Tudo o que a gente faz, a gente faz por causa da política. O que a gente come depende das leis que regulamentam esse processo, assim como os cosméticos, as roupas, tudo. E é por isso que a gente, que se importa com sustentabilidade, segurança alimentar, os ingredientes dentro dos nossos cosméticos, precisamos escolher bem em quem a gente vai dar nosso voto nessa eleição.

Se você tá aqui, é porque confia um pouco no que eu digo, então vamos conversar:

Você já me ouviu falando que os cosméticos possuem vários ingredientes nocivos que não são tão seguros assim de passarmos na pele. Mas eles são aprovados pelas leis federais, pela Anvisa e por isso continuam no mercado. São os deputados federais que podem mudar isso, pedindo revisão na lista de ingredientes permitidos, por exemplo.

Muitas das marcas artesanais de cosméticos não são regulamentadas, e isso é ruim tanto pra gente que consome quanto pra quem produz, porque não tem garantia de segurança. Só que as regras são muito distantes da realidade da produção artesanal ainda, e uma mudança na lei garantindo esse nicho ajudaria muitas empresas saírem do papel e geraria muita segurança pra quem quer comprar seu desodorante natural na feirinha. De novo: são os deputados federais que poderiam iniciar esse debate e essa mudança.

Eu amo essa bandeira. Foto por Rafaela Biazi via Unsplash

Somos um dos países que mais consome agrotóxico per capita e a comida orgânica é muito cara. Isso acontece porque os agrotóxicos têm incentivo fiscal, ou seja, não pagam certos impostos. Isso pode variar de estado pra estado, por isso um deputado estadual que lute por uma mudança é tão importante. Se a gente tem crédito e incentivo fiscal pra produção orgânica, o que você acha que vai acontecer? Vai ser mais barato pra gente comer comida sem veneno!

Sustentabilidade também é pensar na igualdade das oportunidades das pessoas na sociedade, por isso a gente precisa de uma assembleia legislativa, uma câmara de deputados e um senado que olhe pros direitos das mulheres, da comunidade LGBT+, dos negros, dos indígenas, de todo tipo de minoria social possível. Quando a gente inclui todo mundo em oportunidades, segurança, nossa sociedade é mais sustentável, mas segura pra todos, mais rica e igual.

Aquele canudinho de plástico que você queria que fosse proibido no seu estado, é um deputado estadual que pode propor na assembleia. Assim como a proibição de sacolinhas plásticas, outros descartáveis que a gente quer embora. Um deputado estadual também pode lutar para estabelecer uma lei que garanta muitos estados e cidades ainda não tem políticas adequada pra gestão de resíduos, tenham algum tipo de incentivo fiscal pra isso acontecer ou tenham algum projeto a nível estadual que vai ajudar as cidades pequenas a se organizarem de alguma forma.

Foto por Andrew Pons via Unsplash

Um legislativo progressista vai garantir que o Ministério do Trabalho seja incansável na busca e combate ao trabalho escravo, muito comum no agronegócio (sobretudo na indústria da carne especificamente) e também na indústria da moda aqui no Brasil. Se a gente quer roupas feitas sem trabalho escravo, nosso voto precisa estar alinhado a isso.

São os deputados estaduais, federais e senadores que decidem que áreas precisam ser preservadas, que áreas podem ser devastadas, que tipo de prática é permitida pras empresas, que tipo de incentivo eles querem dar. Hoje temos uma bancada ruralista ENORME e é isso que precisamos combater, de todas as formas, nesse momento. Não existe sustentabilidade com agronegócio, trabalho escravo, indústria da carne, desrespeito aos povos indígenas e às áreas de preservação.

Como escolher os candidatos do legislativo

  1.  Se você não faz ideia, eu começaria olhando a coligação que você pensou em votar em presidente. Leia o plano de governo e veja se realmente concorda com aquilo que tá ali. Procure a parte sobre a sustentabilidade e o que eu falei ali em cima.
  2. Votando num candidato da coligação x, você ajuda todos os candidatos dessa coligação, por causa da legenda e do voto proporcional (já ouviu falar né?). Pode ser que o teu candidato não entre, mas sim o mais votado da coligação. Por isso é importante não votar em coligações ruralistas, se você quer um mundo mais sustentável.
  3. Vote em alguém que se pareça com você, fisicamente e ideologicamente. Eu vou priorizar o voto em mulheres, já que sou mulher. Feministas, porque acho que precisamos de representantes lá que lutem pela nossa igualdade e segurança na sociedade. E ambientalistas, porque quero oposição aos projetos que só falam de mais devastação ambiental, mais destruição da natureza, menos controle e punição pra quem faz isso.

