Já li muito sobre quais ingredientes são os piores na composição de cosméticos* e demorei pra formular uma lista final porque sentia que se ficasse listando, nunca iria acabar. Essa lista aqui não é baseada em achismos, mas em pesquisas científicas que comprovaram a toxicidade de alguns ingredientes e em resultados divulgados por algumas organizações independentes (links todos lá embaixo). Essa lista tem o nome do produto em inglês e em português e como é o nome usado na rotulagem de cosméticos de acordo com o INCI (International Nomenclature of Cosmetics Ingredients). Também tentei trazer os usos mais comuns (em quais tipos de cosméticos eles são mais facilmente encontrados) e quais os riscos encontrados nas pesquisas.

Tenha em mente que a ciência é uma coisa em movimento, então a todo momento surgem novas pesquisas mais conclusivas sobre os mais variados assuntos. Minha lógica é que, se há uma suspeita, eu prefiro evitar desde já porque posso. :)

Esses ingredientes são comuns em todo tipo de cosmético encontrado em farmácias ou mercados (inclusive os voltados pra bebês!), mas também em marcas mais tidas como naturais só pelo nome (Natura), marcas caras (La Roche Posey), marcas baratas (Vult, Avon), etc. Tá em tudo porque esses ingredientes são baratos. Os órgãos reguladores consideram seguro porque de acordo com eles a exposição é em pequena quantidade, mas sempre que eu penso que diariamente a gente usa uns 15 produtos e essa pequena quantidade é multiplicada por 15 vezes, acho que não deve ser tão ok assim. As leis ainda não mudaram porque são estudos recentes e porque bem, vocês sabem, essas marcas vão lutar para o contrário assim como acontece com os alimentos.

Minha intenção em mostrar esses assuntos é que você tenha autonomia pra poder ler no rótulo um desses nomes, saber que ele está associado ao câncer de mama e poder escolher não usar. Aqui no blog, na categoria beleza natural eu tenho algumas receitas pra você fazer em casa e substituir alguns cosméticos, além de indicações de algumas marcas de cosméticos naturais que não usam esses ingredientes da lista. Recomendo muito dar uma pesquisada no blog Tantas Plantas da Michele que tem reviews muito muito legais de muitos (mesmo) cosméticos naturais dos mais variados preços e marcas.

Foto: Joanna Kosinska via Unsplash

Amianto 

Cancerígeno, ligado a câncer de pulmão quando inalado. Encontrado em cosméticos como maquiagem em pó ou talco para bebês que contenham talc na sua composição. Normalmente é contaminante do talco e não um ingrediente em si.

BHA e BHT

(Butylated Hydroxyanisole, Butil-hidroxianisol) e (Butylated Hydroxytoluene, Butil-hidroxitolueno)
Usado principalmente em hidratantes e maquiagens como conservadores. Suspeitos de causar câncer (BHA) e interferir no funcionamento hormonal. Nocivos a peixes e outros animais e plantas selvagens.

Chumbo 

(Lead acetate ou lead)
Usado em cosméticos com alta pigmentação como fixador ou corante como tintas de cabelo e batom. Neurotoxina, cancerígeno e cumulativo no corpo, podendo causar intoxicação.

Coal tar dyes 

(corantes de alcatrão de hulha)
Procure por P-Phenylenediamine (P-Fenilenodiamina) em tinturas para cabelo e por cores identificadas como “C.I.” e seguidas por cinco dígitos em outros produtos**. Potenciais causadores câncer e podem estar contaminados por metais pesados.

** Pigmentos naturais e inorgânicos usados em cosméticos também usam o Color Index (CI) com números entre 75000 e 77000, respectivamente.

DEA, cocamide DEA, MEA e TEA 

DEA (Diethanolamine, Dietanolamina), cocamide DEA, MEA (Monoethanolamine, Monoetanolamina) e TEA (Triethanolamine, Trietanolamina)
Encontrado em produtos cremosos e que formam espuma, como hidratantes e xampus. Podem reagir e formar nitrosaminas que são causadoras de câncer. Nocivos a peixes e outros animais e plantas selvagens.

Dibuthyl Phthalate 

(Dibutilftalato)
Usado como plastificante em alguns produtos pra unhas. Tóxico para o sistema reprodutivo e pode interferir no funcionamento hormonal. Nocivo a peixes e outros animais e plantas selvagens.

Formaldeído e liberadores de formal

Formaldehyde-releasing preservatives (conservantes que liberam Formaldeído): Procure por DMDM Hydantoin (DMDM Hidantoína), Diazolidinyl Urea (Diazolidinil Uréia), Imidazolidinyl Urea (Imidazolidinil Uréia), Methenamine (Metenamina) ou Quaternium-15 (Quatérnio-15)
Usados em uma variedade grande de cosméticos como esmalte de unhas e shampoos. Libera uma quantidade pequena de formol muito devagar. Formaldeído é cancerígeno, causa dermatite de contato e enxaqueca.

Parabenos

Paraben (Parabeno), Methylparaben (Metilparabeno), Butylparaben (Butilparabeno), Propylparaben (Propilparabeno)
Parabenos são usados em todos os tipos de cosméticos como conservantes. Podem interferir no funcionamento hormonal. Associados ao câncer de mama.

Parfum 

(Perfume)
Usado mesmo em produtos "sem perfume". Mistura de compostos químicos (pode chegar a 5mil ingredientes!) que podem provocar alergias e asma. Alguns estão relacionados a câncer e neurotoxicidade. Alguns são nocivos a peixes e outros animais e plantas selvagens.

PEGs 

(Polyethylene Glycol, Polietilenoglicol)
Amplamente usado em condicionadores, hidratantes, desodorantes etc. Pode estar contaminado por 1,4-Dioxane (1,4-Dioxano), que pode causar câncer.

Petrolatos

Petrolatum (Petrolato)
Em produtos para o cabelo, protetores labiais, batons, produtos para a pele. Produto derivado de petróleo que pode estar contaminado por impurezas causadoras de câncer. Cria uma camada superficial que impede pele e cabelo de respirarem, obstrui os poros. Procure por Petroleum oil (Petróleo), Petroleum Jelly (Óleo de Vaselina), Petrolatum (Petrolato), Mineral oil (Óleo Mineral), Mineral Jelly (Geleia Mineral), Liquid Paraffin (Parafina Líquida).

Plásticos e plastificantes

Encontrado em produtos pro cabelo, esfoliantes e até pasta de dentes. Usado pra adicionar viscosidade e abrasão no caso das microesferas de plástico. Afeta os hormônios, ligado ao câncer. Absorvem toxinas e poluem água, animais selvagens, a cadeia inteira. Procure por Polyethylene (Polietileno), Polythene (Politeno), PE ou Phenoxyethanol (Fenoxietanol), Phthalates (Ftalatos).

Silicones

Siloxanes (Siloxanos): Cyclotetrasiloxane, cyclopentasiloxane, cyclohexasyloxane e Cyclomethicone (Ciclometicone)
Silicones usados em cosméticos para suavizar, alisar o toque, normalmente em hidratantes pra pele e cabelo. Podem interferir nas funções hormonais e causar danos ao fígado. Nocivos a peixes e outros animais e plantas selvagens.

Sulfatos

Sodium Laureth Sulphate (SLES, Lauril Éter Sulfato de Sódio) e Sodium Lauryl Sulphate (SLS, Lauril Sulfato de Sódio)
Em produtos que formam espuma como xampus, sabonetes líquidos, espumas para banho. Ressecam a pele e podem causar alergias e dermatites. SLES pode estar contaminado por 1,4-Dioxane (1,4-Dioxano), que pode causar câncer. SLS pode causar danos ao fígado. Nocivos a peixes e outros animais e plantas selvagens.

Triclosan

(Triclosano)
Em produtos bactericidas como cremes dentais, sabonetes, desinfetantes para as mãos. Pode interferir no funcionamento hormonal e contribuir para a formação de bactérias resistentes a antibióticos. Nocivo a peixes e outros animais e plantas selvagens. Pessoas com espinhas persistentes ao longo da vida podem ter alergia ao triclosan.

* Com informações do livro Skin Cleanse da Adina Grigore; da instituição canadense David Suzuki Foundation – What's Inside? That Counts: A Survey of Toxic Ingredients in Our Cosmetics; a tradução da Michele do blog Tantas Plantas dessa última; e do Quick Tips for Choosing Safer Personal Care Products d ONG americana Environmental Working Group.

