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Muita gente quer ser mais sustentável. Eu sei disso porque eu tô aqui faz alguns anos já e recebo muitas mensagens sobre como é difícil encontrar esse conteúdo se você não sabe como pesquisar (e como tem gente que fica feliz. Eu sei disso também porque eu já estive nesse lugar: queria reduzir meu lixo, queria fazer coisas mais legais pro meio ambiente mas não fazia ideia de como.

Faz algumas semanas que, toda sexta-feira eu mando um email com uma dica e uma tarefa pra quem quer aprender a reduzir sua produção de lixo e ser mais sustentável. Minha ideia era ir mostrando, semana a semana como pequenas ações fáceis de fazer vão fazendo a diferença aos poucos e quando você vê: cataploft, você reduziu muito seu lixo.

Além disso, tem sido um canal pra gente conversar um pouco mais, porque a cada dica surgem algumas dúvidas, alguns problemas individuais. Tem sido muito legal tudo isso! As news que já rolaram são essas:


Pra ver todo o histórico de news, você pode clicar aqui. E pra se inscrever e receber esses emails, clique aqui.

Tem alguma sugestão de tema pra eu falar na newsletter? Comenta aqui que aos poucos elas vão acontecendo! :)
Semana passada eu vim aqui fazer uma crítica ao documentário Minimalism, que conta a história dos The Minimalists. Fiquei bastante impressionada com a quantidade de pessoas que concordou que o documentário é muito superficial e poderia ser muito melhor. Algumas pessoas também argumentaram que era óbvio que ia ser superficial porque era um filme de só 2h. Bom, daí a gente chega onde quero chegar: não precisava ser superficial com esse tempo não.

Hoje a gente vai falar de um documentário que vi na sequência do Minimalism, o Demain. Foi indicação da Fê Canna lá no grupo do UASL no Facebook e fiquei tão decepcionada com o Minimalism que resolvi ver esse em seguida pra ver se melhorava o humor. E gente, que filme bom!

Ele parte da seguinte premissa: um casal vê notícias sobre como o futuro do mundo é assustador e Cyril Dion e Mélanie Laurent que estão esperando um filho decidem descobrir soluções criativas pro mundo que o filho deles vai viver não acabar como as notícias prevêem. E aí eles vão atrás de homens e mulheres que fizeram coisas e descobriram soluções pra vários dos problemas modernos.

Se você se incomoda em saber mais detalhes do filme, talvez daqui pra frente tenham spoilers.




A postura é muito diferente nesse filme, eles vão atrás das soluções para um mundo melhor. E, mais que isso também, eles vão atrás de pessoas que já fazem e mostram o que, como, o porquê, quem, quando. Cada pessoa que fala nesse documentário fala como realmente começar a mudar o mundo amanhã. São exemplos de pessoas que fazem hortas no meio urbano, escolas com sistemas diferentes de ensinar, cidades que buscam um sistema econômico complementar ao que já existe. Todos os exemplos são possíveis de a gente sair fazendo assim que o filme acabar.

Isso é incrível. Tem muita profundidade nesse documentário. Não só porque os exemplos são realmente bem descritos, tem números, tem informações, tem o jeito que eles fazem tudo mas também as discussões sobre como o outro modelo – o que a gente vive e considera normal – tem falhas, mentiras, erros grotescos.



O documentário é costurado começando a achar uma solução para o problema da fome, então ele fala no primeiro capítulo da agricultura e mostra soluções incríveis como as hortas urbanas na cidade de Detroit ou sítios pequenos mas com uma eficiência maior (aqui) que monoculturas porque usam a permacultura produzindo comida orgânica, sem agrotóxicos porque as plantas ao seu redor se protegem.

No segundo capítulo, eles mostram alternativas à geração de energia feita com combustíveis fósseis como petróleo e carvão. Esse modelo que vivemos hoje não só é finito porque as reservas naturais um dia vão acabar como é extremamente poluente. A extração do petróleo, do carvão, de minérios (só lembrar da barragem de Mariana). Eles mostram alternativas muito legais, como a Islândia que é totalmente livre do petróleo pra geração de energia, uma ilha na França que instalou painéis solares, vários exemplos inteligentes.

O próximo capítulo fala de economia. O primeiro exemplo é muito, muito legal. É uma fábrica de envelopes e você pensa "nossa, mas o que tem de sustentável em uma fábrica de enevelopes?" e aí o filme mostra como eles passaram a investir muito do dinheiro que a empresa ganhava nela mesma. Assim eles gastam menos eletricidade, matéria-prima, água e ganha mais produtividade, segurança, modernidade. O outro exemplo me deu um nó na cabeça: são cidades que criaram moedas da própria cidade pra fortalecer a economia local. Eu acho que preciso ver de novo o documentário pra entender direito, porque a gente tá TÃO mas tão acostumado ao sistema de reais, dólares, etc que realmente dá um nó na cabeça.



O quarto capítulo é sobre democracia. Aqui, um dos exemplos é a Islândia que após um escândalo de corrupção faz protestos e o povo se reúne não pra proteger os bancos que tinha feito todo mundo perder dinheiro, mas impedir que o governo e os bancos tivessem de novo esse poder. São milhares de pessoas que se reúnem pra discutir e escrever uma nova Constituição. O outro exemplo é em um vilarejo da Índia, onde o Elango fez uma espécia de conselho municipal para discutir com as pessoas as coisas que eles queriam mudar e fazer ali, localmente.

O último capítulo é sobre educação e mostra principalmente como as escolas na Finlândia funcionam. Pra quem herdou uma mistura de sistema americano, é bastante incrível imaginar uma escola como a deles: menos horas por semana em sala, dois professores por turma, vários métodos pra ensinar e não só um, os alunos aprendem a cozinhar, costurar, música, marcenaria, etc.

O gancho entre todos os capítulos é que eles são interligados. A democracia é mais forte se a educação é melhor. Se a democracia é forte, a economia de sempre pode ser questionada e assim podemos pensar em novos modelos energéticos e de agricultura. Esse ponto é super importante, porque toda vez que alguém quer levantar uma solução pra um problema, precisa lembrar que o caminho é gigantesco.



E esse caminho não é pra ser trilhado sozinho. Todas as iniciativas, todos os exemplos que o filme mostra só funcionaram/funcionam porque são muitas pessoas trabalhando pra aquilo. São vizinhos que quiseram plantar hortas na cidade toda, são pessoas de uma empresa que trabalham todos por melhorias que todos sentem, são pessoas que não permitem que o governo mude o plano de educação do país antes do tempo planejado. São pessoas, igual eu e você mas que se uniram com as pessoas próximas porque todo mundo entendeu que as coisas eram legais e boas pra todos.

Porque, vamos lembrar que moram em sociedade, em cidades, em condomínios, não moramos sozinhos. Se queremos mudanças no mundo, precisamos sentar juntos, lado a lado pra conversar e agir. Atualmente, nem conversar a gente tem conseguido, que dirá sentar e agir, concordar em uma ação. Por isso tudo aquilo ali em cima é importante, percebe? Como vamos discutir energia renovável se ainda tem gente que acha que isso "não vale a pena" ou "não precisa"? São muitas perguntas, mas o filme traz infinitas respostas. Por isso: assistam e façam pelo menos dois amigos assistirem também. Vamos espalhar essas ideias e começar a tirar elas do papel!

Demain tá disponível no Netflix, em alguns cinemas e no YouTube nesse link.

+ A cada 15 dias eu vou aparecer aqui pra falar de algum filme ou livro que fale sobre sustentabilidade, pra irmos mais a fundo nas nossas discussões, pra aprendermos cada vez mais. O próximo filme é Cowspiracy, disponível no Netflix e vamos falar sobre ele dia 21/06.
Assisti o documentário Minimalismo: Um documentário Sobre As Coisas Importantes (tradução livre do título) e não gostei. Eu já conhecia o movimento The Minimalists do Joshua e do Ryan porque seguia eles no twitter, tentei ouvir um que outro podcast e achei que seria legal ver o documentário – até porque a gente falou sobre isso lá no grupo do UASL no Facebook semana passada. Acho que tem algumas ideias legais ali, mas acho que no geral tem muitos problemas e uma visão muito rasa que não resolve nada.

O mote principal do documentário é a história do Ryan e do Joshua que, basicamente tinham chegado no topo da carreira ganhando mais de 50 mil dólares por ano, tinham tudo o que sempre quiseram conquistar e de repente perceberam que as coisas que compraram não faziam eles felizes e resolveram se desfazer de quase tudo, inclusive do trabalho. Enquanto eles contam a sua história pessoal e como eles chegaram ali, no lançamento do livro deles em várias cidades (que é o que o documentário conta, na verdade), vamos sendo apresentados a outros personagens que também seguem o movimento minimalista e tem seus próprios projetos pessoais.

Esse texto tem spoilers porque problematizo o documentário, então talvez seja melhor ver o filme antes! ;)


Onde estão as mulheres?


