizendo que não se deva usar esses produtos. Dá pra procurar marcas que usem substâncias que sejam consideradas mais seguras e menos problemáticas que essas ali acima (e outras de outros estudos que a gente for pesquisar). 

Mas então quais protetores solares usar?


Existem muitas substâncias que atuam como fotoprotetores. Entre elas, o óxido de zinco e o dióxido de titânio são os ingredientes normalmente usados para protetores solares físicos e são considerados eficientes e seguros. Eles criam uma barreira física que reflete os raios e impede que eles cheguem na pele, protegendo. Também dá pra fugir dos protetores solares químicos pra quem quer uma proteção um pouco mais perto do natural possível.



Então eu posso fazer meu próprio protetor solar com óxido de zinco?


Não deveria.
Não mesmo, gente.

"1. Para ser efetivo, o protetor solar precisa defender contra raios UVA e UVB. Precisa ser de "amplo espectro". Para conseguir isso, várias combinações de filtros UV são utilizadas. Os filtros escolhidos devem ser:
- Propriamente solubilizados (o que geralmente é conseguido através de esteres, conhecidos por essa propriedade com uma fase oleosa suficientemente grande). Cristalização de filtros sólidos podem acontecer, o que reduz o FPS, a estabilidade e o sensorial da fórmula. Cosmetologistas fazem testes para garantir que não haverão recristalizações com o tempo.
- Não reagir com os outros ingredientes da fórmula.
- Serem foto estáveis (não degradarem com a luz).
- Estarem dentro dos limites legais.
- Estarem homogeneamente e igualmente dispersos na emulsão, a qual, especialmente para óxido de zinco, é muito desafiador mesmo usando o Silverson (homogeneizador usado em laboratório).
- Óxido de zinco também tende a migrar, aumentando assim o pH e formando complexos alcalinos de Zinco e aglomeração, resultando em uma redução significativa de FPS e em instabilidade.
- A proporção ideal de filtros UVA e UVB precisa ser escolhida para se obter um protetor solar de amplo espectro. 
2. Emulsionantes, agentes de consistência, emolientes, agentes formadores de filme vão afetar o FPS. Por isso precisam sem escolhidos com cuidado. Cosmetologistas precisam saber quais ingredientes em cada categoria dessas são apropriados para usar. Alem disso, alguns conservantes são desativados pelos filtros UV. 
3. É necessário a formação de um filme homogêneo sobre a pele para que o filtro UV seja efetivo, então, a camada aplicada e o tamanho da emulsão formada também afetam o FPS. 
4. Com todas as variantes acima, é impossível, mesmo para um especialista (químico/farmacêutico especializado em cosmetologia = cosmetológo) prever o valor do FPS final, já que ele é muito complexo. O produto precisa ser enviado para vários testes laboratoriais para que o FPS seja determinado. 
5. Protetor solar é classificado como medicamento nos EUA, e está sob regulação da FDA. Complementando: aqui no Brasil, protetor solar é classificado como cosmético de grau II, e é fortemente regulamentado."

Todas essas informações acima foram escritas pela cosmetóloga Jane Barber e traduzidas pela Ane do Cosmetologia Orgânica. Dá pra entender que fazer um protetor solar estável do ponto de vista técnico é bastante difícil. Caseiro então, impossível. Resumindo:
  • Óleos vegetais não são estáveis na luz. (7)
  • Óxido de zinco costuma ser bastante instável e precisa de muitos estudos pra que a mistura fique estável e permaneça assim depois de o cosmético ser aberto, em uso, etc.
  • Um protetor solar físico precisa criar uma camada homogênea para garantir a proteção e uma mistura caseira não consegue garantir isso do ponto de vista técnico, apesar de talvez visualmente parecer tudo ok.
  • Uma mistura caseira não tem estabilidade nem eficácia testada (lembrando que teste é teste em laboratório, não a experiência pessoal de ir à praia e não ficar vermelho, mesmo porque já falamos antes que nem só o vermelho é indicador de danos à pele). Mesmo que uma pessoa faça uma mistura e teste, é bastante difícil fazer isso em casa. Mesmo assim, quem reproduzisse essa receita deveria fazer nas mesma condições e com os mesmos equipamentos, coisas que não acontecem em coisas artesanais e caseiras.
  • Além disso, existem vários tipos de pele e só dá para saber se a mistura é eficaz em todas as peles e situações depois de vários testes em laboratório.

Apesar de existirem algumas imagens que mostram o suposto FPS dos óleos circulando na internet, não é bem assim que funciona. Alguns óleos vegetais têm FPS (10) mas não existem testes sobre o quanto esse FPS é real quando passado na pele, fora que não usamos óleo vegetal puro, quanto tempo esse FPS dura já que óleos vegetais são fotossensíveis. Nesse link (7) fala mais especificamente sobre isso, mostrando os estudos porque não é bem assim. É mais perigoso ainda receitas que tenham óleos essenciais em sua composição, já que muitos podem causar queimaduras e grandes problemas na pele se passados diretamente, expostos ao sol, etc, principalmente quando a receita diz "gotas do óleo essencial da sua preferência". Primeiro porque nesse caso não se mede em gotas, deveria se medir em peso pra ter um percentual de proporção da fórmula total e depois porque nem todo mundo sabe quais óleos essenciais podem causar queimaduras.

Por tudo isso eu não recomendo ninguém a 1) fazer uma mistura caseira para proteção solar e 2) comprar um protetor solar artesanal, não industrializado. Não tenho como impedir que você faça isso se você acredita que uma mistura caseira é suficiente. O que eu posso fazer é esse post gigantesco que pontua os motivos pelos quais acho isso bastante perigoso.

Mas como me protejo do sol então?


Se proteger do sol é uma tarefa que não envolve só um esforço. Então:
  • Não pegue sol das 10h às 16h se for possível. Fuja, fique na sombra, acorde cedo pra ir pra praia, mas não pegue sol nesse período porque ele é o mais nocivo. Eu, particularmente, fujo. Eu não pego sol nesse horário de jeito nenhum, nenhum mesmo.
  • Quando for pegar sol, use chapéu, óculos de sol com FPS, roupas compridas, panos, tendas e guarda-sol (pra esse último, tecidos preferencialmente de algodão que protege 50% dos raios UV comparado com sintéticos que deixam passar 95% dos raios) (1).
  • Quando for ficar muito tempo no sol (praia, piscina, etc), passe protetor solar a cada duas horas ou toda vez que se molhar, suar muito ou se secar na toalha. Use a medida de uma colher de chá para o rosto e três colheres de sopa para o corpo.
Sim, tudo ao mesmo tempo. A gente viu que o FPS dos protetores não chega em 100%, precisa usar chapéu e óculos, precisa evitar o sol forte das 10h às 16h.

Que protetores solares são seguros?