Alguns links pra você ler e fazer testes de compatibilidade com candidatos



Bom, é isso que eu queria dizer nesse momentinho tão importante que estamos. Pensem bem antes de votar, escolham real oficial. Vejam os planos de governo, sério, é bemmmmmm louco ver no que a gente tá votando ou não, muita gente se engana. Vamos continuar lutando nessa e pela democracia desse país, pelo respeito às pessoas e aos bichos, pelo respeito às nossas florestas, plantas, águas, terra, etc. Um beijo em todo mundo.

#elenão #elenunca
Este post foi escrito pela Anne Marie, autora do blog Zero Waste Chef e sua tradução livre para o português e pro Um Ano Sem Lixo foi autorizada pela autora e feita por mim, Cristal Muniz:

Todas as semanas, pelo menos algumas empresas me contatam com uma “oportunidade fantástica de colaborar” e vender seus produtos para eles aqui, produtos que aparentemente nenhum praticante do lixo zero pode viver sem. Eu não posso responder a todas as mensagens que recebo, então eu geralmente ignoro esses contatos - mesmo para produtos e serviços que eu poderia gostar. Mas quando eu leio alguns deles - como um de uma locadora de lixo -, eu me pergunto: você já leu meu blog?

Além das minhas oficinas de culinária, eu não vendo nada aqui. Eu entendo porque blogs publicam links afiliados, anúncios e conteúdo patrocinado. Manter um blog, mesmo em meio período como eu faço, ao tentar pagar as contas, não é fácil! Todo mundo tem que pagar a hipoteca. Mas vender coisas não combina com a minha-gulp-marca (aparentemente eu tenho uma).

Lixo zero não é um estilo de vida consumista. É um estilo de vida para conservar.

Então, como eu defino o lixo zero?


Como qualquer coisa que eu escreva no meu blog, não há regras. Exceto talvez pelo número 1… A Igreja do Lixo Zero é bastante dogmática sobre o número 1…

1. Comprar menos coisas


Isso parece óbvio.

Quando compro coisas, busco primeiro coisas usadas, de segunda mão. Eu tenho pilhas de coisas que você-nunca-diria-que-são-usadas-só-de-olhar, algumas das quais eu encontrei na rua (eu moro no universo alternativo do Vale do Silício, onde as pessoas jogam fora coisas caras constantemente). Quando eu compro coisas novas, compro da melhor qualidade possível que posso pagar. E, se eu precisar usar um item apenas de vez em quando, tento pedir emprestado. Cada um de nós precisa mesmo de suas próprias ferramentas? Seu próprio cortador de grama? Seu próprio carro? Às vezes sim, muitas vezes não (eu ainda tenho um carro, mas espero ficar livre dele depois que ele morrer).

Se você começou recentemente o caminho do lixo zero, você provavelmente quer jogar fora tudo o que você tem de plástico para substituí-lo por itens reutilizáveis ​​feitos de vidro, cerâmica, metal, madeira, fibras naturais e assim por diante. Eu evitaria fazer isso de uma só vez e gastar uma fortuna. Você provavelmente já tem muito do que precisa para um kit lixo zero – os sacos e potes de vidro para fazer compras e os talheres, potes e canecas para quando você sair. Kits caros de lixo zero são, bem, caros (clique aqui para montar um kit de desperdício zero por zero dólares).

Lutar contra as alterações climáticas, a poluição, a escassez de água e outros problemas ambientais requer a rejeição de uma cultura de consumo desequilibrada, e não uma versão mais verde da mesma. Teslas (carros elétricos) são legais. Transporte público bom e cidades que incentivam o uso de bicicleta são ainda melhores.

"Não tenha tanta tralha que você ficaria aliviado se sua casa pegasse fogo" Wendell Berry. Foto: Anne Marie, Zero Waste Chef.

2. Não enviar nada para o aterro


Eu composto restos de comida e gero pouco lixo de um modo geral. Isso não significa que eu encha minha lixeira reciclável com garrafas, latas e potes. Eu não preciso nem compro a maioria dos produtos que vêm em embalagens recicláveis ​​(geralmente de plástico) – junk food, alimentos processados, refrigerantes, produtos consumistas como cápsulas de café, cosméticos cheios de ingredientes nocivos ​​– então tenho pouco para reciclar.