A primeira coisa que me incomodou foi que passaram muitos personagens e quase nenhuma mulher. E não é porque não tem mulher praticando minimalismo ou outros projetos que falem sobre sustentabilidade. Aliás, muitíssimo pelo contrário. A maior parte dos blogs e das pessoas do movimento lixo zero que eu conheço são mulheres! Olha a Lauren Singer. A Bea Johnson. A Anne-Marie do Zero Waste Chef. A Marie Kondo que tem um livro best seller no mundo inteiro, o A Mágica da Arrumação que conversa demais com o que eles falam. Enfim, mulher não falta no mundo, mas faltou na hora de selecionar pro documentário.

As únicas mulheres que aparecem ali pra contar dos seus projetos são a Courtney Carver do Project 333, a Tammy Strobel do A Tiny Tour e a Cristine Koh do Minimalist Parenting. Ainda tem duas mulheres que aparecem, mas com seus maridos – que falam muito mais.

Courtney do Project 333 que originou o conceito de Armário Cápsula

Pra mim, o problema nessa diferença de personagens é que é muito mais fácil pros homens o discurso do filme de "cheguei lá e larguei tudo". Primeiro porque é muito mais fácil pra um homem chegar no topo da carreira e ganhar uma bela grana. Enquanto eles podem se dedicar à carreia e são criados pra isso, as mulheres muitas vezes ficam responsáveis por todo o resto enquanto o homem vai chegando lá: casa, filhos, a carga mental que bombou tanto nesse quadrinho (leia!) é 100% real. Segundo porque é muito mais fácil pros homens largarem tudo. Eles já largam os filhos com as mães com muito mais facilidade e permissão do julgamento da sociedade que as mulheres. Cadê a mãe dos seis filhos do Leo Babauta? Por que só ele aparece no filme?

Ainda tem outra coisa que me incomodou demais: a diferença do julgamento sobre as coisas dos homens x coisas das mulheres. Enquanto as duas personagens Courtney e Tammy falam e tem enfoque nas roupas e sapatos que tinham (historicamente tratado como futilidade, vocês sabem), o discurso dos homens não é tratado como fútil, até certo ponto, mas tem um quê de mais heróico.

Em um trecho de uma palestra, Ryan fala que um cara perguntou pra ele "eu amo meus livros, eu tenho uma biblioteca gigante, tenho que me desfazer deles?" e a resposta dele foi não, claro. Diferente de quando ele fala sobre os 20 pares de sapatos da namorada que a classificam como não-minimalista. Pode ter uma biblioteca por quê? Por que não pode ter 20 pares de sapato se ela amar e usar todos esses pares? Não acho que dá pra dizer que isso é sem intenção porque se a gente lembrar, foram editadas as falas pra entrar apenas o que eles queriam que tivesse no filme.

Pra quem é possível largar tudo?


Em qual degrau de privilégio estão esses homens, majoritariamente brancos, estão pra dizer que querem sair do emprego que paga 50k dólares por ano pra viver uma vida com mais significado? Que tipo de vida eles tão vendendo com esse discurso? Pra mim, uma vida bastante surreal inclusive pra mim. Essa possibilidade lhes é assegurada por esse privilégio, vale dizer. Essa cifra que eles mencionam no documentário provavelmente garantiu a possibilidade de poder sair viajando e fazendo o lançamento do livro mesmo quando não tinham pessoas suficientes.

O que é verdadeiramente discutido e resolvido no filme?


Minha resposta é: o ego das pessoas. Pra mim, tudo o que aparece ali do jeito que aparece ali mostra apenas o sucesso de dois caras que reduziram drasticamente o número de coisas que tinham incentivando as pessoas a fazerem o mesmo em busca de uma vida com mais significado. Os casos também falam de como eles se sentiram melhor depois que passaram a ter menos coisas, etc. Mas isso só resolve o ego ferido dessas pessoas individualmente e às vezes em casal, nada mais.

Apesar da questão da sustentabilidade ser apresentada no filme, não se discute de verdade. Até porque não foi uma só vez que a dupla Ryan e Joshua aparecem tomando café em copos descartáveis. Não são apresentadas soluções de verdade ao longo do filme, só nos é vendido como isso é bom. Eles usam da mesma lógica do capitalismo e do consumismo pra se vender, o que me parece contraditório por demais.

O foco segue no objeto, nas coisas. Poderíamos estar discutindo o porquê da nossa busca pela felicidade estar tão atrelada a objetos historicamente e como quebrar essa lógica; poderíamos estar falando de como o machismo faz as mulheres depositarem toda sua auto-estima em roupas, sapatos e maquiagens; poderíamos falar sobre lixo e ações para reduzir sua produção a partir do minimalismo. Mas o foco segue nas coisas: tenha menos, tenha só o suficiente, tenha uma blusa só de qualidade, tenha só um ou não tenha. O Joshua inclusive fala que não é contra o consumismo, mas é contra o consumismo compulsório. Bem, eu acho que ele deveria ser contra o consumismo sim, talvez não ser contra comprar coisas – que é bem diferente.

Acho que faltou muito uma discussão mais profunda sobre tudo, faltaram soluções práticas, faltou aprofundar os problemas e faltou ser menos machista. Ficou sendo egoísta também, porque é uma solução de uma pessoa só, não fala em coletivo e mudança real de sociedade. Por isso tudo eu não gostei, mas tem uns pontos legais sim sobre a pressão em ter cada vez mais casas, espaço, etc.

 Semana que vem a gente fala sobre um documentário que vale realmente assistir: Demain (tem na Netflix). E assim a gente dá uma revivida no Clube de Livros & Filmes Sobre Sustentabilidade, yes!


Cuidar de uma composteira é bem fácil. Mesmo. Se você colocar o lixo orgânico do jeito que eu falei nesse post ou nesse, metade dos seus possíveis problemas já se acabam aqui mesmo. Mas, como uma composteira é algo vivo (alô, minhocas amigas!), alguns desequilíbrios podem acontecer. As dicas desse post são pra que isso não aconteça, ou aconteça só raramente. ;)



Separando as cascas e restos de alimentos pra colocar na composteira


Não coloque todo dia, a não ser que você tenha uma família grande e produza bastante lixo por dia. O melhor é juntar durante uma semana em um pote com tampa (pote de sorvete, sabe?). A tampa é importante pra não juntar mosquinhas que colocam ovos e viram mais mosquinhas, uma bola de neve. 

Mas, como você pode imaginar, o lixo vai apodrecer em uma semana ali dentro. Por isso, minha dica é: deixe esse pote no congelador enquanto ele enche. Assim, quando você for esvaziar o pote colocando na composteira, seu lixo não vai ter apodrecido, não vai ter cheiro ruim, não vai atrair bichinhos e não vai atrapalhar o equilíbrio da sua composteira. :)

Aí é só colocar o lixo, esperar um pouco pra ele descongelar, ajeitar em um cantinho e cobrir bem com matéria seca (folhas secas ou serragem).

Outra coisa que vai facilitar a decomposição dos restos de alimentos é deixar os pedaços das comidas pequenos. Dá pra cortar um pouco quando tiver cozinhando, pra facilitar. Não é nada muito meticuloso, viu? ;)

Tem diferença entre usar folhas secas e serragem na composteira?


Tem sim! A serragem absorve mais e melhor a umidade do composto. Além de deixar mais espaços por onde o ar pode passar. Por isso, acho que é mais rápido quando usamos serragem na composteira. Quando usei folhas secas, senti que ficou muito úmido, teve mais mosquinhas e demorou um pouco mais. Isso não chega a ser um problema, mas é uma diferença. Dá também pra misturar serragem e folhas secas. ;)

O que pode e o que não pode ir numa composteira?


Algumas coisas tem passe livre, outras pode só de vez em quando e outras são proibidas de colocar numa composteira de minhocas.

O que pode sempre: frutas, verduras, legumes, grãos, sementes, saquinhos de chá, erva de chimarrão, borra e filtro de café e cascas de ovos.

O que pode de vez em quando: frutas cítricas (você pode fazer desinfetante natural com as cascas e secar ao sol antes de colocar na composteira, aí tá liberado!), laticínios, comidas cozidas, guardanapos e flores ou ervas medicinas.

O que não pode: carnes, limão, temperos fortes (alho, pimenta, cebola), líquidos (iogurte, caldos, sopas, etc), óleos e gorduras, fezes de animais domésticos e papel higiênico.

Para ajudar no processo, o ideal é não colocar as cascas dos restos de alimentos sem dar uma cortadinha em pedaços menores. Não é nada gourmet, é só para os pedaços ficarem um pouco menores mesmo.

Prontinho! Mãos à obra pra reduzir em até 51% o lixo da sua casa, evitar de enviar um lixo fedido e que pode atrair bichos e contaminar o chão pros aterros, ter um adubo poderoso em casa e ajudar o planeta! ;)

+ Pra tirar as dúvidas que podem surgir depois, os sites Morada da Floresta e Composta São Paulo tem muitas informações úteis.
+ Como fazer uma composteira em casa com quintal, leia aqui.
+ Como fazer uma composteira em apartamento, leia aqui.
Um dos sistemas de composteira doméstica mais famosos hoje é a composteira com minhocas. Isso porque ela é pequena, não tem cheiro ruim, cabe em quase qualquer cantinho e com a ajuda das minhocas a decomposição acontece mais rápido que sem elas. Esse tipo de composteira é ótima pra quem mora em apartamentou ou quem mora em casa e não pode fazer um buraco no quintal. Quase tudo o que a gente produz em casa pode ir nela, com exceção de poucas coisas. Existem composteiras prontas que já vem com as minhocas, mas você pode fazer a sua usando caixas ou baldes de plástico.