  • Protetores solares químicos tem garantia de proteção solar, regulamentada pelos órgãos responsáveis sobre isso. Se for sua única opção (já que os outros são bem mais caros), compre e use um protetor solar comum quando for se expor ao sol por longos períodos.
  • Alguns protetores solares químicos têm formulações com substâncias menos problemáticas, como o Mustela Infantil FPS 50. É um protetor solar voltado para bebês, com uma formulação que tem alguns ingredientes naturais, os fotoprotetores não são os citados naqueles estudos acima e tem dióxido de titânio.
  • Protetores solares físicos que usem como fotoprotetores o óxido de zinco e ou o dióxido de titânio. Precisam ser versões industrializadas para serem consideradas seguras, com regulamentação da Anvisa e farmacêutico responsável. Tem da Adcos FPS 50, que também é vegano e cruelty free.
  • Nesse post do Modefica que também fala da diferença sobre protetor solar químico e físico tem esse link pra quem for aos EUA com mais opções de marcas orgânicas e filtros físicos.
  • A Nyle Ferrari do Lookaholic tá preparando um super guia de protetores solares, analisando fórmula por fórmula. Quando tiver online, linkarei aqui.

Fontes consultadas:
(1) Sociedade Brasileira de Dermatologia, Câncer da Pele, acesso em: http://www.sbd.org.br/doenca/cancer-da-pele/ 
(3) Chemicals and Radiation Linked to Breast Cancer, Breast Cancer Fund, acesso em: http://www.breastcancerfund.org/clear-science/radiation-chemicals-and-breast-cancer/sunscreens-uv-filters.html
(4) Sunscreens explained, em Skin Cancer Foundation, acesso em: http://www.skincancer.org/prevention/sun-protection/sunscreen/sunscreens-explained
(5) Sunbathers' application of sunscreen is probably inadequate to obtain the sun protection factor assigned to the preparation, acesso em: http://europepmc.org/abstract/med/1343224
(6) Exposure to Chemicals in Sunscreen acesso em: http://www.breastcancer.org/risk/factors/sunscreen
(7) Why you should not use coconut oil as a sunscreen, acesso em https://formulabotanica.com/not-use-coconut-oil-sunscreen/
(8) Infográfico da The Cosmetic, Toiletry & Perfumary Association sobre como é o processo de fabricação de protetores solares, acesso em: http://www.thefactsabout.co.uk/document.aspx?fileid=2346
(9) Sunscreen Chemical Threatens Coral Reefs, acesso em: http://oceanservice.noaa.gov/news/feb14/sunscreen.html
(10) UV-blocking potential of oils and juices, acesso em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26610885
Sabonetes da Trópica Botânica, de Curitiba
Listei nesse post todas as marcas que conheço pelo Brasil de xampus sólidos e sabonetes artesanais naturais. A maioria dá pra comprar online e, se você morar na cidade da pessoa que produz, pode combinar de ir buscar e não precisar gerar o lixinho da embalagem. ;) Sempre digo que uma das melhores coisas de comprar de quem faz é essa possibilidade de conversar, pedir o produto sem embalagem, customizar e coisas que a gente não consegue em mercados e com grandes empresas.

Sabonetes artesanais são melhores por causa das embalagens, caso você consiga comprar sem, mas também por causa da sua composição. Não tem derivados de petróleo, parabenos como conservantes, lauril sulfato de sódio que é um detergente agressivo e alergênico, são biodegradáveis (de verdade) e são veganos (se forem feitos só com óleos e manteigas vegetais, como é o caso de quase todos, mas vale conferir).

No lugar desses ingredientes que causam alergias, que ressecam a pele e poluem o meio ambiente, os sabonetes artesanais são feitos com óleos e manteigas vegetais de altíssima qualidade saponificados, óleos essenciais com propriedades terapêuticas e fim. Algumas receitas tem outros ingredientes pra adicionar funções como esfoliação, aí depende de cada barrinha. :)

A mesma coisa funciona pros xampus sólidos artesanais. Com a vantagem ainda de que cada barrinha dura muito mais tempo que um xampu líquido convencional. Eles não ressecam o cabelo, limpam naturalmente e vão mudar a sua vida! Hehe. Clica aqui pra ver o post sobre rotina natural de pra lavar os cabelos.

Aloe Saboaria
São Paulo - SP
Sabonetes. Venda por email.

BATHS Fresh Made Soaps and Cosmetics
Santana de Parnaíba - SP
Sabonetes e coisas para o cabelo. Loja virtual.

Boa Saboaria Artesanal
São Paulo - SP
Sabonetes e xampu sólido. Loja virtual.

Ewé Alquimias
Salvador - BA
Sabonetes, xampu sólido e condicionador natural. Loja virtual.

Fefa Pimenta
Rio de Janeiro - RJ
Sabonetes, xampu sólido e bálsamos. Loja virtual.

Barrinhas especiais da Fefa Pimenta

Posso falar da Fefa porque conheço a própria Fefa e porque já usei os produtos. São maravilhosos mesmo e não é só porque a Yasmin Brunet indicou não! Haha. Acho que é uma das marcas mais conhecidas porque o preço é justo, os xampus são de altíssima qualidade e a Fefa é uma querida. Sabonetes e xampus são feitos usando o cold process, matérias de qualidade e amor. :) Também tem perfume botânico, bálsamos, óleos vegetais. Dá pra combinar pra entregar no Rio!

Frez Sabonetes
São Paulo - SP
Sabonetes, xampu sólido e outros produtos. Loja virtual

Lá do Mato Saboaria Artesanal
São Paulo - SP
Sabonetes e sais de banho. Loja virtual.

Nativa Saboaria Artesanal
Jacaraípe - ES
Sabonetes, xampu sólido e outros produtos. Loja virtual.

Sabon Sabon
São Paulo - SP
Sabonetes. Venda por email.

Sachi
Tibau do Sul - RN
Sabonetes e outros cosméticos naturais. Loja virtual.

Santo Sabão
São Paulo - SP
Sabonetes, xampu sólido e workshops e apostilas de cosmética natural. Loja virtual.

Sementes de Gaia
São José dos Campos - SP
Sabonetes e xampu sólido. Loja virtual.

Trópica Botânica
Curitiba - PR
Sabonetes, xampu sólido e outros produtos. Loja virtual.

Sabonete de castanha do pará e palmarosa, da Trópica Botânica
Posso falar da Trópica porque já comprei dois sabonetes deles, o de castanha do pará + palmarosa e o de macadâmia + manjericão. Adorei o de palmarosa, achei bastante hidratante e o cheiro é super gostoso. Comecei a usar no cabelo também (muitos sabonetes artesanais tipo cold process podem ser usados no cabelo) e achei ótimo.

Unevie Saboaria
São Paulo - SP
Sabonetes, xampu sólido e outros produtos. Loja virtual.

Yamuna Artesanal
Florianópolis - SC
Sabonetes artesanais, óleos corporais e outros produtos. Loja virtual.