O plástico pode ser reciclado um número limitado de vezes antes que o material seja encaminhado para o aterro. Assim, a reciclagem atrasa a chegada do plástico no aterro, não a impede. É não comprar esse material que faz isso. Com a China não aceitando mais nosso lixo [dos EUA e outros países ricos], estima-se que 111 milhões de toneladas de plástico terão de ser enviados a algum outro lugar até 2030. Não podemos reciclar nossa saída desse problema, as empresas devem se esforçar a deixar de produzir tanto lixo.

3. Desacelerar


Quem veio primeiro? A cultura do "descartável" ou a cultura "para levar"? A primeira faz a última possível. O sucesso da Starbucks depende, em parte, da onipresente xícara descartável que as pessoas pegam a caminho de outro lugar. Que tal ficar no café e saborear sua bebida em um copo de verdade que você leva na sua bolsa? Ou fazer em casa em uma cafeteira francesa? Esses cenários parecem realmente tão horríveis?

As restrições que coloquei felizmente em minha vida - para não criar desperdício - me obrigaram a desacelerar. Eu faço pão devagar, kimchi devagar, cerveja de gengibre devagar, slow food. Essa comida é tão gostosa que não posso viver de outro jeito. Em outros aspectos da minha vida, cortar meu lixo liberou tempo. Eu gasto menos tempo trabalhando para comprar coisas que eu não preciso, menos tempo para comprar coisas e menos tempo para manter as coisas.

4. Se tornar mais auto-suficiente


Para mim, uma das muitas alegrias de eliminar o lixo vem de aprender a fazer mais coisas para mim e depender menos das corporações para satisfazer todas as minhas necessidades e desejos. Se tornar mais autoconfiante não requer que você saia da sociedade, mude para um yurt (uma tendinha), viva fora da cidade, cultive sua própria comida e crie cabras (mas se você fizer isso, posso visitar, por favor?).

Eu faço um pouco de costura, um pouco de tricô e muita comida. Eu gostaria de cultivar minhas próprias frutas e vegetais, mas não o faço. Eu compro meus vegetais no farmers' market [feira de produtos orgânicos direto do produtor que existe nos EUA]. Eu não posso fazer tudo sozinha, mas faço o que posso e gosto disso. Até mesmo o monge mais auto-suficiente confia nos outros. A mãe de Thoreau lavava sua roupa quando ele morava em Walden Pond.

5. Consertar nossa cultura do descartável


De volta ao número 1… Quando eu compro, compro coisas de qualidade que duram. Quando essas coisas começam a mostrar algum desgaste, eu tento consertar ou pagar alguém para fazê-lo por mim. Deixamos sempre nossas roupas no nosso alfaiate, um pequeno negócio independente local. Sim, eu mesma poderia consertar as roupas, mas prefiro fazer algumas outras tarefas no lugar (veja o número 4). Sapatos estragando? Os sapateiros ainda existem aqui e ali. Eu tive meu par atual de Birkenstocks arrumado uma vez até agora (e sim, é claro que eu uso Birkenstocks… e como granola…). As bibliotecas onde eu moro também hospedam repairs cafés (lugares onde você pode arrumar de tudo) extremamente populares.

Use até esgotar; Vista até desgastar; Contente-se ou faça sem. Foto: Anne Marie do Zero Waste Chef.

6. Viver mais conscientemente


Acho que isso aconteceu naturalmente quando reduzimos nossos resíduos, porque muitos aspectos de nossa economia de consumo dependem do uso e do descarte do plástico – desde escovar os dentes pela manhã até empacotar os lanche dos seus filhos, comprar, bem, qualquer coisa – cortar as coisas requer algum planejamento, uma auto-examinação, um pouco de reflexão. Mas para mim, esse tipo de reflexão traz alegria. Eu não compro e consumo mais coisas sem pensar. Eu penso através das minhas ações e escolhas, ao invés viver o dia no piloto automático.

7. Aproveitando a comunidade


De volta para aquela ideia de "não posso fazer tudo sozinho", realizamos mais trabalhos em conjunto na comunidade. Você pode sair e mudar para uma comunidade x, ou simplesmente formar um clube de compras com amigos para reduzir o desperdício e as despesas com embalagens, ou participar de um clube de culinária para economizar tempo preparando comida de verdade (aqui tem mais algumas ideias).