Uma composteira com minhocas precisa de, no mínimo, três andares: o primeiro andar, onde o lixo orgânico vai sendo depositado e coberto com o material seco (serragem e folhas secas) e, quando cheio, fica em repouso por cerca de um mês. Durante esse tempo de repouso, o segundo andar vira o primeiro e começa o ciclo de novo. Estes dois andares são onde acontece a compostagem do material. O terceiro andar é o que recolhe o líquido que escorre (os andares são intercalados com furinhos para o líquido descer, e as minhocas se movimentarem).

No final desses trinta-sessenta dias, o chamado período de repouso, o material que sobra é um húmus, que parece terra, super nutritivo para as plantas e com cheirinho de terra molhada. Nada disso dá mau cheiro se tudo for feito corretamente.

O excesso de umidade pode facilitar a criação de mosquinhas, por isso é importante cobrir tudo muito bem com serragem. Além das minhocas, acabam aparecendo outros bichinhos pequenos, como formiguinhas e outros insetos, que também ajudam no processo de decomposição dos alimentos. É tudo limpo e, seguindo todas as etapas, não há risco nenhum de contaminação.



Como fazer uma composteira com baldes


  1. Escolha três baldes ou caixas plásticas que tenham algum tipo de encaixe entre si. Algumas caixas organizadoras encaixam só na parte de cima, sem que as caixas precisem "se afundar", deixando espaço pro lixo orgânico. Os baldes de margarina industrial e esse tipo de alimento vendido pra padarias e restaurantes também tem um tipo de encaixe nas tampas pra eles serem fáceis de empilhar. Essa é uma outra opção muito legal. Só lavar super bem! As caixas ou os baldes precisam ser opacos, porque as minhocas não gostam de luz.
  2. O tamanho vai depender de quantas pessoas tem na sua família. Se estima cerca de 1kg por semana por pessoa. Como além do lixo em si também colocamos muitas folhas secas ou serragem, estime pra mais esse volume. :) Com esse sistema com três baldinhos reutilizados, o volume é pra cerca de 1 a 2 pessoas que não cozinham muuuito.
  3. Fure o fundo de dois dos três baldinhos com uma furadeira, com cerca de 0,5 a 1cm de diametro – não mais que isso! Faça muitos furos, com cerca de 2 a 3cm de distância entre eles. É por esses furinhos que o líquido da composteira vai escorrer e as minhocas vão mudar de andar.
  4. Você pode deixar sua composteira mais profissional se conseguir colocar uma torneirinha no último andar, o que não tiver furos e fica coletando o chorume do bem. Se não der, não tem problema.
  5. Prontinho! Agora, pra usar, você precisa de algumas minhocas. Não precisam ser muitas, porque elas se reproduzem conforme a necessidade. O ideal são as minhocas californianas, que não pulam igual as nossas brasileiras e são maiores, comem os restos de alimentos mais rápido. Coloque uma camada de terra suficiente pra cobrir o fundo do balde e as minhocas.


A minha composteira, quando o andar do composto tá cheio e coberto de serragem ;)

Como usar a composteira com minhocas


  • Pra usar a composteira você vai colocar restos de alimentos, cascas etc aos poucos. Não espalhe tudo, vá colocando em cantinhos e concentrando o lixo. Cubra muito bem com folhas secas e serragem. Não aperte e comprima, deixe a mistura respirar!
  • Siga colocando seus resíduos até o baldinho que estiver em cima de todos esteja cheio. O ideal é que demore mais ou menos um mês pra encher, pra dar tempo dele virar adubo e você poder trocar com o 2º andar. Nos primeiros meses, até por ter menos minhocas, a tendência é demorar mais pra acontecer a decomposição. Você pode ajudar dando uma revirada no material a cada 15 dias (com cuidado pra não machucar as minhocas). Quando ele estiver cheio, ele vai para o repouso. Troque ele de lugar com o que estava no 2º andar, vazio. Repita o processo.
  • Quando o baldinho que era o 2º andar estiver cheio, depois de um mês ou mais, vai ser hora novamente de trocar os andares. Se tudo deu certo, o baldinho que estava no repouso agora tem um adubo especial e super nutritivo. Você só precisa tirar pra liberar espaço.
  • Pra tirar o húmus, deixe a tampa aberta em um lugar com bastante luz. As minhocas não gostam e vão se enfiando pra dentro da terra. Vá raspando o adubo aos poucos, pra não machucar e não levar embora as minhocas.
  • No último andar vai começar a aparecer um líquido bem escuro. Ele é um biofertilizante poderosíssimo. Dilua ele em 1 pra 10 partes de água e regue as plantinhas 1 vez por semana com essa mistura. Suas plantas vão ficar LINDAS. É sério.
  • O húmus pode ser colocado em plantas, mas caso sobre, você também pode doar, colocar nas plantas do condomínio, na praça que estava feia perto de casa. Revolução verde: teremos! :)
No próximo post, sexta-feira, vou dar dicas pra cuidar super bem da sua composteira, evitar mosquinhas, os alimentos que podem e os que não podem ser usados, etc. Fiquei ligado! :)

+ No post anterior: Como fazer uma composteira em casa com quintal, leia aqui.
Já falei por aqui que mais da metade do lixo produzido nas casas vem da cozinha: os restos de alimentos. O chamado lixo orgânico, com restos de cascas e sobras de frutas e verduras, restos de comida e tudo que seja perecível não precisa ficar apodrecendo e dando cheiro ruim na sua cozinha! Tudo que você precisa é ter uma composteira doméstica.

Uma composteira nada mais é que um lugar apropriado pra que a decomposição desses resíduos aconteça. O segredo é que desse jeito, não fica cheiro ruim (sério!). No lixinho da nossa cozinha, o lixo se decompõe por meio de bactérias, sem oxigênio (de forma anaeróbica) por isso o cheiro fica ruim. Na composteira, a decomposição acontece do jeito adequado, com oxigênio, sem bactérias, com ajuda de minhocas ou do calor e o cheiro ruim não existe!

Reduzir o lixo da cozinha, ter um adubo maravilhoso e fácil, manter uma horta super bonita: dá pra ter tudo isso com uma composteira em casa. Existem vários tipos de composteiras, mas o mais recomendado e usado hoje é o com minhocas (sim, minhocas!).

Nessa série de posts, vou ensinar como fazer uma composteira se você mora em casa e tem um quintal à sua disposição, se você mora em apartamento e tem pouco espaço e dicas preciosas de como cuidar da sua composteira pra ela ser só sucesso.

Crédito da imagem: The Garden Love e  Real Farmacy

Como fazer uma composteira se você mora em casa


Quem morou no interior ou sempre morou em casa provavelmente vai lembrar de um lugarzinho onde o lixo orgânico sempre foi jogado. Na casa dos meus avós, era dentro da horta, num espaço só pra isso. Apesar de funcionar (as cascas vão se decompor, é da natureza delas), existem técnicas pra ser mais rápido, evitar cheiros ruins e não atrair animais.

  1. Faça um buraco na terra, de cerca de pelo menos 0,5m2. Se a família for grande, você pode fazer dois e enquanto um descansa, vocês enchem o outro. Ou fazer um grandão, de 1m2. Uns 30cm de profundidade é suficiente. Pra ajudar a segurar as paredes de terra, você pode colocar tábuas nas laterais ou uma caixa sem o fundo (tipo uma caixa d'água, um caixote, algo que segure as laterais mas tenha acesso ao chão). Também dá pra fazer cercando uma área em contato com a terra com cerca de arame, tábuas ou troncos.
  2. Coloque o material orgânico e não espalhe muito. Vá concentrando em um cantinho até tudo encher. Sempre cubra muito bem com folhas secas ou serragem (é esse o segredo pro cheiro ruim não aparecer).
  3. Regue de vez em quando se fizer muito calor e sol, porque a mistura pode esquentar e secar. É bom manter úmido pra decomposição acontecer mais rapidamente.
  4. A cada 15 dias dê uma revirada em todo material, pra ajudar a aerar e facilitar a decomposição.
  5. Aos poucos as sobras de alimento vão se transformar em uma terra bem escura, com cheiro de terra molhada. Esse adubo é maravilhoso pras plantas e pra sua hortinha!
  6. É legal ter dois espaços diferentes porque enquanto um vai passando por esse processo de descanso e revirar, o outro tá com a terra pronta pra ser usada, você pode desocupar ele e ter espaço pra colocar mais matéria orgânica. :)

Se você não tiver espaço pra cavar um buraco no quintal, ainda dá pra ter a composteira com minhocas, em um sistema prático de caixas plásticas. Quer saber como fazer e como cuidar dela? Na quarta-feira a gente fala sobre isso! ;)
Aqui no blog eu tento testar tudo muitas vezes até saber bem os efeitos, minha opinião formada, o que eu consegui otimizar naquele processo pra enfim contar pra vocês. Eu lavo algumas vezes a roupa até postar a receita do sabão líquido, eu uso durante algumas semanas o creme hidratante. E sempre tento contar no mínimo de detalhes que é pra você, aí do outro lado, ter uma ideia de como a coisa vai funcionar na sua vida ou na sua casa.