Pra ler mais:

  • As listas de ingredientes tóxicos em cosméticos da Nyle do blog Lookaholic é bem completa, tem alguns que eu não cito aqui. Parte 1 e parte 2.
  • O ebook "Beleza Tóxica" escrito pela Nyle também é muito importante como leitura auxiliar. Clique aqui para baixar.
  • O Skin Deep da EWG (Environmental Working Group) tem um pdf com dicas de ingredientes a serem evitados (clica aqui pra baixar), além da plataforma ter um banco de dados imenso que você pode pesquisar item por item pra saber o que tem de pesquisas sobre.
Diminuir o lixo trocando o que é descartável por reutilizável é relativamente bem fácil, eu já dei algumas dicas simples por aqui. Mas, quando a gente fala de outras coisas, fica mais difícil de saber como diminuir o lixo e ser mais sustentável. Por isso, no post de hoje eu quero falar e dar dicas pra gente aprender a comprar roupas de forma mais sustentável. :)

Ter um guarda-roupa sustentável não é nem só comprar roupa usada, nem só não comprar roupa, nem só ter roupas feitas com algodão orgânico. Ter um guarda-roupas sustentável é ter aquilo que você vai usar e usar tudo aquilo que você tiver. É cuidar, é questionar e se preocupar.

Você não precisa comprar uma peça nova todo mês


Definitivamente não precisa. Eventualmente você precisa de um vestido novo, um casaco, umas blusas. Não todo mês. Não adianta parar de comprar de lojas fast fashion e continuar agindo com uma consumidora de fast fashion.

Crédito: Un-fancy

Avalie o que você já tem


Tire todas as suas roupas do armário e avalie uma por uma. Deixe só aquelas que você realmente ama usar. Aquelas que você fica confortável e se sente bem. Pergunte pra cada item que você já tem e repita essas perguntas quando quiser colocar algo novo no armário:


  • Eu me sinto bem vestindo essa peça?
  • Eu consigo usar ela em diferentes situações?
  • Eu consigo combinar com outras peças no meu guarda-roupa (as meninas da Oficina de Estilo sempre falam que tem que combinar com pelo menos três, bem diferentes entre si)?
  • Vai continuar sendo bonita em 1, 2, 5 anos?
  • É bem feita, de qualidade?


Iniciativas como a Roupateca e a Lucidbag, bibliotecas de roupas onde você aluga peças por alguns dias também são muito legais. A gente não necessariamente precisa ter aquela peça, pode usar por um tempo e depois devolver.

Compre menos e seja mais coerente


Compre menos. Simples assim. Será que não tem roupa suficiente no seu guarda-roupa pra ficar um ano sem comprar? A Jojo começou o Um Ano Sem Zara justamente com esse desafio e deu muito certo.

Desde que eu comecei o Um Ano Sem Lixo, eu tenho focado na construção de um armário mais sustentável, mas também minimalista. Talvez, depois de fazer uma super limpa no seu guarda-roupa deixando só o que você ama, você sinta zero necessidade de comprar algo novo por um bom tempo. Foi o que aconteceu comigo. ;)

Mas ó, minimalista não significa tudo sem estampa, tá? No meu caso, significa um pouco porque é o que eu gosto de vestir. Mas se você gosta de estampas, de cores vibrantes, também dá pra ter um guarda-roupas enxuto e minimalista com seu estilo (vale demais ver as inspirações no instagram da @oficinadeestilo).

Esse paletó lindo eu comprei em um brechó, viu?

O produto mais verde é aquele que já existe


Vou sempre bater na tecla que comprar usados é mais legal do ponto de vista ecológico porque é um produto que já foi produzido. Mas não adianta encher o guarda-roupas de peças usadas só porque é baratinho. E, às vezes, comprar uma usada de péssima qualidade é pior que uma nova mas de alta qualidade e que vai durar muito.

Pode ser em brechós, que tem cada vez mais uma variedade legal de peças; pode ser em sites como o Enjoei; pode ser trocando roupas com as amigas, mãe, irmã, primas. Bora colocar essas roupas pra rodar o mundo! A gente economiza dinheiro, embalagem e recursos usando algo que ficaria parado.

Procure por qualidade sempre


Qualidade. A gente sempre fala pra buscar roupas de qualidade, mas como faz isso na prática? Assim: vire a peça do avesso e veja se a costura tá bonitinha, se não tem fio solto. Quando o avesso é embutido, todo bonito como se nem estivesse do avesso, é sinal de super cuidado. Tecidos muito fininhos ou tricôs bem abertinhos costumam estragar rápido se você não lavar na mão.

Às vezes, qualidade é mandar fazer roupas. Aquela costureira super caprichosa que faz tudo direitinho, com molde e costura embutida, pode fazer uma blusinha que vai durar muito mais. E claro, marcas locais normalmente tem qualidade superior às de fast-fashion porque não são costuradas às pressas em metas malucas e desumanas.

Consuma consciente


Se preocupar com o produto também é importante. Se a gente conseguir comprar de marcas locais que produzam roupas de forma ética, sustentável, com tecidos de algodão orgânico e que sejam lindas e a gente goste, é quase como ganhar na loteria. Mas eu sei que nem todo mundo tem dinheiro pra comprar essas roupas, porque é mais caro sim – porque é mais justo, paga a cadeia inteira, não dá pra nenhuma blusinha custar R$19,90 sem estar sendo injusta em algum(ns) ponto(s) da cadeia produtiva. Por isso eu sou tão fã dos brechós e das peças usadas!

Se responsabilize pelo depois


No Brasil, não temos reciclagem de tecidos. O que significa, em suma, que as roupas que não são mais usadas vão pros aterros sanitários, sem chance de reciclagem. Por isso, mesmo que a tentação de comprar seja enorme, pense em quanto tempo essa peça não estará anunciada na sua lojinha do enjoei ou numa caixa de doações. O mínimo que podemos fazer é aproveitar muito bem aquela peça, usá-la até o fim da sua vida, para compensar todo o custo ambiental da produção e tingimento do tecido, do transporte, da manufatura, das lavagens, etc.

Viu? Tem um montão de coisas pra pensar e fazer antes de comprar uma roupa nova. Mas o mais importante é o trabalho interno, é se questionar. A origem do produto é importante, claro, mas dar um passo pra trás é ainda mais. :) Não consumir é muitas vezes o melhor jeito de consumir consciente.
O lugar que a gente mais produz lixo é, com certeza, a cozinha. Ali, onde tudo acontece, onde a gente prepara a comida pra quem a gente gosta, onde a gente faz o café-da-manhã, o almoço e a janta, muito lixo é gerado em sobras, cascas, restos de verduras. Mas também em papel-toalha, papel-manteiga, plástico-filme e papel-alumínio, muito comuns em todas as cozinhas brasileiras.

Produzir menos lixo dá mais trabalho em pensar soluções que realmente colocar elas em prática, viu. Eu cozinho desde que moro sozinha e por isso quase nunca tive esses papéis todos, porque comecei fazendo arroz, feijão e refogados de legumes. Nada que precisasse de muitos preparos, onde geralmente esses ajudantes se encontram. Mas também nunca senti que precisava deles e depois que comecei a prestar atenção no lixo, menos ainda. Eu até descobri soluções melhores! :)

Eles todos acabam não sendo recicláveis porque normalmente são sujos de muita gordura e restos de alimentos. Como ninguém limpa eles antes de jogar fora, sem chance pra reciclagem. No caso dos papéis, até poderia ser colocado na composteira, mas não em excesso (vê aqui as dicas do pessoal da Morada da Floresta sobre o que colocar na composteira)! Por isso é tão importante deixar de usar, pra não gerar um lixo não-reciclável, que não tem como ser usado de novo.

Eu asso muitas coisas em panelas com tampa mesmo! :)

Papel-alumínio


Ao invés de usar papel-alumínio pra forrar fôrmas, passa um óleo vegetal untando a forma. Ajuda MUITO a não grudar e ficar mais fácil de limpar. Se grudar muito, deixa de molho com água quente + bicarbonato de sódio (se for panela eu deixo no fogo fervendo uns minutos). Desgruda tudo. Ou, em casos mais difíceis, amolece o suficiente pra você escovar bem depois. ;)

Pra assar coisas que você envolveria em papel-alumínio na hora de assar: panela com tampa direto no forno! Só cuidado, tem que ser uma panela toda de inox, ferro, barro, que possa ir no forno. Eu já fiz legumes assados, abóbora cabotiá, etc. Funciona superbem, só tem que ter cuidado na hora de tirar a panela que fica SUPER quente. ;)

Guardanapos de pano no lugar de papel-toalha na cozinha

Papel-toalha


Esse é bem simples: use toalhinhas de pano no lugar! Você pode reaproveitar panos de prato mais velhinhos, manchados e gastos pra isso. Depois é só lavar com o sabão de coco e estender pra secar. :)

Pincel de silicone pra untar bem as formas e não precisar do papel-manteiga

Papel-manteiga


Vamos deixar de preguiça que desenformar bolo é bem fácil sem papel-manteiga: só untar bem a forma (eu uso um pincel de silicone lavável pra espalhar o óleo vegetal) e polvilhar a farinha antes de despejar a massa. Pra quem usa pra assar biscoitos, pode comprar um tapetinho de silicone próprio pra isso, vende em lojas de confeitaria. Pra papilotes salgados, use folha de bananeira! Nham.