Como a distância entre os que têm e os que não têm aumenta - um por cento da população dos EUA controla agora um historicamente grande e potencialmente desestabilizador social: 38% da riqueza da nação - não podemos todos viver em casas próprias, comprar nossos próprios cortadores de grama e carrinhos de mão, pagar pela nossa própria internet e assim por diante. Habitações cooperativas, alojamentos intergeracionais e comunas não são mais apenas para hippies. Eu moro em uma comunidade intencionalmente e eu amo isso.

"Pêssegos crescendo em nossa comunidade". Foto: Anne Marie do Zero Waste Chef.

Eu duvido que qualquer uma das idéias que eu listei aqui exponha você como o tipo subversivo que você pode ser. Hoje, viver dessa maneira faz de você um rebelde silencioso. Várias décadas atrás, você teria sido considerado normal.
Esse post é o segundo da série de posts com respostas da dermatologista Patricia Silveira (@dermagreen) para as perguntas que mais recebo sobre beleza natural e cuidados com a pele (principalmente do rosto). Acabei dividindo a entrevista em dois posts, o primeiro é só sobre acne e pele oleosa!

A Patricia é médica, formada em 1999, com pós-graduação em dermatologia pela UFRJ e acabou entrando no mundo natural muito por causa da experiência pessoal e de buscar a acupuntura para resolver dores. Em 2004 começou uma segunda pós-graduação em medicina chinesa, muito mais pra praticar isso em si do que para necessariamente aplicar dentro da dermatologia. Mas foi por isso que ela começou a usar fitoterápicos (remédios feitos a partir de plantas) em tratamentos alternativos e auxiliares para questões da pele e hoje indica sempre que possível cosméticos naturais e tratamentos naturais. Quis muito fazer essa entrevista porque é muito importante a gente ter informações de profissionais qualificados e com fontes confiáveis, principalmente quando o assunto é beleza e cosméticos.

1) Pele oleosa, seca, mista, etc. são tipos de pele (a pessoa nasce com isso e fim) ou estados da pele (devido à rotina, cosméticos, alimentação)?

A pele é o maior órgão do corpo e é o órgão que conecta a gente com o mundo externo, então é óbvio que temos uma herança genética da pele sim. Os alérgicos (inclusive das questões respiratórias) costumam ter uma herança genética de uma pele mais seca e áspera porque ela já nasce com essa deficiência de produção da oleosidade natural. Ou também podemos nascer com uma genética de pele mais oleosa, com inclusive tendência a ter acne na adolescência.

Mas isso tudo também pode ser influenciado por questões externas, principalmente do clima da região onde você mora. A gente pode até ter uma tendência genética a pele oleosa, mas morar num lugar super seco como um deserto e passar a ter uma pele mais seca. A pele demora uns dias pra sofrer essa adaptação quando você muda abruptamente pra um novo clima (do verão do Rio pro inverno da Europa, por exemplo).

Com a alimentação a mudança na pele é ainda mais lenta. Sabemos que uma boa alimentação saudável com alimentos frescos, naturais vão te dar os nutrientes e antioxidantes que vão trazer benefícios como reduzir processos inflamatórios e melhorar a imunidade da pele. Isso tudo a gente sabe hoje que tá diretamente ligado à saúde do seu intestino. Um intestino com uma microbiota saudável tende a ser igual a uma pele também saudável e com menos inflamações. E o contrário também, então quem se alimenta de comidas ultraprocessadas, muita porcaria, coisas cheias de conservantes e principalmente açúcar e álcool que geram inflamação no sistema digestivo isso também se reflete na pele como piora de acne e rosácea. É um processo difícil pro organismo metabolizar muita química, gera muitos radicais livres etc.

Foto: Felipe Machado.

2) Sabemos que óleo vegetal hidrata mesmo a pele, mas como que ele funciona? Por que não necessariamente ele causa acne ou deixa a pele mais oleosa?

O óleo vegetal é superior em hidratação quando comparado ao óleo mineral porque tem diferença na concentração e combinação de ácidos graxos (os ácidos oleicos e linoleicos) e alguns outros agentes hidratantes. Essa diferença é responsável pela maior ou menor absorção desses óleos na pele. Todos os óleos vegetais são legais, ricos em nutrientes, antioxidantes e vitamina E mas nem todo óleo vegetal é indicado para peles oleosas e acneicas. Isso porque tem alguns óleos (mesmo vegetais) que não penetram tão bem na pele, ficam na superfície e isso pode causar obstrução do folículo da glândula sebácea levando a uma acne inflamatória.