Eu faço isso com tudo que eu posso, mas tem coisas que eu realmente não sei porque não tenho como testar. Por isso que eu chamei a Mona Soares, da Ewé Alquimias, pra falar de pele negra e cabelos crespos e cacheados. Queria saber se tem diferença da pele branca, que é a minha e que sei várias particularidades porque carrego ela desde que nasci, além de quase todas as informações disponíveis por aí serem só sobre peles claras. Queria saber como uma rotina de beleza natural funciona, se dá pra usar o que eu uso aqui em mim e se fica bom.

A história da Mona é super parecida com muita gente que conheço do mundo natural: ela se formou em farmácia, trabalhava em uma farmácia comercial com medicamentos sintéticos e não sentia que estava no lugar certo. Foi num daqueles momentos que tudo parecia dar errado que ela começou a estudar saboaria, aromaterapia, cosméticos, perfumaria naturais. Aos poucos a produção de sabonetes que ia só para a família começou a ser vendida em bazares e logo mais em uma loja virtual para o Brasil todo.



A pele negra


A pele negra tem diferenças da pele clara não só na cor. Ou melhor: a cor é justamente a diferença, como explica a Mona: "A característica mais marcante da pele negra que a diferencia das outras é a expressão de melanina pelos melanócitos. Quanto mais escura a pele, mais melanina os melanócitos produzem."

E é justamente esse fator que faz dessa pele mais suscetível a manchas. "Isso pode deixar a pele muito suscetível a manchas, principalmente as peles pretas que passaram pelo processo de miscigenação, que é o caso da maioria das pessoas negras no Brasil. Acnes, arranhões e ferimentos podem deixar cicatrizes mais escuras que o tom natural da pele."

Outra diferença é que a pele negra, quando ressecada, pode ter manchas esbranquiçadas. Por isso, é importante hidratar bem a pele – e isso pode ser com manteigas e óleos vegetais como a gente já falou por aqui!

As peles negras também tem maior proteção natural contra os efeitos nocivos do sol. Quanto mais escura é a pele, mais proteção. Porém, por causa disso, os níveis de vitamina D podem ser mais baixos. "Por isso é muito importante a exposição moderada ao sol e evitar os protetores solares com alto fator de proteção" [que inibem a produção da vitamina D (1)].

Uma das grandes vantagens que a Mona lembra da pele negra, além da beleza, é que ela demora pra apresentar os sinais de idade. Pessoas mais velhas negras sempre parecem muito mais novas, pra mim (Cristal) isso é o mais impressionante.



Cuidados com a pele negra dentro de uma rotina de beleza natural


Os principais cuidados que uma pele negra precisa ter são: exposição moderada ao sol, evitar lesões e hidratar. As dicas que a Mona dá pra essas três etapas são:

  1. O protetor solar deve ser o mais natural possível, com um fator moderado (15 fps para tons mais escuros e 30 fps para tons médios). Como protetores solares podem deixar a pele esbranquiçada, muitas vezes encontrar um protetor mais natural para este tipo de pele é um desafio. Algumas mulheres corrigem a cor com um protetor com cor ou um pó compacto. Infelizmente ainda não temos marcas de protetor solar mais natural para este tipo de pele. Já em caso da pele manchada em tratamento de manchas, mesmo sendo um tratamento natural, é recomendável usar o protetor solar com fator mais alto (FPS 30).
  2.  Em caso da pele que já apresentam manchas em tons mais escuros ou mais claros que a pele, pode-se usar óleo de rosa mosqueta, óleo de pracaxi, máscara de argila branca ou cosméticos formulados com esses ingredientes.
  3. O ressecamento da pele do corpo pode ser melhorado com o uso de manteigas vegetais, como muru muru, cupuaçu, karité ou cacau.

Mas, assim como a pele branca, a pele negra também pode ser mais oleosa, mais seca, sensível e a escolha dos óleos e manteigas, da rotina de beleza é super individual. Eu falo muito disso e dou as ferramentas pra você montar sua rotina de beleza no e-book Rotina De Beleza Natural, dá pra comprar aqui.



Cuidados naturais com cabelos crespos e cacheados: LAVANDO e HIDRATANDO


Descobri com a Mona que o cabelo crespo precisa de algumas coisinhas a mais que o combo xampu sólido + enxágue com vinagre + finalização com óleo vegetal. "Precisa do que tecnicamente chamamos de"substantividade", que está presente nos condicionadores e cremes de pentear e facilita o desembaraçar, amacia a fibra capilar e previne a quebra." Por isso, uma rotina de cuidados pro cabelo crespo/cacheado normalmente funciona melhor com:

  1. Xampu natural, sólido ou líquido.
  2. Condicionador natural, livre de derivados do petróleo, silicones, parafina líquida, sulfatos, conservantes agressivos, liberadores de formol, corantes e essências sintéticas.
  3. Creme finalizador natural, livre de todas essas coisas acima.

Esses três produtos são suficientes, mas você pode complementar essa rotina de cuidados com ingredientes naturais como óleos vegetais, manteigas, argilas, melado de cana e gel de aloe vera, por exemplo.

Pra ler mais e outros jeitos de lavar os cabelos crespos:
  • Como fazer low poo e no poo com cosméticos naturais, leia aqui.
  • Como limpar o couro cabeludo e não ressecar os fios, leia aqui.
  • Como lavar o cabelo crespo com xampu sólido, leia aqui.




Cuidados naturais com cabelos crespos e cacheados: LIDANDO COM O FRIZZ


O que a gente mais teme, se analisar pelos comerciais de produtos pro cabelo é ele: o frizz. Eu falei sobre ele pra Mona já dizendo que talvez a gente não precise controlar o frizz, mas sim aceitar. E foi o que ela me falou: "Eu não combato o frizz há anos. Parar de lutar contra ele foi a melhor maneira de contornar o problema. Acho cruel quando a indústria de cosméticos cria um arsenal de produtos para melhorar características que são naturais e praticamente todo mundo tem."

Mas tem alguns truques pra diminuir a estática do cabelo e deixar ele mais bonito naturalmente, pra que você não precise ficar brigando com seus cachos pra sempre. :) Essas são as dicas da Mona (que é especialista já que tem cabelos crespos!) porque às vezes a gente investe em cosméticos caros enquanto uma mudança no jeito de pentear ou desembaraçar seria mais eficaz e investir em acessórios que duram anos, melhor ainda:

  1. A escova da marca Denmann #nãoéjabáéamor. Ela tem um cabo preto e a base vermelha, é desmontável o que ajuda na hora de limpar. Comprei no Mercado Livre, mas nem sempre achamos no Brasil.
  2. Usar uma toalha de microfibra que é fácil de ser encontrada no Mercado Livre ou lojas pra cabelos crespos e cacheados.
  3. Dormir em fronha de cetim também é útil pra diminuir a estática.

Ó a Mona sendo linda <3

Depois dessa super aula, eu só tenho a agradecer DEMAIS pela contribuição da Mona aqui no Um Ano Sem Lixo. E tenho que pedir pra vocês irem até o site da marca dela, a Ewé Alquimias, porque lá tem: xampus, sabonetes e condicionadores naturais, apostilas de saboaria e cosmetologia natural e muuuito conhecimento dessa mulher negra, crespa e baiana incrível! <3
Das lembranças da minha infância, um dos cheiros e sabores que mais gosto é de chá de hortelã fresco. Eu tomava muito quando ainda não podia tomar café e as vezes que tinha dor de barriga. Também tomei muito chá de capim-limão. Tudo fresco, tudo da horta da minha vó, no quintal de casa. Não tem chá de saquinho que se iguale a esses chás de ervas frescas. Não tem manjericão seco que tenha o cheirinho do fresco. E orégano fresco, vocês já provaram? É incrível.

É por isso que eu quero ter vasinhos a perder de vista em casa com muitas ervas gostosas. Elas tão a passos da minha cozinha, são orgânicas e cuidadas com carinho e eu não desperdiço um maço porque não consegui usar a tempo.

Tem um tempo que eu replanto vários temperos aqui em casa pra ter mais uma ou muitas vezes. É bem fácil, normalmente é só deixar em um copinho com água até criar raízes e depois replantar. É daquelas magias da natureza que só ela explica, porque mesmo o alho poró que você guardou na geladeira, brota. É incrível.

Como replantar alho-poró, salsão, cenoura, alho, cebola


Esses temperos que não são "arvorezinhas" normalmente crescem as folhas outra vez se você colocar a parte da raiz na água. Eu faço sempre sempre com alho poró e já fiz com salsão. O segredo, pra mim, é trocar a água todo dia, pra raiz não apodrecer. Corte a parte que você vai comer deixando um tanto pra criar as novas mudinhas.

