Este post foi escrito pela Anne Marie, autora do blog Zero Waste Chef e sua tradução livre para o português e pro Um Ano Sem Lixo foi autorizada pela autora e feita por mim, Cristal Muniz:

Todas as semanas, pelo menos algumas empresas me contatam com uma “oportunidade fantástica de colaborar” e vender seus produtos para eles aqui, produtos que aparentemente nenhum praticante do lixo zero pode viver sem. Eu não posso responder a todas as mensagens que recebo, então eu geralmente ignoro esses contatos - mesmo para produtos e serviços que eu poderia gostar. Mas quando eu leio alguns deles - como um de uma locadora de lixo -, eu me pergunto: você já leu meu blog?

Além das minhas oficinas de culinária, eu não vendo nada aqui. Eu entendo porque blogs publicam links afiliados, anúncios e conteúdo patrocinado. Manter um blog, mesmo em meio período como eu faço, ao tentar pagar as contas, não é fácil! Todo mundo tem que pagar a hipoteca. Mas vender coisas não combina com a minha-gulp-marca (aparentemente eu tenho uma).

Lixo zero não é um estilo de vida consumista. É um estilo de vida para conservar.

Então, como eu defino o lixo zero?


Como qualquer coisa que eu escreva no meu blog, não há regras. Exceto talvez pelo número 1… A Igreja do Lixo Zero é bastante dogmática sobre o número 1…

1. Comprar menos coisas


Isso parece óbvio.

Quando compro coisas, busco primeiro coisas usadas, de segunda mão. Eu tenho pilhas de coisas que você-nunca-diria-que-são-usadas-só-de-olhar, algumas das quais eu encontrei na rua (eu moro no universo alternativo do Vale do Silício, onde as pessoas jogam fora coisas caras constantemente). Quando eu compro coisas novas, compro da melhor qualidade possível que posso pagar. E, se eu precisar usar um item apenas de vez em quando, tento pedir emprestado. Cada um de nós precisa mesmo de suas próprias ferramentas? Seu próprio cortador de grama? Seu próprio carro? Às vezes sim, muitas vezes não (eu ainda tenho um carro, mas espero ficar livre dele depois que ele morrer).

Se você começou recentemente o caminho do lixo zero, você provavelmente quer jogar fora tudo o que você tem de plástico para substituí-lo por itens reutilizáveis ​​feitos de vidro, cerâmica, metal, madeira, fibras naturais e assim por diante. Eu evitaria fazer isso de uma só vez e gastar uma fortuna. Você provavelmente já tem muito do que precisa para um kit lixo zero – os sacos e potes de vidro para fazer compras e os talheres, potes e canecas para quando você sair. Kits caros de lixo zero são, bem, caros (clique aqui para montar um kit de desperdício zero por zero dólares).

Lutar contra as alterações climáticas, a poluição, a escassez de água e outros problemas ambientais requer a rejeição de uma cultura de consumo desequilibrada, e não uma versão mais verde da mesma. Teslas (carros elétricos) são legais. Transporte público bom e cidades que incentivam o uso de bicicleta são ainda melhores.

"Não tenha tanta tralha que você ficaria aliviado se sua casa pegasse fogo" Wendell Berry. Foto: Anne Marie, Zero Waste Chef.

2. Não enviar nada para o aterro


Eu composto restos de comida e gero pouco lixo de um modo geral. Isso não significa que eu encha minha lixeira reciclável com garrafas, latas e potes. Eu não preciso nem compro a maioria dos produtos que vêm em embalagens recicláveis ​​(geralmente de plástico) – junk food, alimentos processados, refrigerantes, produtos consumistas como cápsulas de café, cosméticos cheios de ingredientes nocivos ​​– então tenho pouco para reciclar.