A Yamuna foi a primeira marca de sabonetes artesanais que usei e, olha, comecei com o pé direito. Um sabonete de lavanda que tinha pedacinhos da flor dentro, lindo e cheiroso demais. E um sabonete incrível que vinha com um pau de canela dentro! Como eles são da mesma cidade que eu, são sempre minha prioridade de compra pra evitar embalagem de correios e outros lixos. :)

Essa é a lista definitiva porém não definitiva. A ideia é que a gente vá adicionando outras marcas que surgirem aqui. É só comentar aqui embaixo.

Adendo: ser artesanal não significa ser natural. Muita gente faz sabonetes usando bases glicerinadas prontas, por exemplo, que tem parabenos, muitas vezes nem são veganas, vários etc. É legal sempre investigar quem produz e ver a lista de ingredientes.





Sabe aquele tanto de livros e filmes sobre sustentabilidade que a gente escuta falar por aí que existem, mas que nunca lembra de assistir? Eu também sofro desse mal. Sempre esqueço, nunca acho que é hora de assistir umas porradas, vou adiando e quando vejo não vi nada.

Mas eu acho super importante ver novas perspectivas, discursos, estudos sobre assuntos que questiono tanto, como o lixo. Por isso, pensei em criar um clube do livro e de filmes pra discutir com todo o pessoal lá no grupo do UASL no Facebook.



Vai funcionar assim:
  • Vou fazer uma lista de títulos bacanas e deixar em um documento que todo mundo pode editar e adicionar sugestões lá no grupo.
  • A cada 15 dias, seleciono 2 títulos e fazemos uma votação. O que ganhar, é o próximo a ser assistido. Temos 15 dias pra assistir e o tópico no grupo já vai sendo criado com links do filme, dicas de onde encontrar o livro, links pra posts de assuntos relacionados, etc.
  • Quando terminar a discussão (ou não, rs) eu me proponho a fazer um textinho falando sobre aquele aspecto aqui pro blog (e talvez pra newsletter).
  • Começa tudo de novo. :)
  • Quando tiver livro, o prazo é 30 dias pra terminar a leitura.

Curtiu? Quer participar também? Entra lá no grupo que a enquete pro primeiro filme já está rolando e as outras informações também. Depois volto aqui pro blog pra fazer uma página com todas as informações e links dos filmes que já assistimos, dos textos que já rolaram e tudo mais. :)
Desde o comecinho do Um Ano Sem Lixo, eu tenho pensado e repensado tudo o que foi ensinado pra gente como normal. Dos descartáveis que a gente usa por segundos aos cosméticos cheios de ingredientes que a gente mal consegue falar. Minha dieta, minhas vontades de compras, as coisas que significavam felicidade ou não. E aí que, cada vez mais, datas como o Natal mudaram muito pra mim.

Desde ano passado, quando eu falei de presentes diferentes que a gente pode dar de presente no Natal, minha maior vontade é dar coisas especiais pras pessoas queridas. Não que eu ache que a gente precise dar presentes no Natal, inclusive. Mas pras pessoas mais próximas como mãe, pai, irmãos, namorado, melhores amigos, sempre acho legal esse momento de carinho.

Imagem via

Foi aí que eu decidi que esse ano eu não vou comprar presentes pra ninguém, todos os presentes que eu der nesse Natal vão ser feitos por mim. A ideia começou com a ideia do presente pro meu namorado há meses atrás (#canceriana, meu jeitinho) e resolvi estender pras outras pessoas. Pode ser uma playlist, uma comida gostosa, um cosmético feito em casa, algo costurado, um livro que tenho e é muito incrível e decidi passar pra frente. Sei que vai ser um presente pensado pra pessoa de verdade, com significado verdadeiro que veio do meu sentimento por ela.

Primeiro porque é tão bom fazer as coisas. Me sinto sempre muito feliz, capaz e importante quando termino um projeto, por mais simples que ele seja. Depois porque assim eu posso reutilizar embalagens que já tenho em casa, fazer produtos customizados e únicos, dar coisas naturais pra quem talvez não use coisas naturais ainda.

Então quero estender esse convite pra quem também quiser participar desse movimento: vamos fazer os presentes de Natal pras pessoas queridas? :) Ah, mas se você não conseguir ou não souber fazer tudo, também vale pensar em comprar direto de quem faz ou pedir pra alguém fazer e trocar os presentes. Assim a gente consome consciente de verdade, reduzindo as compras por impulso, os futuros-lixos na casa dos outros, o lixo em embalagens, pacotes de presente.

Pra ler mais:
- Dicas de presentes zero lixo pra um Natal mais feliz
- Dicas de não-presentes para um Natal mais feliz
Há um tempo atrás, quando a gente falava de roupa usada de brechó, o que vinha na cabeça era uma roupa ruim, fedida e muuuito usada. Tô errada? Talvez você ainda veja isso na sua cabeça. É que é difícil mesmo mudar uma ideia que a gente ouve tanto. Mas você talvez já pense em peças baratas, porém em bom estado como no caso do Enjoei ou peças vintage incríveis como no caso de muitos brechós legais por aí.


E o Garimpário é assim: um brechó legal com peças usadas, mas novinhas e alguns achados vintage. Esse projeto foi criado por três amigos, a Jaqueline Scissar, o Renato Kormives e a Emanuele Lazzari. Foi durante a faculdade de moda que eles começaram com a ideia de vender as próprias roupas que não usavam mais, que logo viraram as suas roupas + as roupas de amigos + alguns garimpos de brechós.

Era um projeto paralelo e bem diferente, um brechó online sem cara de vó, com cara de jovem. Hoje em dia, a kombi Antônia é parceira pra levar as peças do brechó pra outras cidades, participando de feiras. Mas pra saber mais, fui falar com a Jaque e o resultado foi essa super entrevista:

1. Quando surgiu a ideia de fazer um brechó online?


A ideia surgiu durante a faculdade, em 2012. Além de sermos super amigos, nós três sempre fomos apaixonados por brechós, e decidimos tornar esse amor em negócio. No início a intenção era nos desfazermos das roupas que a gente tinha e que não queríamos mais, viajamos muito juntos e fazia parte dos nossos roteiros conhecer os brechós das cidades que visitamos. Com isso acabamos acumulando muita coisa e sentimos a necessidade de começar a desapegar delas. Como tínhamos vários amigos querendo desapegar de muita coisa também, começamos o site com essas peças, e depois partimos pra buscar peças exclusivas pro Garimpário.

2. Em que momento vocês pensaram em comprar uma kombi e transformar o brechó em um evento itinerante também? Vocês já faziam isso antes só que com outros carros?

Antes da Kombi nós já havíamos participado de alguns eventos em Florianópolis. A gente sabia que existia mercado pro Garimpário em feiras, mas como trabalhamos com peças exclusivas, a quantidade de produtos que tínhamos que levar pra cada lugar era muito grande, ficando impossível viajar pra montarmos stands em outras cidades. Além disso era muito cansativo pra gente, sempre com muita coisa pra carregar no carro, montar nosso espaço, desmontar, encabidar peças, desencabidar, tudo começava do zero, não tínhamos estrutura nenhuma pra de alguma forma agilizar o processo no dia dos eventos.