Como a gente sabe qual óleo é o mais indicado? O que penetra melhor, normalmente os mais finos são os melhores. Você pode procurar tabelas e ver a relação dos óleos vegetais e o quanto eles são comedogênicos (causadores de obstrução).

Quando a pele recebe uma hidratação satisfatória e suficiente, ela mesma controla e faz um feedback negativo e inibe sua própria produção de óleo. Então é como se o produto que você aplica na pele fosse capaz de estimular ou de inibir a produção de oleosidade. Quando a gente usa produtos muito adstringentes com muito álcool, muito sabão ou água muito quente isso costuma estimular a produção de oleosidade porque a hora que você remove totalmente a oleosidade da pele, ela mesma vai ter um estímulo pra se reidratar. Se você, por outro lado, não remove com tanta intensidade ou usa produtos que contenham algum tipo de óleo vegetal você vai promover muito mais equilíbrio nessa pele. Nossa pele tem uma capacidade de auto controle e de adaptação pra manter níveis adequados de ph, hidratação, elasticidade, etc. pra ela funcionar bem.

3) Tem algum problema em não lavar o rosto com sabonete – lavar só com água morna – quando você não usa outros produtos, só um hidratante? A poluição precisa de sabonete para ser retirada?

Não tem problema não usar sabonete. Você pode usar só água morna, só água floral com disquinhos de crochê ou uma alga que você faça uma esfoliação leve. Eu uso pedacinhos de toalhas mais velhinhas com água floral pra limpar o rosto quando eu não quero lavar.

Sabonete é a forma mais tradicional, mas basicamente você não precisa usá-lo pra remover a poluição. Talvez precisa pra remover maquiagem, algum produto mais oleoso como filtro solar que tem uma fixação maior. E se fizer, que faça uma vez só (pra tirar esses produtos).

Eu evito ao máximo lavar demais o rosto pra não ter rebote de oleosidade como falei antes, então lavar o rosto no banho a noite, passa hidratante e de manhã não tem necessidade de lavar de novo.

4) Quem tem algum problema de pele como rosácea, psoríase, dermatite atópica pode "curar" os sintomas tendo uma rotina de beleza natural? Ou esses tratamentos sempre precisam de um dermatologista para dar certo?

A primeira coisa é que você precisa de um dermatologista pra ter o diagnóstico correto sobre qual doença você tem. As dermatoses mais comuns são normalmente crônicas, então você precisa fazer o controle sempre. Muitas vezes você controla durante um tempo e depois você vai precisar modificar sua forma de cuidar e é aí que entra o dermatologista pra indicar novas formulações e métodos de controle da sua doença.

Quem tem uma pele com poucos problemas, espinha aqui e outra ali, dermatite leve e só de vez em quando no couro cabeludo por exemplo é muito mais simples de fazer esse controle sozinho, com produtos naturais e até com produtos que você mesmo faça em casa.

Maquiagens com cor como pó e base servem como barreira física para o sol. Foto: Felipe Machado.

5) Precisamos usar protetor solar todos os dias ou isso é exagero? A luz de ambientes internos tem o mesmo efeito do sol mesmo?

É importante usar filtro solar principalmente pra quem tem uma pele muito clara, que tem mais propensão a ter câncer de pele, manchas e ceratoses depois quando mais velho.

Hoje em dia eu só indico filtros físicos, 100% mineral e de barreira, sem ingredientes que façam filtros químicos. Normalmente eles são compostos de dióxido de titânio, óxido de zinco ou argilas. Lembrando que maquiagem funciona como filtro solar físico. Usando base ou pó que cobre a pele todos os dias você está criando uma barreira física de proteção ao sol.