O plástico pode ser reciclado um número limitado de vezes antes que o material seja encaminhado para o aterro. Assim, a reciclagem atrasa a chegada do plástico no aterro, não a impede. É não comprar esse material que faz isso. Com a China não aceitando mais nosso lixo [dos EUA e outros países ricos], estima-se que 111 milhões de toneladas de plástico terão de ser enviados a algum outro lugar até 2030. Não podemos reciclar nossa saída desse problema, as empresas devem se esforçar a deixar de produzir tanto lixo.

3. Desacelerar


Quem veio primeiro? A cultura do "descartável" ou a cultura "para levar"? A primeira faz a última possível. O sucesso da Starbucks depende, em parte, da onipresente xícara descartável que as pessoas pegam a caminho de outro lugar. Que tal ficar no café e saborear sua bebida em um copo de verdade que você leva na sua bolsa? Ou fazer em casa em uma cafeteira francesa? Esses cenários parecem realmente tão horríveis?

As restrições que coloquei felizmente em minha vida - para não criar desperdício - me obrigaram a desacelerar. Eu faço pão devagar, kimchi devagar, cerveja de gengibre devagar, slow food. Essa comida é tão gostosa que não posso viver de outro jeito. Em outros aspectos da minha vida, cortar meu lixo liberou tempo. Eu gasto menos tempo trabalhando para comprar coisas que eu não preciso, menos tempo para comprar coisas e menos tempo para manter as coisas.

4. Se tornar mais auto-suficiente


Para mim, uma das muitas alegrias de eliminar o lixo vem de aprender a fazer mais coisas para mim e depender menos das corporações para satisfazer todas as minhas necessidades e desejos. Se tornar mais autoconfiante não requer que você saia da sociedade, mude para um yurt (uma tendinha), viva fora da cidade, cultive sua própria comida e crie cabras (mas se você fizer isso, posso visitar, por favor?).

Eu faço um pouco de costura, um pouco de tricô e muita comida. Eu gostaria de cultivar minhas próprias frutas e vegetais, mas não o faço. Eu compro meus vegetais no farmers' market [feira de produtos orgânicos direto do produtor que existe nos EUA]. Eu não posso fazer tudo sozinha, mas faço o que posso e gosto disso. Até mesmo o monge mais auto-suficiente confia nos outros. A mãe de Thoreau lavava sua roupa quando ele morava em Walden Pond.

5. Consertar nossa cultura do descartável


De volta ao número 1… Quando eu compro, compro coisas de qualidade que duram. Quando essas coisas começam a mostrar algum desgaste, eu tento consertar ou pagar alguém para fazê-lo por mim. Deixamos sempre nossas roupas no nosso alfaiate, um pequeno negócio independente local. Sim, eu mesma poderia consertar as roupas, mas prefiro fazer algumas outras tarefas no lugar (veja o número 4). Sapatos estragando? Os sapateiros ainda existem aqui e ali. Eu tive meu par atual de Birkenstocks arrumado uma vez até agora (e sim, é claro que eu uso Birkenstocks… e como granola…). As bibliotecas onde eu moro também hospedam repairs cafés (lugares onde você pode arrumar de tudo) extremamente populares.

Use até esgotar; Vista até desgastar; Contente-se ou faça sem. Foto: Anne Marie do Zero Waste Chef.

6. Viver mais conscientemente


Acho que isso aconteceu naturalmente quando reduzimos nossos resíduos, porque muitos aspectos de nossa economia de consumo dependem do uso e do descarte do plástico – desde escovar os dentes pela manhã até empacotar os lanche dos seus filhos, comprar, bem, qualquer coisa – cortar as coisas requer algum planejamento, uma auto-examinação, um pouco de reflexão. Mas para mim, esse tipo de reflexão traz alegria. Eu não compro e consumo mais coisas sem pensar. Eu penso através das minhas ações e escolhas, ao invés viver o dia no piloto automático.