Descobri depois que postei esse post que existe uma folha de uma árvore que a Neide Rigo (nutricionista, musa das PANCs, uma pessoa marabrilhosa) usa como papel-manteiga. A folha é de sete-copas (das fotos acima), uma árvore bem comum por todo o Brasil. Clica aqui pra ler o post que a Neide explica tudo. Fiquei super animada porque tem muitas árvores dessa perto de mim: só no meu condomínio são duas! Quero testar e em breve conto lá no meu Instagram como foi.

Pra quê plástico-filme se temos potinhos? :) Feijão e doce de banana feitos em casa!

Plástico-filme


Pra guardar comidas em potes, é só usar potes com tampas, ué! Nenhuma dificuldade. Eu uso potes reutilizados tipo de palmito, de molho de tomate e também aqueles tipo marinex. Tento não usar potes de plástico por causa do bisfenol. Pra proteger frutas, verduras cortadas ao meio, dá pra fazer ou comprar uns tecidos encerados. É um tecido com cera por todo ele que você colocar em um potinho e "molda" com o calor das mãos. Protege as comidas e é lavável. :) Clica aqui pra ver do que eu tô falando. Ou você pode ser oldschool como eu e colocar tudo dentro de potinhos com tampa também.


Fazia um tempão que eu queria ver o documentário Cowspiracy, mas ficava sempre com um pouco de medo de ser muito chocante. Eu sou super sensível a filmes e, por isso, não gosto muito de ver esses docs mais realidade real. Eu já sei o que vai dizer, mas sempre que eu vejo por 1:30 com imagens, fica ainda pior. Tudo isso pra dizer que foi um pouco o caso do Cowspiracy. Mas não porque tiveram muitas imagens de maus tratos aos animais, mas sim porque a realidade dói demais pra quem se importa.

Eu vou resumir o mote principal do documentário: a indústria da carne é a mais poluidora, maior emissora de gases de efeito estufa, maior responsável pelo desmatamento de florestas nativas como a Amazônia, maior consumidora de água do mundo – além de ser cruel com os bichos. Não dá, simplesmente não dá pra ser ambientalista e continuar comendo carnes e derivados animais sem lembrar que tudo isso causa muito (o maior) impacto no planeta. Na verdade, simplesmente não dá pra gente continuar comendo carne mesmo. Ambientalista ou não.



Logo no começo do documentário, em um momento que você espera que o Kip, apresentador, mostre como andar de bike, trocar as lâmpadas de casa e separar o lixo vá melhorar o mundo e seja, digamos, suficiente: você dá com a cara na porta. Ou com os burros n'água. Ele apresenta um relatório das Nações Unidas de 2006 (!), onde conclui-se que as emissões de gases que pioram o efeito estufa geradas na criação de gado para corte são maiores que todo o setor de transportes (ou seja: carros, aviões, barcos, trens do mundo todo).

1 hambúrguer = 3 mil litros de água = 2 meses de banho


Você até pensa: não, isso é mentira. E todo o combustível fóssil? O petróleo, os gases, o carvão mineral, os carros do mundo produzem MENOS gases do efeito estufa que CRIAÇÃO DE GADO? Como que a gente simplesmente não sabe disso?

A partir daí o documentário entra num looping em mostrar como nenhuma das ONGs de preservação ambiental que ele entra em contato (como Greenpeace, Oceana e outras locais) 1) sequer sabe os dados sobre criação de animais e como isso é nocivo pro planeta 2) não tem nenhuma informação sobre isso nos seus sites 3) não quer falar / gravar entrevista com o Kip sobre o assunto 4) é evasivo e passa vergonha falando muitas besteiras como se eles escolhessem um problema maior (normalmente combustíveis fósseis) sem contar com esses estudos da ONU que são apresentados pelos produtores do doc.

É bastante triste e revoltante como essas ONGs simplesmente IGNORAM que o maior poluidor do planeta seja a criação de animais. Achei essa parte tão triste que fiquei com a impressão que podia ser mais curta e a parte do final com soluções, mais longa, explicativa e com exemplos mais bem elaborados como é o Demain (que já falei aqui). Mas é importante pra gente perceber como existe certa incoerência em algumas questões nessas organizações.



A conclusão é bem óbvia: a criação de animais pra consumo humano e a pesca industrial está matando nosso planeta. Florestas nativas como a nossa floresta amazônica estão sendo desmatadas pra plantação de milho e soja quase que exclusivamente pra fazer ração pra vacas, porcos, galinhas e até peixes criados em cativeiro. São usados litros e mais litros de água pro gado beber, já que são animais gigantes. O gás metano liberado nos gases dos bichos é mais tóxico que o CO2 e é um dos responsáveis pelo efeito estufa e o aquecimento gloval estar piorando tão rapidamente. Os dejetos deles são despejados sem tratamento adequado, poluindo rios e em algumas regiões, matando e desertificando regiões oceânicas. A pesca mata muitas espécies além dos peixes, como tartarugas, golfinhos, tubarões. Além de serem pescados muitos milhões de peixes a mais do que a capacidade reprodutiva natural desses animais. Espécies estão sendo extintas simplesmente pela moda de se usar aquele peixe. Isso que estamos falando só sobre a questão do impacto ambiental, não estou nem entrando nos méritos de maus tratos, respeito aos animais, saúde, nutrição etc (pra isso tem outros documentários como o A Carne é Fraca e What The Health, esse segundo também produzido pelo Kip).



O jeito? É excluir alimentos de origem animal da nossa dieta. O máximo possível. Em um momento o entrevistador pergunta sobre os movimentos como Segunda Sem Carne, que promove que pelo menos na segunda você deixe de comer carne, o entrevistado responde que isso só significa que você está deixando de fazer o certo em 1 dia da semana, nos outros 6 você segue fazendo o errado (pro planeta, pra nós). Em outro, o Michael Pollan responde que ele acha que pra ser sustentável o máximo que uma pessoa poderia consumir de produtos de origem animal é 60g por semana (entre carnes, laticínios, ovos, tudo).

Veja bem, essa é a conclusão que a maioria das pessoas têm ao ver esse documentário e por isso eu recomendo demais que você o veja. É chocante demais (e importante demais também!) que a gente saiba disso, antes de mais nada. Sou defensora da informação acima de tudo. Se você quiser continuar comendo é uma escolha sua, jamais vou chegar aí na sua casa, sentar na sua mesa e te obrigar a não comer x ou y. Mas você entendeu que o buraco é bem lá embaixo, né? Então esse pode ser um ponto de partida muito bom pra você, no mínimo, reduzir pela metade o que você come de origem animal.

Também sei por experiência própria que é importante DEMAIS se respeitar. Eu sou ovolactovegetariana, o que significa que ainda como produtos lácteos e ovos. Quase nada em casa, mas sim fora dela porque muitas vezes não tem versão vegana – que é a que eu sempre prefiro. Mas eu parei de comer carne aos poucos: primeiro parei a carne vermelha e porco, depois o frango e por fim os peixes e frutos do mar. Isso ao longe de 2 anos, se não me engano. Os laticínios eu cortei pra caramba porque percebi que me fazem muito mal do ponto de vista da digestão (e pra pele também!) e porque tudo vem embalado, então evito as embalagens. Os ovos eu quase nunca como, sempre prefiro os orgânicos mas vou parar de comer esses também. Se comer, só os que as galinhas do meu pai botam e não chocam (tem umas que abandonam os ovos por aí, elas vivem livres no terreno).

Se respeite, vá aos poucos, mas vá. Quanto mais a gente deixar de comer carne, melhor.

Depois de ver esse documentário, fiquei muito triste e muitos dias processando tudo. Tô decidida a virar vegana ou o mais próximo disso possível. E também tô decidida a ter mais conteúdos sobre isso aqui no blog e nas redes sociais do UASL porque é tão importante, sou um canal de comunicação tanto quanto as ONGs, é meu papel lutar por essa causa também. Então esperem dicas de substituições de comidas, dicas de almoços, dicas pra substituir as coisas mais difíceis como queijos, receitas e o que eu puder fazer pra incentivar vocês a cortarem os bichinhos do prato. :)

 O próximo texto sobre um documentário vai ser sobre o What The Health, que é dos mesmos produtores do Cowspiracy e fala sobre os efeitos de comer produtos de origem animal na nossa saúde. O texto deve chegar aqui dia 08 de agosto! :) Pra ler os outros textos sobre documentários e livros sobre sustentabilidade, clique aqui.