A Kombi foi um projeto meu paralelo, mas que desde o início entrou como parceiro do Garimpário. Comprei ela justamente pra poder viajar com as peças e participar de feiras em outras cidades e estados. Na verdade a Kombi serviu pra unir minha vontade em viajar com o que gosto de trabalhar. Vi a Kombi como uma oportunidade de mudar aos poucos meu estilo de vida e conseguir conciliar trabalho com a forma que quero viver. O Garimpário foi então um passaporte pra essa mudança, que tornou possível ver ela na estrada em tão pouco tempo.

3. Vocês quiseram trabalhar com roupas usadas por algum motivo especial?

Primeiramente amamos os diferentes estilos de roupas que podemos encontrar em brechós. A varidade é muito grande, as peças são exclusivas, diferenciadas e com preço pra todos os bolsos. Também acreditamos no reaproveitamento de peças como forma de evitar uma produção desenfreada de peças que acabam tendo sempre o mesmo destino: o lixo. Além de encontrar uma utilidade pro que iria ser descartado, reduzindo a quantidade de lixo, também devemos lembrar da poluição que a indústria da moda causa.

O impacto gerado ao meio ambiente é muito grande na produção de vestuário, com um gasto gigantesco de água e uma quantidade enorme de resíduos descartados de maneira incorreta, sem contar o alto consumo de energia elétrica durante o processo. Se ainda nos aprofundarmos um pouco mais no assunto também nos deparamos com uma questão social, onde hoje muitas peças de moda provêm de trabalho escravo. De todas as formas, vemos que trabalhar com peças usadas traz vários benefícios, nos permitindo trabalhar com o consumo consciente aliado a sustentabilidade.


4. Vocês mudaram a percepção sobre o mundo da moda depois de começar esse projeto? O que vocês descobriram e passaram a questionar?

Com certeza, nossa percepção de sustentabilidade mudou completamente. Passamos a enxergar todos os malefícios causados pela indústria da moda e os problemas gerados pelo consumo e descarte desenfreado de peças. Temos cada vez mais convicção de que brechós representam o futuro no que diz respeito à moda consciente.

5. Hoje em dia, no seu guarda-roupa tem mais roupa de 2ª mão que roupa que foi comprada nova na loja?

Sim, hoje quase não compro peças novas em lojas, sempre dou prioridade para encontrar o que preciso em brechós.


6. Conta mais do projeto: onde vocês já passaram; onde dá pra acompanhar o itinerário da kombi; onde compra; como é o processo com as roupas, etc.

Hoje vendemos online para todo o Brasil pelo nosso site, e pessoalmente em eventos com a Kombi. Além das feiras que participamos em Florianópolis já passamos por Blumenau, Balneário Camboriú e Porto Alegre. Para acompanhar o itinerário da kombi e os eventos que participamos basta seguir e ficar de olho na nossa página do facebook. Estamos viajando cada vez mais, e já posso adiantar que nos nossos planos de verão pretendemos levar a Antônia pro nordeste.

Com relação ao que vendemos, pra termos peças incríveis na nossa loja nós garimpamos os brechós durante nossas viagens (algumas fora do Brasil), com um cuidado especial pra deixarmos elas como novas. Lavamos, higienizamos, consertamos, customizamos, tudo pra que o produto chegue no cliente em perfeito estado. Também compramos peças de pessoas que entram em contato com a gente, então o fluxo de novidades que temos acaba sendo bem grande.



Vamos falar de menstruação.

Os absorventes descartáveis foram um dos responsáveis pela liberdade atual das mulheres. Antes e até hoje em dia, em outros países, mulheres e meninas sofrem com os dias que estão menstruadas porque não possuem um produto adequado que recolha o sangue, não deixe a roupa suja e não impeça de fazer as atividades normais. Foi por causa das "fraldinhas" (os absorventes normais) e dos absorventes internos que a gente passou a ignorar os dias de Chico e continuamos trabalhando, indo pra praia, pra natação, pra escola e até fazendo sexo.

Foi um passo pra liberdade. Mas os absorventes da liberdade não são recicláveis. Eles são compostos de plástico, algodão quimicamente tratado, embalagem, papel, adesivo, às vezes aplicador, papelzinho, embalagem individual e etc. Em cada ciclo menstrual, a gente usa mais ou menos 10 absorventes. Ou seja, 120 absorventes por ano. Hoje em dia a gente tem cerca de 400 ciclos ao longo da vida, ou seja, 4 MIL absorventes jogados fora que ficarão 100 anos ou mais até se decompor!

Agora que a gente já chegou aqui e não quer perder nossa liberdade, temos duas opções para não continuar produzindo lixo: coletores menstruais de silicone ou absorventes reutilizáveis de algodão.

Um coletor de silicone custa em média uns R$75, o que dá mais ou menos 6 ou 7 meses comprando absorventes. E ele pode ser usado por vários anos (dizem que até 10, mas tudo depende de como você cuida dele), ou seja, compensa.

Já o absorventes reutilizáveis de algodão são absorventes iguais aos descartáveis, feitos de tecido. Você usa com a mesma frequência e do mesmo jeito. Para lavar os absorventes de algodão, é bom deixar de molho com bicarbonato de sódio e colocar gotas de óleo essencial de melaleuca (tea tree) que ajuda a desinfetar. Sem neura, joga na máquina que ela faz tudo hoje em dia. ;)

O coletor é o mais diferente pra maioria de nós. Surgem muitos pontos de interrogação quando você vê a fotinho dele e pensa "será que isso é mesmo maravilhoso?". Pois sim, é. Você pode ficar de 8 a 12h usando ele, bem mais tempo que um OB (cerca de 4h) e sem medo de ter uma síndrome rara (vocês já leram as instruções de um absorvente interno e viram que você pode ter síndrome rara?).

Você não produz lixo. Você não coloca um algodão quimicamente tratado dentro do seu corpo. Você esquece que está menstruada. Você não deixa um algodão absorver não só sua menstruação como todas as outras coisas que são boas para sua saúde íntima. Você pode dormir com ele!

Depois de quase um ano e meio usando o coletor, eu voltei aqui pra dizer que ele é realmente tudo isso que eu achava que ele era. É prático, eu realmente esqueço que tô menstruada, é higiênico, dá pra fazer yoga e andar de bike sem se preocupar, vaza muito menos que os absorventes "normais", é super mais barato já que faz quase um ano que ele se pagou.

O coletor menstrual mudou muito minha percepção do meu ciclo e achei isso muito empoderador. Eu não fazia ideia do volume ou da textura da menstruação, hoje eu sei. E é importante saber, pra que cada mudança que a gente perceba, a gente saiba falar pro médico. Conversei com várias amigas sobre o assunto e a maioria que começou a usar, não pensa em deixar de usar jamais.