7. Aproveitando a comunidade


De volta para aquela ideia de "não posso fazer tudo sozinho", realizamos mais trabalhos em conjunto na comunidade. Você pode sair e mudar para uma comunidade x, ou simplesmente formar um clube de compras com amigos para reduzir o desperdício e as despesas com embalagens, ou participar de um clube de culinária para economizar tempo preparando comida de verdade (aqui tem mais algumas ideias).

Como a distância entre os que têm e os que não têm aumenta - um por cento da população dos EUA controla agora um historicamente grande e potencialmente desestabilizador social: 38% da riqueza da nação - não podemos todos viver em casas próprias, comprar nossos próprios cortadores de grama e carrinhos de mão, pagar pela nossa própria internet e assim por diante. Habitações cooperativas, alojamentos intergeracionais e comunas não são mais apenas para hippies. Eu moro em uma comunidade intencionalmente e eu amo isso.

"Pêssegos crescendo em nossa comunidade". Foto: Anne Marie do Zero Waste Chef.

Eu duvido que qualquer uma das idéias que eu listei aqui exponha você como o tipo subversivo que você pode ser. Hoje, viver dessa maneira faz de você um rebelde silencioso. Várias décadas atrás, você teria sido considerado normal.
Esse post é o segundo da série de posts com respostas da dermatologista Patricia Silveira (@dermagreen) para as perguntas que mais recebo sobre beleza natural e cuidados com a pele (principalmente do rosto). Acabei dividindo a entrevista em dois posts, o primeiro é só sobre acne e pele oleosa!

A Patricia é médica, formada em 1999, com pós-graduação em dermatologia pela UFRJ e acabou entrando no mundo natural muito por causa da experiência pessoal e de buscar a acupuntura para resolver dores. Em 2004 começou uma segunda pós-graduação em medicina chinesa, muito mais pra praticar isso em si do que para necessariamente aplicar dentro da dermatologia. Mas foi por isso que ela começou a usar fitoterápicos (remédios feitos a partir de plantas) em tratamentos alternativos e auxiliares para questões da pele e hoje indica sempre que possível cosméticos naturais e tratamentos naturais. Quis muito fazer essa entrevista porque é muito importante a gente ter informações de profissionais qualificados e com fontes confiáveis, principalmente quando o assunto é beleza e cosméticos.

1) Pele oleosa, seca, mista, etc. são tipos de pele (a pessoa nasce com isso e fim) ou estados da pele (devido à rotina, cosméticos, alimentação)?

A pele é o maior órgão do corpo e é o órgão que conecta a gente com o mundo externo, então é óbvio que temos uma herança genética da pele sim. Os alérgicos (inclusive das questões respiratórias) costumam ter uma herança genética de uma pele mais seca e áspera porque ela já nasce com essa deficiência de produção da oleosidade natural. Ou também podemos nascer com uma genética de pele mais oleosa, com inclusive tendência a ter acne na adolescência.

Mas isso tudo também pode ser influenciado por questões externas, principalmente do clima da região onde você mora. A gente pode até ter uma tendência genética a pele oleosa, mas morar num lugar super seco como um deserto e passar a ter uma pele mais seca. A pele demora uns dias pra sofrer essa adaptação quando você muda abruptamente pra um novo clima (do verão do Rio pro inverno da Europa, por exemplo).

Com a alimentação a mudança na pele é ainda mais lenta. Sabemos que uma boa alimentação saudável com alimentos frescos, naturais vão te dar os nutrientes e antioxidantes que vão trazer benefícios como reduzir processos inflamatórios e melhorar a imunidade da pele. Isso tudo a gente sabe hoje que tá diretamente ligado à saúde do seu intestino. Um intestino com uma microbiota saudável tende a ser igual a uma pele também saudável e com menos inflamações. E o contrário também, então quem se alimenta de comidas ultraprocessadas, muita porcaria, coisas cheias de conservantes e principalmente açúcar e álcool que geram inflamação no sistema digestivo isso também se reflete na pele como piora de acne e rosácea. É um processo difícil pro organismo metabolizar muita química, gera muitos radicais livres etc.