Salsão depois de uns 5 dias na água.


Coloque num copo com água e troque a água todos os dias. 

Alho poró depois de uns 10 dias na água

Quando começar a crescer, você pode transplantar pra um vaso com terra preta.

Depois disso você precisa cuidar de acordo com as necessidades daquela plantinha, então veja quanto de água e sol ela precisa. :)

Como replantar manjericão, hortelã, alecrim, orégano, tomilho


Esses temperos são tipo arbustos e a mudinha é feita de um jeito diferente. Pegue galhinhos de uns 10 ~ 15 cm da planta e tire as folhas do comprimento, deixe só as mais de cima. Corte o caule perto de um nó (sabe aquelas divisões do caule?). Esse nó precisa estar no final do galhinho porque é dele que vão surgir as raízes novas.

Depois de uns 3 dias, tinha uma raiz de menos de 1cm.

Depois de uns 10 dias na água, olha essas raízes!

Depois de uns 7 dias as raízes vão ter surgido e você pode colocar as mudinhas em um vaso com terra. Você pode deixar mais tempo também, o importante é não ser uma raiz muito pequena, senão ela vai ter dificuldade de nutrir a plantinha na terra.

Autonomia na hortinha! Você já fez isso em casa? Deu certo? Conta aqui nos comentários! :)

Pra ler mais:


_ Como ter uma horta em apartamento (aqui)
_ Dicas sobre horta no Herbivora (aqui)
_ Esse vídeo que ensina como cultivar plantinhas com as frutas que você come (aqui)
Além de não precisar na maioria das vezes (sério!), dá pra usar cascas e talos pra fazer caldo de legumes, vinagre e desinfetante natural. Você aprendeu que precisa jogar as cascas fora e inclusive que muitos vegetais só tem uma parte pequena que dá realmente pra comer, como brócolis e couve-flor. Acertei?

Mas tem muitos problemas em cozinhar assim, porque a gente deixa de comer muitas vitaminas e minerais (que normalmente são mais concentrados nas cascas dos vegetais) além de desperdiçar alimentos e nosso dinheiro.

Aqui em casa eu cozinho quase tudo com casca, porque faz parte da minha responsabilidade não jogar alimentos fora. É e sempre foi um assunto muito sério pra mim, já que tem tanta gente que passa fome nesse mundo, é feio demais jogar comida fora porque a gente não guardou direito, comprou mais do que podia comer, esqueceu e não se planejou.

No Brasil, são desperdiçados cerca de 40mil toneladas de comida por dia (aqui). É comida demais jogada fora. Apesar de não ser em casa o maior problema (é na produção e no transporte onde mais se perde), a gente pode diminuir esse número com algumas coisas simples como não jogar as cascas fora.

COMA COM CASCA MESMO

Esse bolo LINDO de banana e abacaxi da Bela Gil tem na receita bananas COM CASCA. Ó a receita aqui.

Muitos vegetais podem ser consumidos com a casca, não precisa tirar. Como: cenoura, abóboras, abobrinha, berinjela, batatas (doce inclusive), frutas. É só lavar bem com uma escovinha e sabão, enxaguar e pronto! Dê preferência por alimentos orgânicos sempre.

FAÇA CALDO DE LEGUMES DAS CASCAS QUE NÃO DÁ PRA COMER

As cascas dos vegetais que guardei pra fazer caldo. Tem: casca de cebola, alho e alguns talos como couve-flor.

O caldo de legumes (olha essa cor!) feito de cascas -- rendeu mais que o dobro disso, que eu usei pra uma sopa na hora.

Algumas cascas não dá pra comer mesmo, como a casca da cebola, do alho. Mas dá pra usar todas elas pra fazer um caldo de legumes gostoso e rico em nutrientes. Você só precisa ir guardando as cascas em um potinho ou saquinho e manter congelado até encher. Daí é só cobrir com água em uma panela e ferver por cerca de 40min. Use esse caldo em sopas, risotos, no lugar da água de cozimento, pra fazer molhos, etc. Vai ter MUITO sabor e MUITOS nutrientes.

FAÇA VINAGRE DE FRUTAS

Dia 3 do meu futuro vinagre de abacaxi!

Dá pra fazer vinagre em casa usando cascas de frutas que você ia jogar fora! É só cobrir as cascas com água, colocar açúcar e esperar fermentar e virar vinagre. É simples, você faz seu vinagre custando quase zero e não desperdiça nem as cascas nem o plástico que você ia comprar. A receita tá aqui.

FAÇA DESINFETANTE DE FRUTAS CÍTRICAS

Desinfetante feito de cascas de bergamotas. <3

Dá pra aproveitar cascas de frutas cítricas pra fazer duas receitas bem fáceis de desinfetante natural. A primeira eu já falei aqui, é só cobrir as cascas com vinagre (eu usava o de álcool, mas agora vou usar o de frutas feito em casa) e deixar por umas duas semanas. Os óleos essenciais da casca vão deixar um cheirinho cítrico no vinagre que você pode usar pra limpar tudo em casa.

A segunda receita é da Neide Rigo (vocês conhecem? Mulher mais-que-maravilhosa). É só bater no as cascas no liquidificador com água e depois filtrar. Essa receita é um desengordurante, na verdade. Clica aqui pra ler direitinho a receita e como fazer. :)

E depois que a gente esgotar os nutrientes e usos de todas essas cascas, tudo vai pra composteira. Clica aqui pra saber o que é se você ainda não sabe. :)
Você já sabe que eu uso vinagre pra uma porção de coisas aqui em casa, né? Ele é o rei da limpeza natural (aqui), faço desinfetante (aqui) e uso depois do xampu sólido natural pra deixar o cabelo soltinho e brilhante (aqui). Mas eu compro vinagre em embalagem de plástico, porque não tem a granel pertinho de mim e essa embalagem tem me incomodado muito nas últimas semanas.

Foi aí que lembrei de uma receita de vinagre de maçã do blog Zero Waste Chef, da Anne Marie (aqui). Eu fiz faz alguns meses já, mas tinha esquecido dentro de um potinho na geladeira (não me pergunte, haha). Essa semana eu abri e a minha surpresa foi que o cheiro era perfeitamente de um vinagre de maçã. Então eu decidi que não vou mais comprar vinagre a partir de agora, vou sempre fazer! :)

Essa receita é de maçã porque foi a fruta que testei até agora, mas dá pra fazer de basicamente todas e usar os restinhos das frutas que você come em casa. Já pensou em um vinagre de manga ou abacaxi? :) E o mais legal é que essa receita é barata, fácil e rende litros de vinagre. Assim a gente aproveita o lixo orgânico da cozinha e economiza em embalagens de plástico.

A mistura no primeiro dia – lembre-se de cobrir com um paninho!

Você vai precisar de:

  • Cascas e miolos de cerca de 6 maçãs (aproveita pra fazer uma torta com as frutas)
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • Cerca de 2 litros de água (sem cloro, filtrada)

A Anne Marie dá a dica de que essas medidas são uma base, mas não tem muito erro quando a gente fala de fermentação. As bactérias presentes nas maçãs fazem a fermentação acontecer e o açúcar (da fruta e o adicionado) alimenta o processo.

Se você só tiver água não-filtrada da torneira que tem cloro, antes de começar coloque a água em um pote / recipiente aberto e deixe um dia assim – melhor se pegar sol. O cloro, que pode naturalmente matar as bactérias que fazem a fermentação, vai se dissipar.

Como fazer:
  1. Coloque os restos de fruta, o açúcar e a água em um pote, jarra, etc. O pote não pode ficar fechado, diferente dos outros fermentados que não podem entrar em contato com o ar. Pra fazer vinagre, precisa. Mas, pra evitar bichos, coloque um tecido preso com um elástico na boca do pote.
  2. Durante os próximos dias, lembre de mexer várias vezes a mistura. Pelo menos uma vez ao dia, mas quanto mais melhor porque vai ajudar a aerar a fermentação e prevenir a criação de mofo. 


  1. Aos poucos a mistura vai começar a criar bolhas (fotos) e aí dá pra mexer só uma vez ao dia – mais ou menos 1 semana. Não tem receita exata, você tem que dar uma olhadinha todo dia na mistura.
  2. Quando começar a sumir as bolhas, o vinagre vai estar pronto. Esse processo vai durar mais ou menos uns 15 dias, conforme a temperatura onde você vive: se for mais quente (média de 30ºC), vai ser mais rápido.
Foto da Anne Marie, do Zero Waste Chef, filtrando o vinagre. 
  1. Filtre o conteúdo com um paninho e voilá! Seu vinagre está pronto. :) Composte o resíduo e guarde em garrafas fechadas, vai durar muitos meses – não precisa se preocupar com a validade, com o tempo ele fica ainda mais ácido. Pra prevenir que os potinhos explodam de gases, abra frequentemente, algo como uma vez ao mês. 

Vamos fazer vinagre em casa e usar menos plástico a partir de agora também? Me contem se deu certo e se vocês fizeram com outras frutas.
* Esse post foi gentilmente patrocinado pela Ecojoias Carol Barreto.