Pra ler mais:

+ Lista de fatos sobre a criação de gado do filme Cowspiracy organizado em uma página
+ Machismo E Consumo De Animais: Naturalização E Dificuldades De Romper Com Os Códigos Sociais
+ 6 Livros Para Quem Está Querendo Veganismo No Prato Mas Não Sabe O Que Cozinhar
Eu já falei aqui que minha pele é sensível e isso significa que ela resseca super fácil. No inverno, com a água quente do banho e o vento gelado, costumo ficar com a pele descamando e com manchas vermelhas. :( Mesmo usando o hidratante que eu mesma faço, eu ainda sofria um pouco em manter a pele feliz nesses dias mais frios e não entendia muito bem como eu ia resolver isso já que né, eu tava usando um hidratante super maravilhoso. Foi só lendo o livro Skin Cleanse da Adina Grigore que eu descobri: a culpa era do sabonete!

A gente aprende rotinas de beleza completamente erradas pra nossa pele e totalmente voltadas pro mercado da beleza! E uma dessas coisas é essa neura por uma super limpeza da pele. A gente aprende que o tônico precisa arder um pouquinho pra limpar direito (quem não lembra da propaganda do algodão sujo?), também tem que lavar com um super sabonete e, se bobear, tem que lavar duas vezes no dia mesmo. O resultado? Todo mundo tem pele produzindo óleo demais tentando repor o que a gente perde nessas limpezas excessivas (famosa pele oleosa) ou pele ressecada porque não há hidratante que seja capaz de repor a hidratação que você tá tirando (famosa pele seca) ou até a pele oleosa e ressecada ao mesmo tempo (famosa pele mista).

Nem pele oleosa nem pele seca muito menos pele mista são verdadeiramente tipos de pele. São condições da pele que está sendo maltratada. Normalmente é uma mistura entre limpeza demais e hidratação de menos. A limpeza demais pode ser muitas vezes ou produtos muito agressivos (tudo o que não é natural e tem o Lauril Sulfato de Sódio é muuuuito agressivo). Já a hidratação de menos pode ser porque você não tem o hábito de passar hidratante mas também porque a grande parte dos hidratantes disponíveis no mercado não hidratam porcaria nenhuma e são feitos com óleo mineral, parafina líquida ou silicones (que não é absorvido pela pele, não hidrata e ainda entope poros e impede a pele de respirar). E, claro, esses "tipos" de pele são invenções da indústria pra vender mais.


O que eu uso pra limpar a pele então


Água. Só água. Parece estranho, parece que vai dar errado, parece que não vai limpar o suficiente. Eu sei que você tá fazendo uma cara de descrença assim como eu fiz quando li isso no livro da Adina. Mas a verdade é que água quente do banho é suficiente pra limpar nossa pele sem agredir. Simples assim.

E eu fui lá testar ficar sem lavar o rosto com sabonete que nem você: totalmente descrente que ia dar certo porque eu também duvido das coisas doidas do mundo da beleza natural já que eu também aprendi tudo ao contrário. Em poucos dias eu senti uma super diferença na pele! Foi no inverno do ano passado, um ano atrás, e ao invés de ficar descamando minha pele foi sossegando! Esse tá sendo o primeiro inverno que meu rosto não está completamente machucado, ressecado e descamando. No verão minha pele produziu muito menos óleo também. O segredo é que a pele sabe se equilibrar, a gente que bagunça a vida dela hihi.

Pra limpar maquiagem e outros produtos como protetor solar


Você pode usar o demaquilante natural bifásico que já ensinei como fazer aqui. Ou um óleo vegetal purinho, como óleo de amêndoas ou óleo de abacate. Eu não gosto do óleo de coco pro rosto porque ele é comedogênico e me dá muita espinha, quase que imediatamente, por isso não recomendo.

Você vai passar o demaquilante no rosto, tirar com disquinhos de crochê (ou de tecido de algodão) e tá pronto! Dá pra ir dormir com esse demaquilante que é hidratante. :) Também dá pra passar água morna ou um tônico feito de chá (como camomila ou chá verde) pra tirar o restinho de óleo que fica na pele se você não gosta desse toque ou não vai dormir imediatamente.

Ó como a pele tá feliz <3

Se você tem prazer de sentir a pele com sensação de lavada


Você pode fazer um tônico de 100ml de água pra 1 ou 2 colheres de sopa de vinagre de maçã. Como essa mistura é levemente ácida, mas não é agressiva como os tônicos com álcool, o frescor na pele deve ser suficiente pra quem é viciado em sabonete! Hehe.
Foto: Unsplash

Muita gente quer ser mais sustentável. Eu sei disso porque eu tô aqui faz alguns anos já e recebo muitas mensagens sobre como é difícil encontrar esse conteúdo se você não sabe como pesquisar (e como tem gente que fica feliz. Eu sei disso também porque eu já estive nesse lugar: queria reduzir meu lixo, queria fazer coisas mais legais pro meio ambiente mas não fazia ideia de como.

Faz algumas semanas que, toda sexta-feira eu mando um email com uma dica e uma tarefa pra quem quer aprender a reduzir sua produção de lixo e ser mais sustentável. Minha ideia era ir mostrando, semana a semana como pequenas ações fáceis de fazer vão fazendo a diferença aos poucos e quando você vê: cataploft, você reduziu muito seu lixo.

Além disso, tem sido um canal pra gente conversar um pouco mais, porque a cada dica surgem algumas dúvidas, alguns problemas individuais. Tem sido muito legal tudo isso! As news que já rolaram são essas:


Pra ver todo o histórico de news, você pode clicar aqui. E pra se inscrever e receber esses emails, clique aqui.

Tem alguma sugestão de tema pra eu falar na newsletter? Comenta aqui que aos poucos elas vão acontecendo! :)
Semana passada eu vim aqui fazer uma crítica ao documentário Minimalism, que conta a história dos The Minimalists. Fiquei bastante impressionada com a quantidade de pessoas que concordou que o documentário é muito superficial e poderia ser muito melhor. Algumas pessoas também argumentaram que era óbvio que ia ser superficial porque era um filme de só 2h. Bom, daí a gente chega onde quero chegar: não precisava ser superficial com esse tempo não.

Hoje a gente vai falar de um documentário que vi na sequência do Minimalism, o Demain. Foi indicação da Fê Canna lá no grupo do UASL no Facebook e fiquei tão decepcionada com o Minimalism que resolvi ver esse em seguida pra ver se melhorava o humor. E gente, que filme bom!

Ele parte da seguinte premissa: um casal vê notícias sobre como o futuro do mundo é assustador e Cyril Dion e Mélanie Laurent que estão esperando um filho decidem descobrir soluções criativas pro mundo que o filho deles vai viver não acabar como as notícias prevêem. E aí eles vão atrás de homens e mulheres que fizeram coisas e descobriram soluções pra vários dos problemas modernos.

Se você se incomoda em saber mais detalhes do filme, talvez daqui pra frente tenham spoilers.




A postura é muito diferente nesse filme, eles vão atrás das soluções para um mundo melhor. E, mais que isso também, eles vão atrás de pessoas que já fazem e mostram o que, como, o porquê, quem, quando. Cada pessoa que fala nesse documentário fala como realmente começar a mudar o mundo amanhã. São exemplos de pessoas que fazem hortas no meio urbano, escolas com sistemas diferentes de ensinar, cidades que buscam um sistema econômico complementar ao que já existe. Todos os exemplos são possíveis de a gente sair fazendo assim que o filme acabar.

Isso é incrível. Tem muita profundidade nesse documentário. Não só porque os exemplos são realmente bem descritos, tem números, tem informações, tem o jeito que eles fazem tudo mas também as discussões sobre como o outro modelo – o que a gente vive e considera normal – tem falhas, mentiras, erros grotescos.



O documentário é costurado começando a achar uma solução para o problema da fome, então ele fala no primeiro capítulo da agricultura e mostra soluções incríveis como as hortas urbanas na cidade de Detroit ou sítios pequenos mas com uma eficiência maior (aqui) que monoculturas porque usam a permacultura produzindo comida orgânica, sem agrotóxicos porque as plantas ao seu redor se protegem.