Se você não se convenceu ainda, vê esse vídeo da Jout Jout:



Outras dúvidas que sempre me perguntam e que eu também tinha:

- É desconfortável?
Não. Você não sente nada, assim como um OB.

- Não é nojento?
Bem, é sua menstruação. É um pouco, ok. Mas você joga no vaso, lava na pia e coloca de novo. Nada de espetacular nisso tudo.

- É difícil de acertar a posição para colocar?
Eu achei tranquilo porque segui a instrução das marcas e de quem usa que é não enfiar para cima, mas para trás. Na dúvida, usa um outro absorvente na calcinha nas primeiras vezes que você colocar pra se sentir mais segura. E o vídeo da Jout Jout ajuda muito.

- Como fazer pra tirar e limpar se ficar mais de 12h fora de casa?
Você pode levar uma garrafinha d'água e lavar o coletor ali mesmo na cabine do vaso. Nunca fiz, mas esse é meu plano caso precise. Escolha um banheiro teoricamente mais limpinho, tipo os de shopping ao invés de um de buteco. E lave a mão ANTES de ir fazer isso.

- Qual o jeito certo de higienizar o coletor menstrual?
Ferver por 5 minutos sempre antes e depois de cada ciclo. Além disso, durante as limpezas do dia, é bom lavar com bastante água e um pouquinho de sabão.

- Como eu sei que vai ser o tamanho certo?
Depende da marca, mas quase todas têm pelo menos 2 tamanhos. A Holy Cup tem mais tamanhos e também opções mais maleáveis ou rígidas do silicone. É legal ver as recomendações de todas as marcas, conversar com quem tem pra se decidir. Eu uso o da Inciclo, que foi o primeiro que vi e comprei. Mas preferia ter comprado um que, no cabinho, não fosse vazado. O da Holy Cup parece mais confortável porque é uma bolinha. Eu tive que cortar um pedacinho do cabo pra me adaptar.

- O coletor não tem chance de se perder lá dentro?
Não, porque ele fica logo na entrada do canal vaginal. É diferente do OB que precisa ser enfiado lááá em cima. O coletor fica bem mais pra baixo (tem que dar pra tirar com a mão, né?). E, além disso, ele cria um vácuo pra ficar no lugar (e não vazar).

Se vocês tiverem mais dúvidas, me mandem que responderei pra vocês e aqui :)

Para comprar:
- Holy Cup
- Inciclo
- Meluna
- Mooncup
- Absorventes de pano
Passei a vida inteira querendo um desodorante que funcionasse direito. Sério. Não nasci com a graça de ter pouco cheiro nas axilas e vivia incomodada com a sensação de que aqueles desodorantes simplesmente não funcionavam. Os aerosóis me dão alergia. O roll-on parece que gruda na roupa para nunca mais sair. Detestava os cheiros e os sem cheiros pareciam não existir e nem funcionar. E pra coroar, todos eles tinham alumínio e outros químicos potencialmente nocivos na sua composição. A busca por um desodorante natural continuava.

Mas por quê se preocupar com o alumínio? Estudos já mostraram que ele pode estar ligado a doenças como o Mal de Ahlzheimer ou câncer de mama. Por isso, evito ao máximo.

Desde que comecei o blog, testei muitas opções e resolvi listar elas aqui, porque são muitas que funcionam e são muito mais naturais!

Bicarbonato de sódio – R$2

Lembrei que um amigo já tinha me falado de usar bicarbonato de sódio como desodorante e ta aí o melhor desodorante que já usei! É só pegar um pouquinho e passar na axila com a mão. Também dá pra usar um pincel de maquiagem gorducho pra depositar o bicarbonato na axila. Você vai suar mais, claro, já que não é antitranspirante como os normais. É um sal com poder bactericida que combate as bactérias que produzem o mau cheiro ali. Além disso, um potinho custa cerca de R$1,50 e vai durar uns 2 ou 3 meses. Diferente dos desodorantes normais que custam mais de R$10 e acabam em menos de um mês.

Vale testar e ver se você não tem alergia ou alguma reação. Muitas pessoas falaram lá no grupo do Facebook do UASL que tiveram reação ao bicarbonato de sódio, várias amigas minhas vieram contar que não deu certo. Por isso: testa e no menor sinal de arder, lava bastante e suspende o uso! Mas calma que não acabaram suas opções.

Teo e Aromaco, da Lush  – R$49


Os desodorantes da Lush, o Teo e o Aromaco, também são a base de bicarbonato de sódio (portanto, faça o teste se você tem alergia antes de comprar um deles). Uso o Teo desde sempre, dura muito (uns 6 meses) e funciona super bem! É meu desodorante favorito! :)  Ele parece uma barra de bicarbonato comprimida com cheiro bem forte de limão. Quando você passa ele dá uma esfareladinha. Ele custa R$49. :(
O Aromaco tem uma textura mais pra um sabonete ou um desodorante desses de stick e também funciona super bem. Custa R$48,10 por 100g (que também dura vários meses). Esse meu corpinho não gostou muito, não durou tanto tempo o poder desodorante. E o cheiro me incomodou, é de patchouli e bem forte (pra mim).

Os dois são vendidos em barra (só um papelzinho de embalagem) e precisam ser guardados em uma latinha longe da umidade. Ou seja, se você levar sua latinha na loja e não comprar embalagem nenhuma! :)

Crystal Stick – R$35

Só ouvi elogios do desodorante Crystal Stick que tem as versões em barra, roll-on e spray. Ele é feito de um mineral antisséptico que cria um ambiente alcalino impróprio pras bactérias que causam o cheiro. A barra de 120g custa em média R$35 e dura cerca de um ano (de acordo com os sites que vendem). Pena que vem numa super embalagem de plástico e parece que também tem alumínio. Além disso, rola uma polêmica sobre essa pedra ser extraída de forma danosa ao meio ambiente e/ou sua produção ser punk também. Por isso tudo prefiro evitar, apesar de citar aqui.

Desodorante natural de Aloe Vera, da Live Aloe – R$25


Testei esse desodorante da Live Aloe porque ganhei da marca e achei muito bom no começo! O cheiro é super maravilhoso, bem fresquinho por causa da mistura de óleos essenciais. Mas, depois de um tempo, percebi que não segurava muito bem o fator desodorante não. Ele é uma mistura de gel de aloe vera, óleos essenciais e álcool. Por isso, quem tem sensibilidade a álcool melhor evitar essa opção.

Ele é em spray e também dura bastante! Como usei poucas vezes, ainda tem mesmo depois de um ano, olha só! Mas um ponto bastante negativo é que percebi que ele manchou várias roupas claras de amarelado/verde.