É vendo a beleza de plásticos de embalagens de amaciante, shampoo e latinhas de alumínio que a Carol Barreto transforma esses objetos que seriam descartados em ecojoias como colares, brincos e pulseiras reutilizando os materiais em um processo que a gente chama de upcycling. É um trabalho delicado, slow, sob encomenda e que precisa de um processo de garimpo dos materiais e de abrir os olhos pra enxergar mais que um potinho que iria pro lixo.

Foi assim com aquela bolinha do desodorante roll-on que se transformou no Colar Uno e que me deixou enlouquecida quando vi no Instagram dela. Eu já acompanhava fazia um tempo, mas quem me conquistou foram as bolinhas e saber de onde elas vinham.

As peças que recebi* foram feitas especialmente pra mim com materiais que seriam descartados e transformados em produtos lindos. As peças são cortadas artesanalmente usando técnicas de ouvires, são bem acabadas e são leviiinhas. Os brincos são feitos de aço inoxidável pra não dar alergia (sou super alérgica e não tive nenhum problema!) e toda peça vem com tags explicando a origem e o percentural do material que é de reuso. :)

Brincos Uno feitos especialmente pra mim, menorzinhos.

1. Conta um pouco sobre você e sua história. :)

Quando ainda bem nova, eu montava algumas bijuterias para meu próprio uso, sempre gostei de brincos com um lado diferente do outro, mas era bem difícil encontrar algo assim para vender, então comprava conjunto de colar e brincos iguais, e como o pingente do colar era sempre maior, eu desmontava tudo e assim criava meus brincos com um lado maior do que o outro.

O ano de 2005 foi o ano em que a empresa onde eu trabalhava faliu e fui obrigada a trancar a faculdade de biologia. Me vi fazendo bijuteria e vendendo para as amigas como uma forma de renda extra.

Um dia olhei para o lixo seco que eu separava para o catador do meu prédio, e uma garrafa pet dourada de refrigerante me chamou a atenção, achei ela linda demais e pensei no que eu poderia transformá-la, e adivinha o que nasceu dali? Brincos lindos e junto com eles nascia a minha marca. Da garrafa pet dourada para as garrafas transparentes e em seguida para as latinhas de bebidas foi um pulo. Comecei tudo sozinha, com técnicas bem manuais e arcaicas, e com o dinheiro das vendas fui me especializando com cursos de joalheria e moda.

Colar Uno feito com embalagem de desodorante e lata de alumínio com 80% de upcycling.

2. Qual foi sua influência na hora de criar a marca?

Eu sempre fui aquela carioca da gema mesmo, que ama estampa e cores fortes até mesmo no inverno, de chinelo no pé e um par de biquínis sempre dentro da bolsa. Não suporto roupa desconfortável, sapato apertado e acessórios pesados. A Ecojoias é o reflexo disso tudo, tem uma pegada bem regional, que respira o dna brasileiro.

3. Como é o processo de produção das peças?

Todas as Ecojoias são feitas artesanalmente, com técnicas próprias e de joalheria.
Desenvolvo uma coleção por ano, sem seguir tendências nem estações, cada coleção é criada com base nas minhas experiências pessoais como viagens, sabores, lembranças de infância. As inspirações podem surgir do formato de um barco a vela, das folhagens, aves e até de algum prédio ou arquitetura.

Desenho as peças primeiro e depois monto os protótipos (alguns em papel cartão) para então confeccioná-los no material escolhido que pode ser em plástico, alumínio ou outro material. Esse processo do desenho até a peça final, pode durar 40 minutos ou 2 anos. Dependendo do projeto a peça pode dar super certo ou não ter um resultado final bacana, aí ela fica de molho.

Para cada uma existe uma técnica específica e um tratamento diferenciado, mas todas são tratadas com a mesma importância de um metal nobre: são separadas por tipo, espessura e cores, onde cada pedacinho não usado é destinado a reciclagem.

Não trabalhamos com estoque, as peças são feitas sob encomenda, com isso o cliente pode personalizar a sua peça, escolhendo a cor e tamanho que desejar, e ainda pode escolher peças de coleções mais antigas, que não saem de produção, deixando o consumidor livre para comprar quando desejar, sem a pressão de seguir temporadas.

Gargantilha Eclipse feita com reaproveitamento de plásticos.

4. De onde são os materiais utilizados?

Tenho parceria com algumas empresas que separam as latas de bebidas e garrafas pet em grande quantidade, mas a maior parte da matéria prima das Ecojoias vem de produtos domésticos como embalagens de amaciante, frascos de shampoo, produtos de limpeza. É um trabalho de formiguinha, recebo doações dos vizinhos do atelier, de amigos e dos próprios clientes das Ecojoias.

Existe um trabalho de conscientização ecológica depois que o cliente toma conhecimento do conceito e do material utilizado nas peças, ele nunca mais olha para o seu "lixo" da mesma forma, ele passa a ver valor e beleza nas coisas que descartamos diariamente.

Bracelete Gladiadora feita de garrafa pet e fio de algodão.

5. Qual a reação das pessoas quando elas descobrem que as peças são de "lixo"?

O bacana é que ninguém percebe que o material vem do lixo, não dá pra criar uma peça, olhar para ela e ainda ver o material de descarte ali, fica over. Por isso todas as peças acompanham uma tag explicativa sobre o material utilizado e também a porcentagem dele.
Uma das coisas que mais amo nessa vida, talvez a que eu realmente mais ame nessa vida é ler. Troco filmes e séries facinho por uma pilha de livros, sou completamente apaixonada. E, por ser designer, amo um livro físico, com um projeto gráfico incrível. Só que, com essa empreitada lixo zero, comecei a pensar na possibilidade de não comprar tantos livros, ter versão digital deles, essa coisa toda. E aí eu comprei um kindle que mudou a minha vida. Acho super confortável de ler, é prático, barato (livros digitais são normalmente mais baratos), dá pra levar centenas de livros em só 200g na bolsa.

Mas, eu realmente tenho livros demais, uns 80. Mesmo sem ter comprado muitos livros depois de começar o blog, depois do kindle comecei a pensar que só quero manter comigo: 1) livros que amo e releio de vez em quando 2) livros de consulta, como os de receitas 3) livros raros ou especiais. Outros livros eu posso ler e depois passar pra frente. Gosto de dar livros que já li e foram incríveis pra outras pessoas que sei que vão se identificar com eles.

Livro que recebi em uma troca feita no Skoob, a edição de janeiro da Tag Experiências Literárias :)

E aí eu descobri um outro jeito de trocar livros, pelo Skoob e queria muito compartilhar aqui pra mais gente usar. Não só é legal porque a gente mantém aquele livro em movimento, garantindo que a energia usada pra fazer e transportar ele até você tenha valido a pena, como é um jeito barato de ter livros, já que o único custo que você tem é na hora que envia seus livros. ;)

O Skoob é uma rede social de livros e leitura que eu uso tem uns oito anos já. Eu coloco tudo o que eu leio lá no meu perfil e adoro ver as listas de livros lidos no ano, meta de leitura, etc. Existe uma funcionalidade no site que chama Skoob Plus, que serve pros usuários trocarem livros mas que eu nunca tinha nem investigado nem usado até um tempinho atrás.

COMO FUNCIONA


  • Você cadastra os livros que você quer trocar. Dá pra colocar foto, descrição do livro e o valor. O valor é em créditos, não reais. Livros normais custam $1 e livros mais especiais, capa dura ou mais raros, $2 ou mais.
  • Você espera alguém que queira seus livros entrar em contato. Aparece uma solicitação e assim que você aceita, os dados de envio da pessoa aparecem. Aí é só embalar (com o mínimo de papel possível pra poder ser reciclado), ir aos correios e mandar o livro (tem um tipo de envio pra livros que é mais baratinho, nenhum dos que enviei deu mais de 9 reais).
  • Depois de você enviar 2 livros, você pode pedir um. Você vai ter $2 ou mais créditos agora. A busca não é lá muito boa, mas pra mim ajudou ter alguns títulos marcados como Desejado, tem uma aba especial pra esses. Ah, e eventualmente alguém vê que você quer esses livros e manda uma mensagem pra você, avisando que ela tem pra trocar.
  • Pronto! Aí é só esperar. :) O mais legal é que como a troca é em créditos, você pode mandar qualquer livro e receber qualquer também. Eu mandei já 4 livros e recebi 1 (tô querendo uma trilogia que tá difícil de achar pra troca).
  • Depois que você recebe o livro, as duas pessoas se dão uma nota. Então é legal de ver a reputação da pessoa de quem você tá solicitando o livro. ;)

PRA LER MAIS E ENTENDER MELHOR

_Como funciona o Plus do Skoob com todas as instruções deles, aqui.

Eu não gosto de passar hidratante, cês já sabem né? No rosto eu até desgosto menos, porque temo o hábito de passar algum óleo vegetal ou hidratante antes de dormir, aí não fico o dia inteiro melada. Mas no corpo, minha gente, é difícil demais eu lembrar e me esforçar pra fazer isso.