No segundo capítulo, eles mostram alternativas à geração de energia feita com combustíveis fósseis como petróleo e carvão. Esse modelo que vivemos hoje não só é finito porque as reservas naturais um dia vão acabar como é extremamente poluente. A extração do petróleo, do carvão, de minérios (só lembrar da barragem de Mariana). Eles mostram alternativas muito legais, como a Islândia que é totalmente livre do petróleo pra geração de energia, uma ilha na França que instalou painéis solares, vários exemplos inteligentes.

O próximo capítulo fala de economia. O primeiro exemplo é muito, muito legal. É uma fábrica de envelopes e você pensa "nossa, mas o que tem de sustentável em uma fábrica de enevelopes?" e aí o filme mostra como eles passaram a investir muito do dinheiro que a empresa ganhava nela mesma. Assim eles gastam menos eletricidade, matéria-prima, água e ganha mais produtividade, segurança, modernidade. O outro exemplo me deu um nó na cabeça: são cidades que criaram moedas da própria cidade pra fortalecer a economia local. Eu acho que preciso ver de novo o documentário pra entender direito, porque a gente tá TÃO mas tão acostumado ao sistema de reais, dólares, etc que realmente dá um nó na cabeça.



O quarto capítulo é sobre democracia. Aqui, um dos exemplos é a Islândia que após um escândalo de corrupção faz protestos e o povo se reúne não pra proteger os bancos que tinha feito todo mundo perder dinheiro, mas impedir que o governo e os bancos tivessem de novo esse poder. São milhares de pessoas que se reúnem pra discutir e escrever uma nova Constituição. O outro exemplo é em um vilarejo da Índia, onde o Elango fez uma espécia de conselho municipal para discutir com as pessoas as coisas que eles queriam mudar e fazer ali, localmente.

O último capítulo é sobre educação e mostra principalmente como as escolas na Finlândia funcionam. Pra quem herdou uma mistura de sistema americano, é bastante incrível imaginar uma escola como a deles: menos horas por semana em sala, dois professores por turma, vários métodos pra ensinar e não só um, os alunos aprendem a cozinhar, costurar, música, marcenaria, etc.

O gancho entre todos os capítulos é que eles são interligados. A democracia é mais forte se a educação é melhor. Se a democracia é forte, a economia de sempre pode ser questionada e assim podemos pensar em novos modelos energéticos e de agricultura. Esse ponto é super importante, porque toda vez que alguém quer levantar uma solução pra um problema, precisa lembrar que o caminho é gigantesco.



E esse caminho não é pra ser trilhado sozinho. Todas as iniciativas, todos os exemplos que o filme mostra só funcionaram/funcionam porque são muitas pessoas trabalhando pra aquilo. São vizinhos que quiseram plantar hortas na cidade toda, são pessoas de uma empresa que trabalham todos por melhorias que todos sentem, são pessoas que não permitem que o governo mude o plano de educação do país antes do tempo planejado. São pessoas, igual eu e você mas que se uniram com as pessoas próximas porque todo mundo entendeu que as coisas eram legais e boas pra todos.

Porque, vamos lembrar que moram em sociedade, em cidades, em condomínios, não moramos sozinhos. Se queremos mudanças no mundo, precisamos sentar juntos, lado a lado pra conversar e agir. Atualmente, nem conversar a gente tem conseguido, que dirá sentar e agir, concordar em uma ação. Por isso tudo aquilo ali em cima é importante, percebe? Como vamos discutir energia renovável se ainda tem gente que acha que isso "não vale a pena" ou "não precisa"? São muitas perguntas, mas o filme traz infinitas respostas. Por isso: assistam e façam pelo menos dois amigos assistirem também. Vamos espalhar essas ideias e começar a tirar elas do papel!

Demain tá disponível no Netflix, em alguns cinemas e no YouTube nesse link.

+ A cada 15 dias eu vou aparecer aqui pra falar de algum filme ou livro que fale sobre sustentabilidade, pra irmos mais a fundo nas nossas discussões, pra aprendermos cada vez mais. O próximo filme é Cowspiracy, disponível no Netflix e vamos falar sobre ele dia 21/06.
Assisti o documentário Minimalismo: Um documentário Sobre As Coisas Importantes (tradução livre do título) e não gostei. Eu já conhecia o movimento The Minimalists do Joshua e do Ryan porque seguia eles no twitter, tentei ouvir um que outro podcast e achei que seria legal ver o documentário – até porque a gente falou sobre isso lá no grupo do UASL no Facebook semana passada. Acho que tem algumas ideias legais ali, mas acho que no geral tem muitos problemas e uma visão muito rasa que não resolve nada.

O mote principal do documentário é a história do Ryan e do Joshua que, basicamente tinham chegado no topo da carreira ganhando mais de 50 mil dólares por ano, tinham tudo o que sempre quiseram conquistar e de repente perceberam que as coisas que compraram não faziam eles felizes e resolveram se desfazer de quase tudo, inclusive do trabalho. Enquanto eles contam a sua história pessoal e como eles chegaram ali, no lançamento do livro deles em várias cidades (que é o que o documentário conta, na verdade), vamos sendo apresentados a outros personagens que também seguem o movimento minimalista e tem seus próprios projetos pessoais.

Esse texto tem spoilers porque problematizo o documentário, então talvez seja melhor ver o filme antes! ;)


Onde estão as mulheres?


A primeira coisa que me incomodou foi que passaram muitos personagens e quase nenhuma mulher. E não é porque não tem mulher praticando minimalismo ou outros projetos que falem sobre sustentabilidade. Aliás, muitíssimo pelo contrário. A maior parte dos blogs e das pessoas do movimento lixo zero que eu conheço são mulheres! Olha a Lauren Singer. A Bea Johnson. A Anne-Marie do Zero Waste Chef. A Marie Kondo que tem um livro best seller no mundo inteiro, o A Mágica da Arrumação que conversa demais com o que eles falam. Enfim, mulher não falta no mundo, mas faltou na hora de selecionar pro documentário.

As únicas mulheres que aparecem ali pra contar dos seus projetos são a Courtney Carver do Project 333, a Tammy Strobel do A Tiny Tour e a Cristine Koh do Minimalist Parenting. Ainda tem duas mulheres que aparecem, mas com seus maridos – que falam muito mais.

Courtney do Project 333 que originou o conceito de Armário Cápsula

Pra mim, o problema nessa diferença de personagens é que é muito mais fácil pros homens o discurso do filme de "cheguei lá e larguei tudo". Primeiro porque é muito mais fácil pra um homem chegar no topo da carreira e ganhar uma bela grana. Enquanto eles podem se dedicar à carreia e são criados pra isso, as mulheres muitas vezes ficam responsáveis por todo o resto enquanto o homem vai chegando lá: casa, filhos, a carga mental que bombou tanto nesse quadrinho (leia!) é 100% real. Segundo porque é muito mais fácil pros homens largarem tudo. Eles já largam os filhos com as mães com muito mais facilidade e permissão do julgamento da sociedade que as mulheres. Cadê a mãe dos seis filhos do Leo Babauta? Por que só ele aparece no filme?

Ainda tem outra coisa que me incomodou demais: a diferença do julgamento sobre as coisas dos homens x coisas das mulheres. Enquanto as duas personagens Courtney e Tammy falam e tem enfoque nas roupas e sapatos que tinham (historicamente tratado como futilidade, vocês sabem), o discurso dos homens não é tratado como fútil, até certo ponto, mas tem um quê de mais heróico.

Em um trecho de uma palestra, Ryan fala que um cara perguntou pra ele "eu amo meus livros, eu tenho uma biblioteca gigante, tenho que me desfazer deles?" e a resposta dele foi não, claro. Diferente de quando ele fala sobre os 20 pares de sapatos da namorada que a classificam como não-minimalista. Pode ter uma biblioteca por quê? Por que não pode ter 20 pares de sapato se ela amar e usar todos esses pares? Não acho que dá pra dizer que isso é sem intenção porque se a gente lembrar, foram editadas as falas pra entrar apenas o que eles queriam que tivesse no filme.

Pra quem é possível largar tudo?


Em qual degrau de privilégio estão esses homens, majoritariamente brancos, estão pra dizer que querem sair do emprego que paga 50k dólares por ano pra viver uma vida com mais significado? Que tipo de vida eles tão vendendo com esse discurso? Pra mim, uma vida bastante surreal inclusive pra mim. Essa possibilidade lhes é assegurada por esse privilégio, vale dizer. Essa cifra que eles mencionam no documentário provavelmente garantiu a possibilidade de poder sair viajando e fazendo o lançamento do livro mesmo quando não tinham pessoas suficientes.