Leite de Magnésia – R$7,5

Pra quem tem alergia ao bicarbonato, o mundo vai ser salvo usando leite de magnésia como desodorante! É só passar puro nas axilas ou diluir e colocar em um potinho spray. Tem quem reutilize embalagem de roll-on tirando a bolinha, enchendo o potinho de leite de magnésia e voilá! :)

A partir de agora, nada de desodorante com alumínio! Individualmente as opções que mostrei aqui parecem muito mais caras que os desodorantes normais. Mas, eles duram muito mais. Se você compra 1 aerosol por mês, gasta cerca de R$144 por ano em desodorante. Estimando que os da Lush duram cerca de 6 meses, você vai gastar cerca de R$98 por ano. Com o Crystal Stick, uma barra de 120g dura 2 anos e custa R$35. E a opção mais barata é bicarbonato puro, vai custar uns R$9 no ano! O leite de magnésia é super baratinho também, só R$7,50 pra uns meses! ;)

Pra ler mais:
- Receita pra fazer em casa um desodorante natural com óleo de coco e bicarbonato de sódio!
Várias pessoas me perguntavam o que eu fazia (ou faria) com o algodão pra tirar a maquiagem. Como eu não sou uma pessoa que segue lá muitas rotinas de beleza (hehe), nunca tinha pensado em um substituto que não produzisse lixo até que um dia vi no blog The Midnight Blog (que não existe mais, chateadíssima!) um post sobre os discos retutilizáveis de algodão que ela usava pra tirar maquiagem e outras coisas de rosto. Foi um momento "meu deus, que coisa genial, simples e... por que eu nunca pensei nisso antes?". A partir daí, passei a sugerir essa ideia pra todo mundo que me perguntava: fazer discos de algodão, usar toalhas mais velhinhas, etc.

Depois, como eu estava fazendo várias coisas da vida com a Letícia queridíssima da Amora Handmade, que faz trabalhos em tricô e crochê, pensei que podia ser uma boa fazer alguma coisa com essa técnica pra essa função. Falando com ela, pensamos que disquinhos de crochê podiam ser uma boa alternativa e foi aí que surgiu essa ideia:


Então, ao invés de usar as bolinhas de algodão quimicamente tratado, transgênico, poluente e que vira lixo de banheiro e vai para os aterros sanitários (um combo de coisas ruins!), a gente pode trocar isso tudo por uma solução simples: discos reutilizáveis de algodão:

– São super baratos pra fazer, você pode usar toalhas velhinhas, cortar e reutilizar esse tecido. Ou fazer os discos de crochê, só precisa de uma agulha, um tutorial simples e linha feita de 100% algodão (de preferência, orgânico).

– São super macios, apesar de todo mundo perguntar se não são muito ásperos. E não tem problema usar toalha não, só não pode esfregar como se não houvesse amanhã.

– A textura do crochê inclusive ajuda a tirar melhor a maquiagem, principalmente dos olhos. É muito bom, mesmo!

– Os discos provavelmente vão ficar manchados da maquiagem, mas ninguém vai morrer não é mesmo? :)

– Além de tirar a maquiagem, você pode usar eles para: passar tônico, máscaras, esfoliantes, etc.

Pra ler mais:
- Sobre o documentário True Cost, que fala sobre moda (e também sobre algodão)
- Transgênicos na moda também tem (sobre algodão transgênico)


Foto: Eliziane Pozzagnolo

Criar o Um Ano Sem Lixo fez uma coisa muito legal na minha vida: a união de pessoas incríveis ao meu redor. Pessoas que surgiam mandando mensagens se dizendo super impactadas (não sei ainda medir minha felicidade por isso), pessoas que tem marcas maravilhosas (alô Fefa Pimenta), pessoas que tem blogs e sites maravilhosos com muito conteúdo incrível vocês-têm-que-ler (Modefica e Nyle Ferrari ♡).

E foi assim que a Eliziane Pozzagnolo chegou na minha vida! Ela criou um projeto muito legal, que chama Cosmetologia Orgânica e é um projeto de educação na área de cosméticos naturais. Ela é farmacêutica e bioquímica e foi por isso que convidei ela pra vir aqui falar sobre cuidados básicos pra fazer seu cosmético em casa. Imprime, lê com calma, cola na geladeira: é informação essencial (muita coisa que eu também não sabia) pra nossos cosméticos naturais serem mais eficientes e duradouros:

Das atitudes ecológicas mais eficientes envolvendo rituais de beleza, criar seu cosmético natural em casa é uma das mais impactantes. Além do uso de substâncias biodegradáveis na formulação, o meio ambiente se beneficia especialmente através do reaproveitamento de embalagens e do consumo consciente. Para obter melhores resultados e evitar desperdício, basta aliar algumas técnicas básicas de manipulação a boas fontes de pesquisa.

Foto: Eliziane Pozzagnolo

Evitando a contaminação

O passo mais importante para quem faz seu cosmético em casa é evitar contaminação. Ainda que você esteja criando um produto de uso único, alguns cuidados simples devem ser tomados.

O primeiro passo é limpar todos os utensílios e a bancada de trabalho com uma solução de álcool 70, que pode ser feita por você mesmo rapidamente e estocada para usos futuros. É importante que você lave bem as mãos e, se possível, use máscara e luvas reutilizáveis pois fungos e bactérias presentes no ambiente podem crescer rapidamente em condições favoráveis, arruinando seu produto e oferecendo riscos à sua saúde.

A hora da criação é muito importante, mas saiba que em qualquer cosmético, a maior incidência de contaminação ocorre na hora do uso, especialmente ao se inserir água através de mãos molhadas em cremes, séruns e óleos. Para que isso não aconteça, evite o contato das mãos diretamente dentro da embalagem, reutilize espátulas ou colheres para tirar a porção desejada, lavando e secando-as na hora de utilizar, e também após. Usar embalagens com válvulas também pode ajudar muito, já que você não entra em contato com o produto e nem ele com o ar.

Outro fator para evitar contaminação, é fazer sempre pequenas quantidades, já que o produto fica exposto por menos tempo ao ambiente e ao uso diário.


Embalagens

O cuidado com o frasco utilizado para guardar o cosmético é de grande importância, já que calor e luz podem desestabilizar, rancificar e destruir as propriedades benéficas do seu cosmético. Sempre que possível, dê preferência ao vidro âmbar, reutilizando alguma embalagem que você já tenha em casa ou procurando-as em farmácias de manipulação. Além de ecológico, o vidro é o melhor material a ser reutilizado para cosméticos, pois ao contrário do plástico, não absorve o produto armazenado. É só lavar bem, passar a solução de álcool 70, esperar secar naturalmente e usar novamente.

A outra ideia chave no quesito embalagem é procurar uma opção que impeça o contato do produto com o ar e que forneça a porção do cosmético sem necessidade de contato das mãos com a porção que permanecerá no frasco. Para cosméticos menos consistentes, um tipo de frasco interessante é aquele que tem uma válvula de apertar para dispensar o produto, conhecido como Pump Up. Ele evita o contato do produto com o ar e a contaminação na hora de usar. Para seu cosmético líquido, priorize um frasco spray ou então um conta-gotas.