Aí eu fiz aquela receita (maravilhosa) do hidratante natural só com óleos e manteigas vegetais que foi um sucesso, muita gente fez também! E muita gente comentou que era muito oleoso. Bom, são óleos e manteigas vegetais, não tem como ser muito diferente. Era o que eu achava, porque foi com a Eliz do Cosmetologia Orgânica que eu descobri que alguns óleos e manteigas têm velocidade de absorção diferente na pele – além de fatores como refino, qualidade da matéria-prima, etc.

E então eu queria uma receita que fosse menos sofrida de usar, porque eu sigo detestando passar hidratante. E descobri a manteiga de manga, que além de ser brasileira, tem um toque aveludado quando a gente passa na pele, diferente do óleo de coco, por exemplo. Fiz uma pesquisa e fiz essa receita super fácil que resultou numa manteiga corporal ótima pra usar no verão e em lugares quentes e/ou por pessoas que também tem aflição daquele toque super melecado dos hidratantes.



AS MANTEIGAS E ÓLEOS USADOS


Manteiga de manga: manteiga obtida do caroço da manga, tem um cheiro característico super doce, cor levemente amarelada. É suavizante, calmante e hidratante. Tem um toque não-oleoso, aveludado.

Óleo de abacate: hidratante, calmante e suavizante. O óleo de abacate é uma alternativa mais barata e que tem produção nacional ao óleo de jojoba e azeite de oliva. Ambos são ricos em vitamina E e tem uma absorção muito boa pela pele.

Óleo de calêndula: provavelmente não é óleo vegetal da calêndula (pelo que conversei com a Eliz, não existe mesmo!) e sim uma infusão de algum óleo vegetal com as flores da calêndula, que tem ação antiinflamatória, cicatrizante. 

Esses três ingredientes foram escolhidos por mim porque além da manteiga de manga e do óleo de abacate garantirem um toque menos oleoso, mais confortável, eles também são ingredientes perfeitos pra quem tem uma pele sensível, que é meu caso.

COMO FAZER


Você vai precisar de:

  • Cerca de 30g de manteiga de manga
  • 15ml de óleo de abacate
  • 15ml de óleo de calêndula
Como fazer:


  1. Coloque todos os ingredientes em uma vasilha de vidro.


  1. Bata com uma batedeira até emulsificar bem os óleos. Não precisa esquentar e derreter, o que garante as qualidades dos óleos intactas, porque eles não são durinhos como a manteiga de cacau.

  1. Guarde em um potinho de vidro esterilizado, de preferência escuro. Eu coloquei em um potinho com válvula, mas depois de uns dias a mistura ficou mais durinha e tive que derreter tudo em banho maria e colocar em outro potinho de vidro, então fica a dica de não usar um potinho com válvula (não importa a temperatura onde você mora, tava 40ºC aqui e não ficou mais líquido não)!

PRA LER MAIS:



→ Quem for no Workshop de Beleza Natural aqui em Floripa, vai levar pra casa um hidratante parecido, com manteiga de manga, manteiga de cacau e surpresas! Clica aqui pra saber mais. ;)
Oi! :)

Finalmente vou dar um workshop na minha cidade, Floripa. Esse workshop é um convite a redescobrir os cosméticos e tratamentos de beleza, com receitas feitas em casa, simples e eficazes. É um convite a uma vida com menos químicos, mais simples, com menos embalagens e mais saúde.

Os cosméticos comuns são produzidos com muitos químicos sintéticos comprovadamente nocivos. Passamos nossa vida toda absorvendo ou entrando em contato com detergentes potentes, conservantes derivados do petróleo, ingredientes potencialmente alergênicos sem saber que eles estão ali. Ter uma rotina de beleza natural é poder ficar livre de tudo isso. :)




VAMOS FALAR DE:


- O que precisamos pra ter uma pele saudável, muito antes dos cosméticos;

- Ingredientes nocivos mais comuns presentes nos cosméticos convencionais e por que evitá-los;

- As vantagens de se ter uma rotina de beleza mais natural;

- Sabonetes e como limpar a pele de forma menos agressiva;

- Tônicos faciais fáceis de fazer em casa;

- Como hidratar a pele com óleos vegetais;

- Como combater espinhas de forma natural;

- Outras formas de tratar a pele: máscaras e esfoliantes.


COMO VAI SER


Vamos conversar sobre os químicos nocivos presentes nos cosméticos comuns mais usados, aprender como identificá-los e evitá-los. Os primeiros passos pra ter uma pele boa que não envolvem cosméticos.

Depois, vamos sentar todos juntos pra cada um testar algumas receitas disponíveis enquanto eu for explicando como usar e manipular. Vou mostrar como fazer a receita da manteiga hidratante 100% vegetal que cada um vai levar pra casa.

O QUE VOCÊ LEVA PRA CASA


- Um caderninho com todo o conteúdo do workshop incluindo as receitas;

- Um potinho com cerca de 120g de uma manteiga hidratante multiuso (corpo & rosto) 100% vegetal.


INSCRIÇÕES

Inscreva-se aqui no site do Sympla ou aqui abaixo:

O primeiro lote vai até o dia 25/03 ou enquanto durarem os estoques.

A Bioart foi uma das primeiras marcas naturais que conheci quando comecei a procurar por isso. Na época eles tinham menos produtos, mas todos pareciam muito legais – principalmente por usarem argila na composição, que faz com que esses produtos tenham função terapêutica também.

Recebi alguns produtos de presente e aproveitei pra fazer uma entrevista com a criadora da marca, a Soraia Zonta. Ela é especialista em desenvolvimento de formulações de cosméticos pela Associação Brasileira de Cosmetologia e criou a Bioart por ter uma pele muito sensível. Ela não encontrava produtos pra usar e resolveu criar a própria marca de maquiagens e cosméticos naturais, orgânicos e veganos. E já ganhou prêmios como “Homenagem Jovem Empreendedora Beleza” da Ecoera e Vogue 2015 e o “Prêmio Mulher de Negócios: Categoria Ouro” do Sebrae 2015 - 2016.

Além das maquiagens, a Bioart também tem perfumes, sabonetes, hidratante pro rosto e máscaras de argila. Lê até o final porque tem: minha opinião sobre os produtos que testei (lembrando que não sou expert em maquiagem, é minha opinião como usuária comum, assim como você!), todas as perguntas sobre a história da marca e também as perguntas dos leitores lá do nosso grupo do Facebook que falam sobre o valor final dos produtos, os conservantes e a preocupação com o descarte das embalagens.

Máscaras de argila dourada e roxa

Os produtos que testei

Rímel: foi o primeiro rímel natural que testei. Não gostei, achei que ele é leve demais, quase não sinto diferença. Além disso, senti que ele derrete muito rápido e costuma borrar e sair fácil - talvez seja porque em Floripa é super úmido. Faz bastante tempo que comprei, talvez a formulação tenha mudado, mas não testei o novo.

Base: adoro o cheiro da base, que é bem doce e lembra baunilha. Mas a cor não é a certa pra mim, que sou bem clara e rosada. A base tem aquele tom amarelado - bem brasileiro - e é um pouco mais escura que minha pele. Apesar de que você pode esfregar bem com a mão ela no rosto que ela fica um pouco mais clara. A cobertura é bem bem leve.

Primer: gosto bastante da textura que o primer dá na pele. Realmente dá aquela "aveludada". É muito bom pra usar sombra de pó solto depois, fica bem grudadinho.

Sombras: eu fiquei impressionada com as cores e brilhos das sombras. Minha preferida é a sombra iluminadora, que praticamente não tem cor, é só brilho. Minha vontade é passar no corpo todinho, hehe. O único problema é que elas são pó solto, que faz uma bagunça maior (na minha opinião).

Blush: uso o blush terracota que tem uma cor super bonita. Ele é bem pigmentado. Não me acostumei muito bem com a embalagem, que tem uma esponjinha pra passar direto porque prefiro passar tudo com pincel.

: fazia um tempão que eu não usava pó. Eu adorei esse, porque senti que ele tem uma cobertura legal e, principalmente no verão, dá pra usar primer + pó no lugar de base. É mais leve e controla aquele brilho de suar muito.

Máscaras de argila: as máscaras de argila vem prontas pra usar, com argila + óleo vegetal. São vários tipos, várias cores. A ideia é muito legal, já que é só passar. Eu confesso que prefiro fazer a mistura na hora com a argila e adicionar óleo essencial, vegetal ou outra coisa conforme a necessidade.

Base super cheirosa e Primer

1. Como surgiu a Bioart?

A Bioart surgiu a partir de um sonho e de uma necessidade pessoal. Tenho a pele muito sensível e alérgica.  Após trabalhar 8 anos na área de matérias primas naturais e orgânicas para cosméticos, percebi o quanto o Brasil estava distante em desenvolver maquiagens ecológicas e foi então que resolvi me dedicar em ser pioneira a criar minha própria seleção de maquiagens ecológicas e que pudessem trazer benefícios de tratamento a pele sem causar alergias.