Foto: Felipe Machado.

2) Sabemos que óleo vegetal hidrata mesmo a pele, mas como que ele funciona? Por que não necessariamente ele causa acne ou deixa a pele mais oleosa?

O óleo vegetal é superior em hidratação quando comparado ao óleo mineral porque tem diferença na concentração e combinação de ácidos graxos (os ácidos oleicos e linoleicos) e alguns outros agentes hidratantes. Essa diferença é responsável pela maior ou menor absorção desses óleos na pele. Todos os óleos vegetais são legais, ricos em nutrientes, antioxidantes e vitamina E mas nem todo óleo vegetal é indicado para peles oleosas e acneicas. Isso porque tem alguns óleos (mesmo vegetais) que não penetram tão bem na pele, ficam na superfície e isso pode causar obstrução do folículo da glândula sebácea levando a uma acne inflamatória.

Como a gente sabe qual óleo é o mais indicado? O que penetra melhor, normalmente os mais finos são os melhores. Você pode procurar tabelas e ver a relação dos óleos vegetais e o quanto eles são comedogênicos (causadores de obstrução).

Quando a pele recebe uma hidratação satisfatória e suficiente, ela mesma controla e faz um feedback negativo e inibe sua própria produção de óleo. Então é como se o produto que você aplica na pele fosse capaz de estimular ou de inibir a produção de oleosidade. Quando a gente usa produtos muito adstringentes com muito álcool, muito sabão ou água muito quente isso costuma estimular a produção de oleosidade porque a hora que você remove totalmente a oleosidade da pele, ela mesma vai ter um estímulo pra se reidratar. Se você, por outro lado, não remove com tanta intensidade ou usa produtos que contenham algum tipo de óleo vegetal você vai promover muito mais equilíbrio nessa pele. Nossa pele tem uma capacidade de auto controle e de adaptação pra manter níveis adequados de ph, hidratação, elasticidade, etc. pra ela funcionar bem.

3) Tem algum problema em não lavar o rosto com sabonete – lavar só com água morna – quando você não usa outros produtos, só um hidratante? A poluição precisa de sabonete para ser retirada?

Não tem problema não usar sabonete. Você pode usar só água morna, só água floral com disquinhos de crochê ou uma alga que você faça uma esfoliação leve. Eu uso pedacinhos de toalhas mais velhinhas com água floral pra limpar o rosto quando eu não quero lavar.

Sabonete é a forma mais tradicional, mas basicamente você não precisa usá-lo pra remover a poluição. Talvez precisa pra remover maquiagem, algum produto mais oleoso como filtro solar que tem uma fixação maior. E se fizer, que faça uma vez só (pra tirar esses produtos).

Eu evito ao máximo lavar demais o rosto pra não ter rebote de oleosidade como falei antes, então lavar o rosto no banho a noite, passa hidratante e de manhã não tem necessidade de lavar de novo.

4) Quem tem algum problema de pele como rosácea, psoríase, dermatite atópica pode "curar" os sintomas tendo uma rotina de beleza natural? Ou esses tratamentos sempre precisam de um dermatologista para dar certo?

A primeira coisa é que você precisa de um dermatologista pra ter o diagnóstico correto sobre qual doença você tem. As dermatoses mais comuns são normalmente crônicas, então você precisa fazer o controle sempre. Muitas vezes você controla durante um tempo e depois você vai precisar modificar sua forma de cuidar e é aí que entra o dermatologista pra indicar novas formulações e métodos de controle da sua doença.

Quem tem uma pele com poucos problemas, espinha aqui e outra ali, dermatite leve e só de vez em quando no couro cabeludo por exemplo é muito mais simples de fazer esse controle sozinho, com produtos naturais e até com produtos que você mesmo faça em casa.