Ao usar frascos leitosos que não permitam ver o produto através da embalagem, abra de vez quando para ver se o cosmético continua normal, observando a aparência e o cheiro.

Pesquisa

Esse é um item indispensável e a parte mais divertida para quem quer tornar hábito a criação de cosméticos para uso próprio. Estude um pouco antes de fazer seu cosmético e, ainda que esteja seguindo uma receita, tente adaptá-la a você, otimizando o resultado. Pesquisando você aprende a fazer substituições e fica com um repertório infinito de cosméticos. É viciante!

Cada ingrediente tem características próprias e é fácil conseguir as informações sobre eles na internet. Você pode tirar proveito não só das propriedades terapêuticas dos ingredientes que usa, mas também de suas propriedades físico-químicas.

→ Por exemplo, óleos vegetais são absorvidos em velocidades diferentes pela pele, informação que faz toda diferença conforme idade, estação do ano, horário em que você vai usar e o tipo de pele que possui. Use essas características a seu favor e crie um cosmético natural e personalizado.

→ Já as manteigas vegetais diferem bastante em consistência, o que pode te ajudar na hora de tornar aquele cosmético mais molinho no inverno. Ceras de abelha ou vegetais também ajudam nesse quesito.

→ Óleos essenciais são o maior desafio, pois tem concentrações máximas aceitáveis e podem causar irritação, sensibilidade e manchas quando usados na forma errada ou por pessoas de pele sensível, alguns até podem ser cancerígenos em certas doses. Dedique um tempo especial a esses ingredientes. A natureza é linda, e com o cuidado necessário o benefício é pleno!

→ Para misturas que exigem aquecimento, use sempre um banho-maria, e faça o processo em fogo baixo, lentamente, para ter controle sobre a temperatura e não aquecer demais os ingredientes e destruir suas propriedades. Não use o microondas!

Óleos essenciais evaporam facilmente e não podem ser incorporados em soluções aquecidas. Espere para colocar o óleo no final da formulação, depois de resfriar. No resfriamento, siga mexendo manualmente até chegar ao ponto. Só então guarde no pote, evitando granulações. Se isso acontecer, aqueça novamente e repita o resfriamento com mais cuidado.

→ Para obter melhores resultados ao fazer cosméticos para o rosto, pesquise ativos específicos para o seu tipo de pele. Procure usar produtos leves. Manteigas puras, óleos vegetais, chás e hidrolatos são ótimas opções. E ao fazer esfoliantes, utilize pós mais finos e delicados para o rosto, e partículas maiores para o corpo.

→ Pesquise a qualidade dos ingredientes que compra. Sempre que possível dê preferência a orgânicos e empresas sustentáveis. Evite os refinados. Existem óleos que são frequentemente adulterados e outros cuja extração destrói o meio ambiente. Uma pesquisa entre amigos vai ajudar bastante a escolher uma empresa de confiança.

→ Nos dias de hoje a palavra conservante ganhou uma conotação negativa, mas saiba que existem conservantes naturais, e sua utilização é importantíssima para evitar desperdício, produtos estragados e problemas de saúde. No caso de cosméticos oleosos, a vitamina E, um antioxidante natural, ajuda manter os óleos estáveis por mais tempo e ainda tem propriedades ótimas para a pele. Adicione 0,5 a 1% no preparo. Já em produtos aquosos, não há salvação, faça sempre a quantidade necessária pra uma única vez. Conservantes naturais para produtos aquosos existem, mas não são de fácil acesso para uso caseiro. Para melhorar um pouco essa condição, ao invés de água mineral, utilize água destilada, o que pode prolongar um pouco mais a durabilidade desse produto.

→ Finalmente, tenha em mente que é impossível determinar o prazo de validade de um cosmético feito em casa, já que para isso são necessários testes de estabilidade e contaminação.

Parece muita informação, mas ao colocar tudo em prática você ganhará experiência e a cada nova tentativa um resultado ainda mais maravilhoso aparecerá. Com alguns cuidados, você poderá tirar o máximo proveito dos ingredientes que comprou e, no final, ainda obter melhores resultados.

Agora, mãos à obra!

Pensar em viver com menos (lixo, roupas, tralhas) implica em simplificar a vida. Aos poucos ou de uma vez só, como manda a Marie Kondo, pouco importa. Cada um tem seu tempo, suas lutas e suas dificuldades. Das minhas, cuidar da pele era uma das batalhas que eu mais perdia.

Há uns dois anos me descobri com pele sensível que fica seca com facilidade. Uma mudança que não lido bem até hoje, porque na lista de coisas que mais detesto está: passar hidratante. Mas quem tem pele seca sabe que não há vida feliz sem passar hidratante todos os dias (na verdade, todo mundo deveria se hidratar sempre, mas isso eu falo no próximo post). Um dia no inverno sem hidratante é suficiente pra surgirem coceiras, pele descamando e esbranquiçada.


Foi pensando na minha desgraça (hehe) que decidi testar as barrinhas hidratantes que tanto via pela internet. Elas pareciam mais práticas por poder passar no banho mesmo e eu tinha a impressão que seriam menos oleosas por ter cera de abelha na composição.

Uma das coisas que mais gosto no movimento lixo zero é poder eu mesma fazer minhas coisas. Faço hidratante, pasta de dente, maquiagem e tudo o que eu puder. Além de todo o processo ser maravilhoso, normalmente esses produtos são multiuso. Como sua composição é simples, isso permite que o mesmo hidratante possa ir da boca ao rosto sem problema nenhum. Foi assim que eu percebi que se colocasse a receita da barrinha hidratante em um potinho, teria um lip balm. E que, em caso de cutículas secas, ele hidrataria sem problema algum.

Você vai precisar de:
- 1 parte de óleo de coco (pra quem mora em locais quentes, melhor substituir ele ou o óleo de amêndoas por manteiga de cacau que permanece durinha mesmo em temperaturas quentes)
- 1 parte de óleo de amêndoas (pode ser qualquer óleo vegetal que você goste e usa, como óleo de abacate, jojoba, rosa mosqueta, semente de uva)
- 1 parte de cera de abelha (se você quiser uma opção vegana, tem a cera de carnaúba. Se você não achar nenhuma das duas, use manteiga de cacau no lugar pra garantir a firmeza)

Como fazer:
1. Coloque os ingredientes em um recipiente.
2. Derreta em banho-maria até todos estarem misturados.
3. Despeje em forminhas de silicone se você for fazer barrinhas hidratantes e em um potinho de vidro se for usar como lip balm. Uso a medida de 1 colher de sopa de cada ingrediente pra cada barrinha que quero fazer. Ou seja, 5 colheres de cada darão 5 barrinhas.
4. Deixe descansar e a mistura endurecerá. Se você quiser acelerar o processo, pode colocar na geladeira.