Eu acabo indicando normalmente pro corpo o filtro solar da Mustela para bebê, que é uma loção fotoprotetora 100% mineral e que tem menos conservantes por ser de bebê, porque não temos no Brasil um protetor natural e orgânico. Como ele é muito oleoso, eu costumo não costumo indicar ele pro rosto principalmente para quem tem pele oleosa ou com acne. Para o rosto indico bases que, por terem cor, funcionam como um filtro físico. A minha preferida e a que eu uso é a da Bioart, porque tem maior concentração de argila que ajuda a controlar a oleosidade ao longo do dia principalmente aqui no Rio de Janeiro. O pó deles também é rico em argila. Todas as bases das marcas de maquiagem natural e orgânica brasileira são legais, mas quanto maior a cobertura de cor, melhor a proteção do sol.

A luz azul/florescente não são iguais à radiação do sol: eles não causam queimaduras nem bolhas, descamação, nem câncer de pele. Mas essas outras fontes luminosas causam envelhecimento da pele porque causam muito radical livre, que é um estresse oxidativo pra pele. Elas também são capazes de manchar e causar uma pigmentação de manchas já existentes como melasmas. Pra esse caso, indico o uso de produtos ricos em antioxidantes durante a noite pra combater esses efeitos dos radicais livres  da luz artificial.

6) O que fazer pra evitar e tratar manchas de pele de forma natural?

Principalmente fazer fotoproteção porque onde não tem fonte luminosa, não tem estímulo pra pigmentos, esse é o 1º passo. Alguns ativos são clareadores como alguns cítricos (que são perigosos no sol então tem que tomar muito cuidado!). E esfoliar a pele porque você promove uma remoção da camada de células mortas e estimula uma produção de uma pele nova que normalmente é formada mais clara.

Muitas manchas são causadas pela exposição ao sol de uma vida. A principal fotoproteção é até os 18 anos, que é quando você já acumulou muito dano dessa radiação que vai te causar as manchas quando você tiver mais de 30-35. Não é o sol do verão anterior.

Foto: Felipe Machado.

7) Existe algum problema em usar toalhinhas ou discos de crochê reutilizáveis pra tirar a maquiagem? Uma leitora me perguntou se não sujo demais reutilizar.

Claro que pode. Você tem como higienizar esses itens, né? Você pode lavar com água fervendo, colocar dentro de uma mistura de vinagre e bicarbonato de sódio, colocar no sol bem forte... Tudo isso vai higienizar muito bem pra você continuar usando as toalhinhas ou disquinhos. Eu, como falei, corto toalhas bem puidinhas em pedaços menores, uso uma ou duas vezes e junto tudo pra lavar no final da semana. É só higienizar com certa frequência, é a mesma coisa com pincéis que você reutiliza mas não lava todo dia.

A não ser que você tenha alguma lesão infectada, aguda, de origem bacteriana no rosto como um furúnculo, que você esteja contaminado com stafilococos aí não acho bom. É melhor usar um pouquinho de algodão e descartar até que a lesão esteja controlada.

8) Existe algum caso que você não recomenda usar produtos naturais pra pele? Quais são esses?

Pros problemas de pele mais usuais e a médio/longo prazo os produtos naturais super funcionam. Mas se você tem alguma doença aguda (vírus da herpes, infecção) eu acabo entrando com remédio tradicional (antibiótico, antiviral) pra acelerar o tratamento. Depende muito da intensidade e do tamanho do problema a ser tratado.

9) Quais são os principais erros que as pessoas cometem no cuidado com a pele que poderiam ser evitados?

1) Usar muita coisa, não ter uma persistência em usar o mesmo produto dias mais consecutivos, trocar muito de produto pode atrapalhar e não dar chance de achar um produto legal pra sua pele. Você acaba nem deixando aquele produto ter sua ação e mostrar seu efeito. Você lava dois dias com uma coisa, no terceiro já usa outra, no quarto você já trocou de hidratante, no quinto de tônico. Essa ansiedade de ter uma resposta rápida é um dos grandes problemas que a gente enfrenta no dia-a-dia.

2) E mudar hábitos. Temos esse padrão de "lavar, tonificar e hidratar" e não necessariamente a gente precisa fazer isso todos os dias ou em todos os momentos ou três vezes ao dia como já foi indicado no passado. É achar a rotina ideal pra você e os ingredientes indicados para o seu tipo de pele.

10) O que não pode faltar na rotina de beleza básica de todo mundo?

1) Alguma coisa pra limpar – pode ser um esfoliante suave ou hidrolato pra você limpar sua pele. 2) Fotoprotetor ou maquiagem que cria uma barreira física pra usar de manhã. 3) Algum tipo de hidratante pra usar depois de limpar a pele. Com esses três você resolve sua vida.

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