Maquiagens com cor como pó e base servem como barreira física para o sol. Foto: Felipe Machado.

5) Precisamos usar protetor solar todos os dias ou isso é exagero? A luz de ambientes internos tem o mesmo efeito do sol mesmo?

É importante usar filtro solar principalmente pra quem tem uma pele muito clara, que tem mais propensão a ter câncer de pele, manchas e ceratoses depois quando mais velho.

Hoje em dia eu só indico filtros físicos, 100% mineral e de barreira, sem ingredientes que façam filtros químicos. Normalmente eles são compostos de dióxido de titânio, óxido de zinco ou argilas. Lembrando que maquiagem funciona como filtro solar físico. Usando base ou pó que cobre a pele todos os dias você está criando uma barreira física de proteção ao sol.

Eu acabo indicando normalmente pro corpo o filtro solar da Mustela para bebê, que é uma loção fotoprotetora 100% mineral e que tem menos conservantes por ser de bebê, porque não temos no Brasil um protetor natural e orgânico. Como ele é muito oleoso, eu costumo não costumo indicar ele pro rosto principalmente para quem tem pele oleosa ou com acne. Para o rosto indico bases que, por terem cor, funcionam como um filtro físico. A minha preferida e a que eu uso é a da Bioart, porque tem maior concentração de argila que ajuda a controlar a oleosidade ao longo do dia principalmente aqui no Rio de Janeiro. O pó deles também é rico em argila. Todas as bases das marcas de maquiagem natural e orgânica brasileira são legais, mas quanto maior a cobertura de cor, melhor a proteção do sol.

A luz azul/florescente não são iguais à radiação do sol: eles não causam queimaduras nem bolhas, descamação, nem câncer de pele. Mas essas outras fontes luminosas causam envelhecimento da pele porque causam muito radical livre, que é um estresse oxidativo pra pele. Elas também são capazes de manchar e causar uma pigmentação de manchas já existentes como melasmas. Pra esse caso, indico o uso de produtos ricos em antioxidantes durante a noite pra combater esses efeitos dos radicais livres  da luz artificial.

6) O que fazer pra evitar e tratar manchas de pele de forma natural?

Principalmente fazer fotoproteção porque onde não tem fonte luminosa, não tem estímulo pra pigmentos, esse é o 1º passo. Alguns ativos são clareadores como alguns cítricos (que são perigosos no sol então tem que tomar muito cuidado!). E esfoliar a pele porque você promove uma remoção da camada de células mortas e estimula uma produção de uma pele nova que normalmente é formada mais clara.

Muitas manchas são causadas pela exposição ao sol de uma vida. A principal fotoproteção é até os 18 anos, que é quando você já acumulou muito dano dessa radiação que vai te causar as manchas quando você tiver mais de 30-35. Não é o sol do verão anterior.

Foto: Felipe Machado.

7) Existe algum problema em usar toalhinhas ou discos de crochê reutilizáveis pra tirar a maquiagem? Uma leitora me perguntou se não sujo demais reutilizar.

Claro que pode. Você tem como higienizar esses itens, né? Você pode lavar com água fervendo, colocar dentro de uma mistura de vinagre e bicarbonato de sódio, colocar no sol bem forte... Tudo isso vai higienizar muito bem pra você continuar usando as toalhinhas ou disquinhos. Eu, como falei, corto toalhas bem puidinhas em pedaços menores, uso uma ou duas vezes e junto tudo pra lavar no final da semana. É só higienizar com certa frequência, é a mesma coisa com pincéis que você reutiliza mas não lava todo dia.

A não ser que você tenha alguma lesão infectada, aguda, de origem bacteriana no rosto como um furúnculo, que você esteja contaminado com stafilococos aí não acho bom. É melhor usar um pouquinho de algodão e descartar até que a lesão esteja controlada.

8) Existe algum caso que você não recomenda usar produtos naturais pra pele? Quais são esses?