O que é verdadeiramente discutido e resolvido no filme?


Minha resposta é: o ego das pessoas. Pra mim, tudo o que aparece ali do jeito que aparece ali mostra apenas o sucesso de dois caras que reduziram drasticamente o número de coisas que tinham incentivando as pessoas a fazerem o mesmo em busca de uma vida com mais significado. Os casos também falam de como eles se sentiram melhor depois que passaram a ter menos coisas, etc. Mas isso só resolve o ego ferido dessas pessoas individualmente e às vezes em casal, nada mais.

Apesar da questão da sustentabilidade ser apresentada no filme, não se discute de verdade. Até porque não foi uma só vez que a dupla Ryan e Joshua aparecem tomando café em copos descartáveis. Não são apresentadas soluções de verdade ao longo do filme, só nos é vendido como isso é bom. Eles usam da mesma lógica do capitalismo e do consumismo pra se vender, o que me parece contraditório por demais.

O foco segue no objeto, nas coisas. Poderíamos estar discutindo o porquê da nossa busca pela felicidade estar tão atrelada a objetos historicamente e como quebrar essa lógica; poderíamos estar falando de como o machismo faz as mulheres depositarem toda sua auto-estima em roupas, sapatos e maquiagens; poderíamos falar sobre lixo e ações para reduzir sua produção a partir do minimalismo. Mas o foco segue nas coisas: tenha menos, tenha só o suficiente, tenha uma blusa só de qualidade, tenha só um ou não tenha. O Joshua inclusive fala que não é contra o consumismo, mas é contra o consumismo compulsório. Bem, eu acho que ele deveria ser contra o consumismo sim, talvez não ser contra comprar coisas – que é bem diferente.

Acho que faltou muito uma discussão mais profunda sobre tudo, faltaram soluções práticas, faltou aprofundar os problemas e faltou ser menos machista. Ficou sendo egoísta também, porque é uma solução de uma pessoa só, não fala em coletivo e mudança real de sociedade. Por isso tudo eu não gostei, mas tem uns pontos legais sim sobre a pressão em ter cada vez mais casas, espaço, etc.

 Semana que vem a gente fala sobre um documentário que vale realmente assistir: Demain (tem na Netflix). E assim a gente dá uma revivida no Clube de Livros & Filmes Sobre Sustentabilidade, yes!


Cuidar de uma composteira é bem fácil. Mesmo. Se você colocar o lixo orgânico do jeito que eu falei nesse post ou nesse, metade dos seus possíveis problemas já se acabam aqui mesmo. Mas, como uma composteira é algo vivo (alô, minhocas amigas!), alguns desequilíbrios podem acontecer. As dicas desse post são pra que isso não aconteça, ou aconteça só raramente. ;)



Separando as cascas e restos de alimentos pra colocar na composteira


Não coloque todo dia, a não ser que você tenha uma família grande e produza bastante lixo por dia. O melhor é juntar durante uma semana em um pote com tampa (pote de sorvete, sabe?). A tampa é importante pra não juntar mosquinhas que colocam ovos e viram mais mosquinhas, uma bola de neve. 

Mas, como você pode imaginar, o lixo vai apodrecer em uma semana ali dentro. Por isso, minha dica é: deixe esse pote no congelador enquanto ele enche. Assim, quando você for esvaziar o pote colocando na composteira, seu lixo não vai ter apodrecido, não vai ter cheiro ruim, não vai atrair bichinhos e não vai atrapalhar o equilíbrio da sua composteira. :)

Aí é só colocar o lixo, esperar um pouco pra ele descongelar, ajeitar em um cantinho e cobrir bem com matéria seca (folhas secas ou serragem).

Outra coisa que vai facilitar a decomposição dos restos de alimentos é deixar os pedaços das comidas pequenos. Dá pra cortar um pouco quando tiver cozinhando, pra facilitar. Não é nada muito meticuloso, viu? ;)

Tem diferença entre usar folhas secas e serragem na composteira?


Tem sim! A serragem absorve mais e melhor a umidade do composto. Além de deixar mais espaços por onde o ar pode passar. Por isso, acho que é mais rápido quando usamos serragem na composteira. Quando usei folhas secas, senti que ficou muito úmido, teve mais mosquinhas e demorou um pouco mais. Isso não chega a ser um problema, mas é uma diferença. Dá também pra misturar serragem e folhas secas. ;)

O que pode e o que não pode ir numa composteira?


Algumas coisas tem passe livre, outras pode só de vez em quando e outras são proibidas de colocar numa composteira de minhocas.

O que pode sempre: frutas, verduras, legumes, grãos, sementes, saquinhos de chá, erva de chimarrão, borra e filtro de café e cascas de ovos.

O que pode de vez em quando: frutas cítricas (você pode fazer desinfetante natural com as cascas e secar ao sol antes de colocar na composteira, aí tá liberado!), laticínios, comidas cozidas, guardanapos e flores ou ervas medicinas.

O que não pode: carnes, limão, temperos fortes (alho, pimenta, cebola), líquidos (iogurte, caldos, sopas, etc), óleos e gorduras, fezes de animais domésticos e papel higiênico.

Para ajudar no processo, o ideal é não colocar as cascas dos restos de alimentos sem dar uma cortadinha em pedaços menores. Não é nada gourmet, é só para os pedaços ficarem um pouco menores mesmo.

Prontinho! Mãos à obra pra reduzir em até 51% o lixo da sua casa, evitar de enviar um lixo fedido e que pode atrair bichos e contaminar o chão pros aterros, ter um adubo poderoso em casa e ajudar o planeta! ;)

+ Pra tirar as dúvidas que podem surgir depois, os sites Morada da Floresta e Composta São Paulo tem muitas informações úteis.
+ Como fazer uma composteira em casa com quintal, leia aqui.
+ Como fazer uma composteira em apartamento, leia aqui.
Um dos sistemas de composteira doméstica mais famosos hoje é a composteira com minhocas. Isso porque ela é pequena, não tem cheiro ruim, cabe em quase qualquer cantinho e com a ajuda das minhocas a decomposição acontece mais rápido que sem elas. Esse tipo de composteira é ótima pra quem mora em apartamentou ou quem mora em casa e não pode fazer um buraco no quintal. Quase tudo o que a gente produz em casa pode ir nela, com exceção de poucas coisas. Existem composteiras prontas que já vem com as minhocas, mas você pode fazer a sua usando caixas ou baldes de plástico.

Uma composteira com minhocas precisa de, no mínimo, três andares: o primeiro andar, onde o lixo orgânico vai sendo depositado e coberto com o material seco (serragem e folhas secas) e, quando cheio, fica em repouso por cerca de um mês. Durante esse tempo de repouso, o segundo andar vira o primeiro e começa o ciclo de novo. Estes dois andares são onde acontece a compostagem do material. O terceiro andar é o que recolhe o líquido que escorre (os andares são intercalados com furinhos para o líquido descer, e as minhocas se movimentarem).

No final desses trinta-sessenta dias, o chamado período de repouso, o material que sobra é um húmus, que parece terra, super nutritivo para as plantas e com cheirinho de terra molhada. Nada disso dá mau cheiro se tudo for feito corretamente.

O excesso de umidade pode facilitar a criação de mosquinhas, por isso é importante cobrir tudo muito bem com serragem. Além das minhocas, acabam aparecendo outros bichinhos pequenos, como formiguinhas e outros insetos, que também ajudam no processo de decomposição dos alimentos. É tudo limpo e, seguindo todas as etapas, não há risco nenhum de contaminação.



Como fazer uma composteira com baldes


  1. Escolha três baldes ou caixas plásticas que tenham algum tipo de encaixe entre si. Algumas caixas organizadoras encaixam só na parte de cima, sem que as caixas precisem "se afundar", deixando espaço pro lixo orgânico. Os baldes de margarina industrial e esse tipo de alimento vendido pra padarias e restaurantes também tem um tipo de encaixe nas tampas pra eles serem fáceis de empilhar. Essa é uma outra opção muito legal. Só lavar super bem! As caixas ou os baldes precisam ser opacos, porque as minhocas não gostam de luz.
  2. O tamanho vai depender de quantas pessoas tem na sua família. Se estima cerca de 1kg por semana por pessoa. Como além do lixo em si também colocamos muitas folhas secas ou serragem, estime pra mais esse volume. :) Com esse sistema com três baldinhos reutilizados, o volume é pra cerca de 1 a 2 pessoas que não cozinham muuuito.
  3. Fure o fundo de dois dos três baldinhos com uma furadeira, com cerca de 0,5 a 1cm de diametro – não mais que isso! Faça muitos furos, com cerca de 2 a 3cm de distância entre eles. É por esses furinhos que o líquido da composteira vai escorrer e as minhocas vão mudar de andar.
  4. Você pode deixar sua composteira mais profissional se conseguir colocar uma torneirinha no último andar, o que não tiver furos e fica coletando o chorume do bem. Se não der, não tem problema.
  5. Prontinho! Agora, pra usar, você precisa de algumas minhocas. Não precisam ser muitas, porque elas se reproduzem conforme a necessidade. O ideal são as minhocas californianas, que não pulam igual as nossas brasileiras e são maiores, comem os restos de alimentos mais rápido. Coloque uma camada de terra suficiente pra cobrir o fundo do balde e as minhocas.