Comecei idealizando e criando os produtos que eu mais queria usar e não encontrava no Brasil. Esses primeiros desenvolvimentos e criações ocorreram em parceria com laboratórios internacionais que fornecem ingredientes naturais e orgânicos com rastreabilidade e testes clínicos.

2. Qual o diferencial dos cosméticos da bioart de outras marcas?

Argila certificada em granulometria especial, fábrica própria que preza princípios de sustentabilidade desde a seleção de ingredientes até a produção final e processos aplicados na fábrica, enquanto muitas marcas produzem seus cosméticos em outras fábricas terceirizadas.

Rastreabilidade dos ingredientes para garantir que nenhum ingrediente foi testado em animais. A pioneira no Brasil a criar e fornecer refil para maquiagem para poder impulsionar o consumo consciente de reutilização de embalagens. Produtos naturais orgânicos e veganos, conhecimento sobre o processo de extração dos ingredientes na natureza.

Além da preocupação com os ativos, a Bioart se preocupa na forma de extração dos ingredientes no meio ambiente de forma sustentável. Este é um grande diferencial, realmente pesquisar a fonte e os processos para obtenção de ingredientes. Exemplo: muitas empresas utilizam argila. Mas quando pesquiso a fonte, descubro que são argilas extraídas sem garantia de reprodutibilidade e sem manutenção do solo e das plantas ao redor.

A Bioart utiliza argilas de fonte validada pela Ecocert que garante que todo processo seja ecologicamente correto. Posso lhe garantir, pois fui co-criadora da única empresa do mundo que fornece argilas e realmente apresenta todos os requisitos de sustentabilidade, além de testes clínicos que comprovam seus benefícios. Os demais ingredientes utilizados também passam por uma seleção bem criteriosa, pois não basta ser natural. Precisa ser natural e preservar toda a cadeia sustentável.

3. Quais ingredientes que os cosméticos da bioart têm e quais são seus benefícios pra pele?

Essa é a parte que mais me encanta falar. Os benefícios são os que mais devem ser divulgados, pois maquiagem convencional pode obstruir os poros, promover aumento de espinhas e manchas por conta das toxinas e ainda envelhecer a pele.

A Bioart utiliza ingredientes ativos Biomiméticos. Isso significa que imitam naturalmente a composição da pele. Isso faz com que a maquiagem possa receber: hidratação, remineralizacão, aumento de elasticidade, controle de oleosidade, prevenção de rugas, entre outros.

O blush terracota e o pó facial na mesma embalagem que já vem com aplicador

4. Qual o processo de criação dos produtos?

A criação de um produto da Bioart sempre nasce de um sonho de fazer um produto diferente do que já tem no mercado. Se vamos criar um pó facial ele precisa ser diferente, trazer resultados diferentes e ser especial para muitas pessoas. Se criamos uma máscara de argila com ingredientes da Amazônia, procuramos a melhor argila e os melhores ativos em alta concentração para que se possa manter todos os ativos em um pequeno pote. Não pensamos em vender produtos em grandes potes onde os ativos são diluídos para serem mais baratos.

Ouvimos muito a necessidade das clientes Bioart, o que elas sonham, desejam e tem dificuldades para encontrar e aí então, se for possível dentro da linha de natural orgânico, vegano e sustentável nós vamos criar.

5.  Como vocês veem esse movimento da beleza natural e mais consciente aqui no Brasil?

O movimento da beleza natural e orgânica está crescendo. Quando iniciamos em 2010 era ainda um sonho distante, as pessoas não tinham a informação correta e comparavam um produto natural e orgânico com marcas que usam nomes de naturais e não são verdadeiramente naturais.

Outras pessoas ainda têm dificuldade de entender que um produto natural e certificado pela Ecocert não são caseiros ou artesanais e sim que são produtos com muita pesquisa e desenvolvimento em tecnologia verde.

Dúvidas dos leitores do UASL feitas lá no nosso grupo do Facebook:


1. Quais são os conservantes usados nos produtos de vocês (principalmente por conta da argila)?

Nossos conservantes naturais são: Citrus reticulata fruit extract (conservante natural utilizado para conservantes de amplo espectro); Glyceryl Caprylate (conservante natural validado pela lista EcoCert); Citrus aurantium dulcis oil; Tocopherol (vitamina E antioxidante);

Óleos Perfumados – Por se tratar de produto de caráter oleoso (óleos essenciais que auxiliam naturalmente na preservação do produto) além de antioxidante.

Blush, Pó e Sombras – Não possui conservantes por se tratar de pós naturais com características que não favorecem o crescimento de micro organismos. Não possui água como cremes, pó compacto, pasta que são fórmulas que precisam de conservantes.

2. Os produtos são livres de glúten e seguros para celíacos?

Nossos produtos são isentos de glúten e derivados.

As sombras que são lindas e brilham muito e são feitas de mica

3. O que vocês usam pra dar brilho / purpurina nos produtos? É biodegradável? 

Usamos micas, que são pigmentos minerais. Quando empresas naturais e orgânicas usam cores nos produtos, essas cores são de micas minerais aprovadas. As que usamos têm qualidade certificada pelo Ecocert e garantia de controle de que não causam alergias. Os corantes sintéticos, purpurina ou glitter [usados nos cosméticos convencionais] muitas vezes vêm da China e são tóxicos.

A Bioart é uma das únicas marcas do mundo que usa a argila como redução de micas, pois a argila tem um potencial maior para tratamento. A maioria das empresas usam apenas o pigmento das micas.

4. As pessoas sempre querem saber e entender o valor final dos produtos. Por que eles têm esse preço?

São vários itens que fazem um preço de um produto e tudo isso é ligado diretamente a qualidade e certificações. As argilas da Bioart por exemplo, são da única fonte certificada do mundo, que tem um custo altíssimo. A maioria das empresas vem de uma fonte não sustentável. Neste artigo falo deste processo.

Utilizamos o óleo de semente de uva certificado orgânico, enquanto outras empresas que pesquisamos no Brasil, usam um óleo de uva comum e super barato. A maioria das empresas que nós pesquisamos utilizam ingredientes sem justificar a fonte, a Bioart tem uma grande preocupação em pegar um produto de fonte renovável, certificada e com rastreabilidade. Encontramos muitos ingredientes que são testado em animais e são produtos naturais e que se dizem veganos, mas na rastreabilidade é onde detectamos que fazem o teste em animais. Não queremos fazer comparação dos nossos produtos com os demais, mas esta é uma forma de explicar a diferença.

Foram anos de pesquisas para chegar nestes ingredientes, um trabalho de desenvolvimento que envolve países como França, Italia, Japão, então isso requer também um investimento muito alto.

Outro exemplo: uma máscara de argila que vem de uma fonte que faz um monte de buraco na natureza, uma fonte com nenhum teste clínico e se compra por R$10,00 o quilo é diferente das argilas da Bioart, que vem de uma fonte totalmente renovável, onde pagamos em torno de R$100,00 o quilo, uma grande diferença, mas garantimos que não destrói a natureza, e a reprodutibilidade.

Também utilizamos os ativos das oliveiras para substituir os silicones e os petrolatos. São ativos muito especiais, com origem italiana, certificados, conhecemos as fontes e todo o processo de produção.

Outra questão é que a certificação também tem custo, ou seja, pagamos a EcoCert para a vistoria da nossa fábrica, ela tem como lei que sejamos biodegradável, principalmente na produção dos produtos, nossa fábrica tem controle de sustentabilidade que é muito mais caro na produção, sendo que a maioria das empresas não tem fábrica própria. Ou seja, manter uma  estrutura fabril sustentável é muito mais caro que uma estrutura de fábrica comum.

Sobre as maquiagens, não existe maquiagem natural e orgânica no mundo, feita com as argilas micronizada (custo bem elevado de matéria prima) sem que os produtos sejam caros, porque a matéria prima é cara.

Para nosso sabonete, não usamos nenhum tipo de fragrância e sim óleos essenciais de fonte orgânica reconhecida, utilizamos extratos aromáticos que vem dos Estados Unidos, que tem um controle de qualidade excelente e nenhuma empresa no Brasil usa, somente nós.

As embalagens das máscaras de argila


5. Qual a preocupação de vocês com o descarte das embalagens?

Nossa grande preocupação é de não gerar muito lixo, em questão disso somos a única empresa do Brasil que faz Refil de maquiagem e utiliza muito o vidro. Quando é impossível utilizar vidro, por não existir embalagem de maquiagens disponível, utilizamos um plástico que é reutilizado e pode ser descartado em lixo plástico.

Temos o refil de tudo, para que a pessoa tenha aquela embalagem por anos e geralmente tentamos fazer a embalagem resumida, pequena, porque isso causa um impacto também, quanto maior o tamanho da embalagem, maior o volume para transporte.

Temos a preocupação em fazer embalagens menores e produtos não diluídos, altamente concentrados e que não geram tanto impacto. Nossa fábrica sustentável segue todos os princípios de sustentabilidade possíveis e as embalagens também.

Nós recomendamos bastante as outras empresas para que também façam refil, para não gerar tanto lixo, mas ainda não temos a alegria de que todos participem desta causa.