Pros problemas de pele mais usuais e a médio/longo prazo os produtos naturais super funcionam. Mas se você tem alguma doença aguda (vírus da herpes, infecção) eu acabo entrando com remédio tradicional (antibiótico, antiviral) pra acelerar o tratamento. Depende muito da intensidade e do tamanho do problema a ser tratado.

9) Quais são os principais erros que as pessoas cometem no cuidado com a pele que poderiam ser evitados?

1) Usar muita coisa, não ter uma persistência em usar o mesmo produto dias mais consecutivos, trocar muito de produto pode atrapalhar e não dar chance de achar um produto legal pra sua pele. Você acaba nem deixando aquele produto ter sua ação e mostrar seu efeito. Você lava dois dias com uma coisa, no terceiro já usa outra, no quarto você já trocou de hidratante, no quinto de tônico. Essa ansiedade de ter uma resposta rápida é um dos grandes problemas que a gente enfrenta no dia-a-dia.

2) E mudar hábitos. Temos esse padrão de "lavar, tonificar e hidratar" e não necessariamente a gente precisa fazer isso todos os dias ou em todos os momentos ou três vezes ao dia como já foi indicado no passado. É achar a rotina ideal pra você e os ingredientes indicados para o seu tipo de pele.

10) O que não pode faltar na rotina de beleza básica de todo mundo?

1) Alguma coisa pra limpar – pode ser um esfoliante suave ou hidrolato pra você limpar sua pele. 2) Fotoprotetor ou maquiagem que cria uma barreira física pra usar de manhã. 3) Algum tipo de hidratante pra usar depois de limpar a pele. Com esses três você resolve sua vida.

Pra ler mais:

Esse post vai fazer parte de uma série de posts com respostas da dermatologista Patricia Silveira (@dermagreen) pras perguntas que mais recebo sobre beleza natural e cuidados com a pele (principalmente do rosto). Acabei dividindo a entrevista em vários posts pra não ficar tão longa e ser mais organizado também!

A Patricia é médica, formada em 1999 e com pós-graduação em dermatologia pela UFRJ, acabou entrando no mundo natural muito por causa da experiência pessoal e de buscar a acupuntura para resolver dores. Em 2004 começou uma segunda pós-graduação em medicina chinesa, muito mais pra praticar isso em si do que para necessariamente aplicar dentro da dermatologia. Mas foi por isso que ela começou a usar fitoterápicos (remédios feitos a partir de plantas) em tratamentos alternativos e auxiliares para questões da pele e hoje indica sempre que possível cosméticos naturais e tratamentos naturais. Quis muito fazer essa entrevista porque é muito importante a gente ter informações de profissionais qualificados e com fontes confiáveis, principalmente quando o assunto é beleza e cosméticos.

Hoje falamos sobre acne, vem ver:


1) O que é e o que causa a acne de verdade?


A acne é uma doença inflamatória, é a dermatose mais comum e que afeta a maior quantidade de pessoas do mundo. É uma doença padrão universal, não existe uma área do mundo onde ela não exista. São os cravos (abertos ou fechados) que inflamam e viram as espinhas. Então a gente tem desde a acne mais leve que são só cravos (comedão); até as acnes inflamatórias quando você tem a inflamação desse comedão, podendo ser superficiais ou profundas e evoluindo até como cicatrizes definitivas. E ela é uma doença multifatorial: várias são as causas da acne.


A causa mais comum é a causa hormonal, é por isso que ela é comum na puberdade, porque ela marca o início desse aumento de hormônios e mudanças do corpo. Também tem questões relacionadas a fase adulta, principalmente nas mulheres, como síndrome do ovário policístico, endometriose, uso de hormônios (algumas pílulas principalmente com o hormônio progesterona).