A minha composteira, quando o andar do composto tá cheio e coberto de serragem ;)

Como usar a composteira com minhocas


  • Pra usar a composteira você vai colocar restos de alimentos, cascas etc aos poucos. Não espalhe tudo, vá colocando em cantinhos e concentrando o lixo. Cubra muito bem com folhas secas e serragem. Não aperte e comprima, deixe a mistura respirar!
  • Siga colocando seus resíduos até o baldinho que estiver em cima de todos esteja cheio. O ideal é que demore mais ou menos um mês pra encher, pra dar tempo dele virar adubo e você poder trocar com o 2º andar. Nos primeiros meses, até por ter menos minhocas, a tendência é demorar mais pra acontecer a decomposição. Você pode ajudar dando uma revirada no material a cada 15 dias (com cuidado pra não machucar as minhocas). Quando ele estiver cheio, ele vai para o repouso. Troque ele de lugar com o que estava no 2º andar, vazio. Repita o processo.
  • Quando o baldinho que era o 2º andar estiver cheio, depois de um mês ou mais, vai ser hora novamente de trocar os andares. Se tudo deu certo, o baldinho que estava no repouso agora tem um adubo especial e super nutritivo. Você só precisa tirar pra liberar espaço.
  • Pra tirar o húmus, deixe a tampa aberta em um lugar com bastante luz. As minhocas não gostam e vão se enfiando pra dentro da terra. Vá raspando o adubo aos poucos, pra não machucar e não levar embora as minhocas.
  • No último andar vai começar a aparecer um líquido bem escuro. Ele é um biofertilizante poderosíssimo. Dilua ele em 1 pra 10 partes de água e regue as plantinhas 1 vez por semana com essa mistura. Suas plantas vão ficar LINDAS. É sério.
  • O húmus pode ser colocado em plantas, mas caso sobre, você também pode doar, colocar nas plantas do condomínio, na praça que estava feia perto de casa. Revolução verde: teremos! :)
No próximo post, sexta-feira, vou dar dicas pra cuidar super bem da sua composteira, evitar mosquinhas, os alimentos que podem e os que não podem ser usados, etc. Fiquei ligado! :)

+ No post anterior: Como fazer uma composteira em casa com quintal, leia aqui.
+ Se você não quiser fazer uma composteira e quiser comprar uma, clique aqui.
Já falei por aqui que mais da metade do lixo produzido nas casas vem da cozinha: os restos de alimentos. O chamado lixo orgânico, com restos de cascas e sobras de frutas e verduras, restos de comida e tudo que seja perecível não precisa ficar apodrecendo e dando cheiro ruim na sua cozinha! Tudo que você precisa é ter uma composteira doméstica.

Uma composteira nada mais é que um lugar apropriado pra que a decomposição desses resíduos aconteça. O segredo é que desse jeito, não fica cheiro ruim (sério!). No lixinho da nossa cozinha, o lixo se decompõe por meio de bactérias, sem oxigênio (de forma anaeróbica) por isso o cheiro fica ruim. Na composteira, a decomposição acontece do jeito adequado, com oxigênio, sem bactérias, com ajuda de minhocas ou do calor e o cheiro ruim não existe!

Reduzir o lixo da cozinha, ter um adubo maravilhoso e fácil, manter uma horta super bonita: dá pra ter tudo isso com uma composteira em casa. Existem vários tipos de composteiras, mas o mais recomendado e usado hoje é o com minhocas (sim, minhocas!).

Nessa série de posts, vou ensinar como fazer uma composteira se você mora em casa e tem um quintal à sua disposição, se você mora em apartamento e tem pouco espaço e dicas preciosas de como cuidar da sua composteira pra ela ser só sucesso.

Crédito da imagem: The Garden Love e  Real Farmacy

Como fazer uma composteira se você mora em casa


Quem morou no interior ou sempre morou em casa provavelmente vai lembrar de um lugarzinho onde o lixo orgânico sempre foi jogado. Na casa dos meus avós, era dentro da horta, num espaço só pra isso. Apesar de funcionar (as cascas vão se decompor, é da natureza delas), existem técnicas pra ser mais rápido, evitar cheiros ruins e não atrair animais.

  1. Faça um buraco na terra, de cerca de pelo menos 0,5m2. Se a família for grande, você pode fazer dois e enquanto um descansa, vocês enchem o outro. Ou fazer um grandão, de 1m2. Uns 30cm de profundidade é suficiente. Pra ajudar a segurar as paredes de terra, você pode colocar tábuas nas laterais ou uma caixa sem o fundo (tipo uma caixa d'água, um caixote, algo que segure as laterais mas tenha acesso ao chão). Também dá pra fazer cercando uma área em contato com a terra com cerca de arame, tábuas ou troncos.
  2. Coloque o material orgânico e não espalhe muito. Vá concentrando em um cantinho até tudo encher. Sempre cubra muito bem com folhas secas ou serragem (é esse o segredo pro cheiro ruim não aparecer).
  3. Regue de vez em quando se fizer muito calor e sol, porque a mistura pode esquentar e secar. É bom manter úmido pra decomposição acontecer mais rapidamente.
  4. A cada 15 dias dê uma revirada em todo material, pra ajudar a aerar e facilitar a decomposição.
  5. Aos poucos as sobras de alimento vão se transformar em uma terra bem escura, com cheiro de terra molhada. Esse adubo é maravilhoso pras plantas e pra sua hortinha!
  6. É legal ter dois espaços diferentes porque enquanto um vai passando por esse processo de descanso e revirar, o outro tá com a terra pronta pra ser usada, você pode desocupar ele e ter espaço pra colocar mais matéria orgânica. :)

Se você não tiver espaço pra cavar um buraco no quintal, ainda dá pra ter a composteira com minhocas, em um sistema prático de caixas plásticas. Quer saber como fazer e como cuidar dela? Na quarta-feira a gente fala sobre isso! ;)
Aqui no blog eu tento testar tudo muitas vezes até saber bem os efeitos, minha opinião formada, o que eu consegui otimizar naquele processo pra enfim contar pra vocês. Eu lavo algumas vezes a roupa até postar a receita do sabão líquido, eu uso durante algumas semanas o creme hidratante. E sempre tento contar no mínimo de detalhes que é pra você, aí do outro lado, ter uma ideia de como a coisa vai funcionar na sua vida ou na sua casa.

Eu faço isso com tudo que eu posso, mas tem coisas que eu realmente não sei porque não tenho como testar. Por isso que eu chamei a Mona Soares, da Ewé Alquimias, pra falar de pele negra e cabelos crespos e cacheados. Queria saber se tem diferença da pele branca, que é a minha e que sei várias particularidades porque carrego ela desde que nasci, além de quase todas as informações disponíveis por aí serem só sobre peles claras. Queria saber como uma rotina de beleza natural funciona, se dá pra usar o que eu uso aqui em mim e se fica bom.

A história da Mona é super parecida com muita gente que conheço do mundo natural: ela se formou em farmácia, trabalhava em uma farmácia comercial com medicamentos sintéticos e não sentia que estava no lugar certo. Foi num daqueles momentos que tudo parecia dar errado que ela começou a estudar saboaria, aromaterapia, cosméticos, perfumaria naturais. Aos poucos a produção de sabonetes que ia só para a família começou a ser vendida em bazares e logo mais em uma loja virtual para o Brasil todo.



A pele negra


A pele negra tem diferenças da pele clara não só na cor. Ou melhor: a cor é justamente a diferença, como explica a Mona: "A característica mais marcante da pele negra que a diferencia das outras é a expressão de melanina pelos melanócitos. Quanto mais escura a pele, mais melanina os melanócitos produzem."

E é justamente esse fator que faz dessa pele mais suscetível a manchas. "Isso pode deixar a pele muito suscetível a manchas, principalmente as peles pretas que passaram pelo processo de miscigenação, que é o caso da maioria das pessoas negras no Brasil. Acnes, arranhões e ferimentos podem deixar cicatrizes mais escuras que o tom natural da pele."