Como usar:
- A barrinha hidratante derrete em contato com a pele. Você pode passar antes de sair do banho ou logo depois. Quem não tem pele seca pode usar só nas áreas que costumam ressecar mais: pés, calcanhares, joelhos e cotovelos.
- O lip balm e cera hidratante de cutículas podem ser usados quantas vezes forem necessárias, sempre reaplicando. Como tem cera de abelha, a tendência é que ele segure mais na pele. Mesmo em contato com água, por exemplo. Eu uso a mesma misturinha em um potinho pros dois fins. Sempre que passo na boca, passo nas mãos também.
- Pra um efeito ainda mais legal, você pode adicionar borra de café seca, sal, açúcar, bicarbonato de sódio, sementes na barrinha na hora de colocar os óleos derretidos. Assim você faz uma barrinha esfoliante & hidratante.

Eu ando bem quietinha por aqui tem tempo. Desde que virou o ano, me pergunto como continuar o projeto, como continuar a não produzir lixo, como produzir ainda menos lixo, o que ir além do que já fiz. Era pra ser só uns diazinhos ou umas semanas de férias, mas acabaram sendo meses. E os últimos meses, como bem me avisaram Susan Miller e Mainá Mello (rs), foram de uma revolução interna e muito trabalho.

É obvio que eu comecei a me questionar também. É difícil ser blogueira, viu. Ter essa responsabilidade sobre você, as pessoas julgando com o olhar, as vezes que a vontade é largar tudo e comprar um chocolate mas lembrar que tem embalagem e se sentir mal. Eu dei palestra, falei num TEDx, respondi muuuuitas entrevistas e muitosssss emails e comentários de vocês. Tem sido ótimo, aliás. Nunca vou me esquecer da sensação em estar em uma palestra e metade das pessoas dizer que foi porque me conhecia. É lindo demais. Também é lindo ser inspiração pra uma coisa tão bonita, uma causa tão boa pra todos nós que é ser mais sustentável. Mas não é fácil, né.

Quando eu comecei as mudanças pra passar a viver sem lixo, em 2015, eu achava tudo fácil. Mas eu tava empolgada, feliz e tão afim de realmente fazer as coisas que obviamente eu tava achando fácil. Mas viver sozinha, ser 100% responsável por tudo na sua vida, trabalhar e cuidar de um gato e um cachorro dá um trabalhão. E aí eu descambei e passei a achar muita coisa difícil.

Tenho produzido bastante lixo. Reciclável, basicamente, porque não tenho conseguido me organizar pra comprar comidas a granel e porque os preços subiram muito nessas lojas. Acabei ficando na facilidade de comprar um saquinho de arroz, apesar de todo o remorso. Desde que a Filó (a cã) chegou na casa, então, meudeusdocéu quanto lixo. Foram muitos jornais até eu conseguir o sanitário canino que usa areia biodegradável. Ela destruiu muita coisa - e a maioria de tecido, nada reciclável e que eu não tinha mesmo como reaproveitar (vocês já viram como os bichos deixam as coisas destruídas?). Até hoje rolam pequenas destruições, brinquedos que vão estragando, coisas que ela derruba e quebra. Sim, Filó é uma cã saltitante e fofa, mas que cria um pequeno caos ao seu redor.

Em suma: me desorganizei completamente. Sigo com a composteira, a bucha vegetal pra lavar louça, fazendo meu sabão em pó e outras mil coisas que reduziram meus lixos, mas a sensação de estar falhando é tão grande, gente. É que sou perfeccionista também, viu.

Todo esse desabafo pra dizer que: agora vai.

Tô planejando novos posts finalmente, novas parcerias que vão ser incríveis, novas ideias e em breve e aos poucos elas vão chegando por aqui, no facebook, no grupo do facebook, na newsletter, no instagram, no snapchat (@cristalmuniz) e no twitter. Ufa!

Mas vamos conversar? Gosto tanto dos comentários aqui no blog e queria muito saber: o que é mais difícil pra vocês? Vamos nos ajudar falando do que é difícil também, porque é importante a gente lembrar que a realidade não são só fotos bonitas e flores.

Quanto menos a gente olha pra gente mesma, quanto menos "se investiga", se aceita e se curte... mais energia sobra pra olhar pra fora. Não ter vontades claras, não exercitar questionamento (no guarda-roupa e na vida!) rende um vazio que deixa a gente à mercê do mercado/da indústria: a gente passa a não desenvolver pensamento crítico e opinião como cidadãs – mas sim passamos a nos expressar como consumidoras, através do que compramos. Se a gente não faz as próprias escolhas, então o mercado "escolhe" pra gente.

Nosso trabalho como consultoras de estilo pessoal exercita bem isso: a gente ajuda clientes a enxergar com clareza os seus SIMs, pra que elas tenham força emocional pra dizer NÃO pro que não serve pra elas. :)

Percebam que tudo em volta quer que a gente diga esses SIMs, que compre tudo, que não raciocine sobre nada, que não faça escolhas -- pra optar sempre por um excesso que não funciona, e que por isso mesmo faça a gente querer comprar ainda mais.

Já disse Marcelo Camelo: a gente devia "só precisar do que já tiver". Isso é tranquilidade, é o oposto de ansiedade!


Agora pára um segundo e pensa com a gente: e se a gente tivesse cuidando de estudar a nossa própria aparência em frente ao espelho (e não tanto as aparências das moças que frequentam semanas de moda, que aparecem no Pinterest, que tão nas páginas das revistas)? E se no lugar de estudar e perguntar "de onde é" e querer saber milimetricamente o que as outras pessoas tão vestindo... a gente fizesse essas perguntas sobre nós mesmas?

Olhar pra dentro de si mesma com carinho <3 procurando clareza de preferências e vontades nem é tão dificil – mas a gente tá bem desacostumada, já que nada em volta ajuda ou incentiva essa prática.

Perguntas boas pra se começar (assim que a gente desliga o celular ou sai da frente do computador) podem ser:

-o que eu quero sentir?
-como eu quero parecer?
-o que é importante pra mim?
-que tipo de roupas, cores, acessórios, materiais e estampas eu entendo que me fazem sentir essas sensações ou parecer como eu desejo?


Um aprendizado útil de verdade pode ser esse: entender como as roupas podem materializar sensações. Se a gente consegue organizar essas respostas daqui de cima com honestidade e carinho, fica tranks escolher o que vestir – e as escolhas vão ficando mais e mais certeiras na medida em que a gente se interessa também por conhecer qualidade, caimentos, acabamentos, etc.

Quando a gente tem clareza de quem é e consegue "mapear" a vida que vive, fica fácil dizer não pro que é excesso. É nisso que a gente fundamenta o nosso SUBSTITUA CONSUMO POR AUTOESTIMA: na energia que coloca em si mesma pra não precisar comprar pra se sentir bem.


E a nossa experiência prática com clientes de consultoria e com alunas dos nossos cursos ensinam mais e mais pra gente – e dão certeza de que esse é um raciocínio eficaz, que funciona de verdade, na vida real.

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