Outra diferença é que a pele negra, quando ressecada, pode ter manchas esbranquiçadas. Por isso, é importante hidratar bem a pele – e isso pode ser com manteigas e óleos vegetais como a gente já falou por aqui!

As peles negras também tem maior proteção natural contra os efeitos nocivos do sol. Quanto mais escura é a pele, mais proteção. Porém, por causa disso, os níveis de vitamina D podem ser mais baixos. "Por isso é muito importante a exposição moderada ao sol e evitar os protetores solares com alto fator de proteção" [que inibem a produção da vitamina D (1)].

Uma das grandes vantagens que a Mona lembra da pele negra, além da beleza, é que ela demora pra apresentar os sinais de idade. Pessoas mais velhas negras sempre parecem muito mais novas, pra mim (Cristal) isso é o mais impressionante.



Cuidados com a pele negra dentro de uma rotina de beleza natural


Os principais cuidados que uma pele negra precisa ter são: exposição moderada ao sol, evitar lesões e hidratar. As dicas que a Mona dá pra essas três etapas são:

  1. O protetor solar deve ser o mais natural possível, com um fator moderado (15 fps para tons mais escuros e 30 fps para tons médios). Como protetores solares podem deixar a pele esbranquiçada, muitas vezes encontrar um protetor mais natural para este tipo de pele é um desafio. Algumas mulheres corrigem a cor com um protetor com cor ou um pó compacto. Infelizmente ainda não temos marcas de protetor solar mais natural para este tipo de pele. Já em caso da pele manchada em tratamento de manchas, mesmo sendo um tratamento natural, é recomendável usar o protetor solar com fator mais alto (FPS 30).
  2.  Em caso da pele que já apresentam manchas em tons mais escuros ou mais claros que a pele, pode-se usar óleo de rosa mosqueta, óleo de pracaxi, máscara de argila branca ou cosméticos formulados com esses ingredientes.
  3. O ressecamento da pele do corpo pode ser melhorado com o uso de manteigas vegetais, como muru muru, cupuaçu, karité ou cacau.

Mas, assim como a pele branca, a pele negra também pode ser mais oleosa, mais seca, sensível e a escolha dos óleos e manteigas, da rotina de beleza é super individual. Eu falo muito disso e dou as ferramentas pra você montar sua rotina de beleza no e-book Rotina De Beleza Natural, dá pra comprar aqui.



Cuidados naturais com cabelos crespos e cacheados: LAVANDO e HIDRATANDO


Descobri com a Mona que o cabelo crespo precisa de algumas coisinhas a mais que o combo xampu sólido + enxágue com vinagre + finalização com óleo vegetal. "Precisa do que tecnicamente chamamos de"substantividade", que está presente nos condicionadores e cremes de pentear e facilita o desembaraçar, amacia a fibra capilar e previne a quebra." Por isso, uma rotina de cuidados pro cabelo crespo/cacheado normalmente funciona melhor com:

  1. Xampu natural, sólido ou líquido.
  2. Condicionador natural, livre de derivados do petróleo, silicones, parafina líquida, sulfatos, conservantes agressivos, liberadores de formol, corantes e essências sintéticas.
  3. Creme finalizador natural, livre de todas essas coisas acima.

Esses três produtos são suficientes, mas você pode complementar essa rotina de cuidados com ingredientes naturais como óleos vegetais, manteigas, argilas, melado de cana e gel de aloe vera, por exemplo.

Pra ler mais e outros jeitos de lavar os cabelos crespos:
  • Como fazer low poo e no poo com cosméticos naturais, leia aqui.
  • Como limpar o couro cabeludo e não ressecar os fios, leia aqui.
  • Como lavar o cabelo crespo com xampu sólido, leia aqui.




Cuidados naturais com cabelos crespos e cacheados: LIDANDO COM O FRIZZ


O que a gente mais teme, se analisar pelos comerciais de produtos pro cabelo é ele: o frizz. Eu falei sobre ele pra Mona já dizendo que talvez a gente não precise controlar o frizz, mas sim aceitar. E foi o que ela me falou: "Eu não combato o frizz há anos. Parar de lutar contra ele foi a melhor maneira de contornar o problema. Acho cruel quando a indústria de cosméticos cria um arsenal de produtos para melhorar características que são naturais e praticamente todo mundo tem."

Mas tem alguns truques pra diminuir a estática do cabelo e deixar ele mais bonito naturalmente, pra que você não precise ficar brigando com seus cachos pra sempre. :) Essas são as dicas da Mona (que é especialista já que tem cabelos crespos!) porque às vezes a gente investe em cosméticos caros enquanto uma mudança no jeito de pentear ou desembaraçar seria mais eficaz e investir em acessórios que duram anos, melhor ainda:

  1. A escova da marca Denmann #nãoéjabáéamor. Ela tem um cabo preto e a base vermelha, é desmontável o que ajuda na hora de limpar. Comprei no Mercado Livre, mas nem sempre achamos no Brasil.
  2. Usar uma toalha de microfibra que é fácil de ser encontrada no Mercado Livre ou lojas pra cabelos crespos e cacheados.
  3. Dormir em fronha de cetim também é útil pra diminuir a estática.

Ó a Mona sendo linda <3

Depois dessa super aula, eu só tenho a agradecer DEMAIS pela contribuição da Mona aqui no Um Ano Sem Lixo. E tenho que pedir pra vocês irem até o site da marca dela, a Ewé Alquimias, porque lá tem: xampus, sabonetes e condicionadores naturais, apostilas de saboaria e cosmetologia natural e muuuito conhecimento dessa mulher negra, crespa e baiana incrível! <3
Das lembranças da minha infância, um dos cheiros e sabores que mais gosto é de chá de hortelã fresco. Eu tomava muito quando ainda não podia tomar café e as vezes que tinha dor de barriga. Também tomei muito chá de capim-limão. Tudo fresco, tudo da horta da minha vó, no quintal de casa. Não tem chá de saquinho que se iguale a esses chás de ervas frescas. Não tem manjericão seco que tenha o cheirinho do fresco. E orégano fresco, vocês já provaram? É incrível.

É por isso que eu quero ter vasinhos a perder de vista em casa com muitas ervas gostosas. Elas tão a passos da minha cozinha, são orgânicas e cuidadas com carinho e eu não desperdiço um maço porque não consegui usar a tempo.

Tem um tempo que eu replanto vários temperos aqui em casa pra ter mais uma ou muitas vezes. É bem fácil, normalmente é só deixar em um copinho com água até criar raízes e depois replantar. É daquelas magias da natureza que só ela explica, porque mesmo o alho poró que você guardou na geladeira, brota. É incrível.

Como replantar alho-poró, salsão, cenoura, alho, cebola


Esses temperos que não são "arvorezinhas" normalmente crescem as folhas outra vez se você colocar a parte da raiz na água. Eu faço sempre sempre com alho poró e já fiz com salsão. O segredo, pra mim, é trocar a água todo dia, pra raiz não apodrecer. Corte a parte que você vai comer deixando um tanto pra criar as novas mudinhas.

Salsão depois de uns 5 dias na água.


Coloque num copo com água e troque a água todos os dias. 

Alho poró depois de uns 10 dias na água

Quando começar a crescer, você pode transplantar pra um vaso com terra preta.

Depois disso você precisa cuidar de acordo com as necessidades daquela plantinha, então veja quanto de água e sol ela precisa. :)

Como replantar manjericão, hortelã, alecrim, orégano, tomilho


Esses temperos são tipo arbustos e a mudinha é feita de um jeito diferente. Pegue galhinhos de uns 10 ~ 15 cm da planta e tire as folhas do comprimento, deixe só as mais de cima. Corte o caule perto de um nó (sabe aquelas divisões do caule?). Esse nó precisa estar no final do galhinho porque é dele que vão surgir as raízes novas.

Depois de uns 3 dias, tinha uma raiz de menos de 1cm.

Depois de uns 10 dias na água, olha essas raízes!

Depois de uns 7 dias as raízes vão ter surgido e você pode colocar as mudinhas em um vaso com terra. Você pode deixar mais tempo também, o importante é não ser uma raiz muito pequena, senão ela vai ter dificuldade de nutrir a plantinha na terra.

Autonomia na hortinha! Você já fez isso em casa? Deu certo? Conta aqui nos comentários! :)

Pra ler mais:


_ Como ter uma horta em apartamento (aqui)
_ Dicas sobre horta no Herbivora (aqui)
_ Esse vídeo que ensina como cultivar plantinhas com as frutas que você come (aqui)