A segunda causa é a genética mesmo. A unidade da estrutura da glândula sebácea das pessoas que têm acne é um pouquinho diferente. Ela é uma unidade um pouco maior e também tem um acúmulo de células mortas, tendem a fazer cravos mais fechados – uma obstrução mecânica dessa secreção da glândula sebácea.

A terceira causa é a presença de bactérias, então você tem bactérias que são mais comuns mas também outras que são inoculadas na região porque colocamos a mão no rosto; pela presença de muitos pelos; pelos encravados no caso de quem tem barba; pela depilação porque você muda um pouco a flora da pele do rosto e pode ter uma acne causada por outros microorganismos, não os mais comuns.

Além disso também tem a questão da alimentação. Sabemos que uma boa alimentação saudável com alimentos frescos, naturais vão te dar os nutrientes e antioxidantes que vão trazer benefícios como reduzir processos inflamatórios e melhorar a imunidade da pele, mas também temos algumas questões relacionadas a ginástica e musculação exagerada. Principalmente por causa dos suplementos de proteína que aumentam o processo inflamatório e a produção da oleosidade. Essa acne é mais na região do pescoço, colo e costas. Os laticínios e os alimentos com açúcar também são capazes de causar ou a piorar casos de acne.


Dependendo dos produtos que você passa na pele, eles podem ajudar a fazer essa obstrução na glândula. Ou seja, pessoas que usam muita maquiagem e que essa seja à base de talco, óleo mineral, maquiagem muito carregada e não removem esse produto de uma forma correta.

O estresse também piora a acne porque quando estamos estressados o hormônio cortisol aumenta muito e é esse hormônio que faz cair nossa imunidade. Por isso ficamos doente depois de uma semana estressante, por exemplo. Nossa defesa da pele também cai, por isso a acne fica mais inflamada, aparece um número maior de espinhas, etc.

Ter uma pele saudável é justamente esse equilíbrio entre agentes agressores (maquiagem, bactérias, cosméticos) e as nossas defesas (homeostase, imunidade, células de defesa). É quando esse equilíbrio fica prejudicado que as pessoas padecem do que elas herdam de genética: quem tem psoríase tem piora da psoríase, tem herdou acne tem piora da acne. Por isso eu acho legal a gente falar que a pele é um espelho da nossa saúde interna e como a gente tá vivendo. Avaliar isso e conseguir identificar que você não está tão bem apenas observando as mudanças na nossa pele e como ela muda de um mês pra outro e de acordo com suas escolhas.

2) O que você indica pra reduzir a acne de forma natural?


Primeira coisa é ter hábitos saudáveis, isso é fundamental. A segunda coisa é tomar cuidado com os suplementos que você toma. Os proteicos e os de vitaminas do complexo B como a B12 são capazes de estimular a acne. Controlar o estresse. Observar o que você aplica na pele [evitar produtos que obstruam os poros]. E ter disciplina, ou seja, tirar um momento da sua noite pra cuidar da sua pele. Usar bons produtos que podem ser poucos mas de boa qualidade. Ter um bom dermatologista pra te ajudar nisso (que às vezes não é uma tarefa fácil) porque muitas vezes as pessoas vão atrás de propagandas ou indicações de amigos e não necessariamente o que funciona pra uma pessoa vai funcionar pra você. Essa particularidade das características pessoais é que às vezes a gente não consegue entender.

Alguns complementos fitoterápicos ajudam no controle da oleosidade e da inflamação, mas eles precisam ser prescritos por médicos porque tem efeitos colaterais. Alguns são inclusive hepatotóxicos, então depende dos remédios que a pessoa já toma ou se ela já teve algum tipo de hepatite pra acompanhar como o fígado vai metabolizar essa substância que mesmo sendo de origem natural, é uma química.

Também é preciso ter paciência porque os efeitos podem demorar pra aparecer e pode demorar meses pros problemas acabarem. Em muitos casos de mulheres que param de tomar anticoncepcional é preciso cerca de seis meses pra começar a controlar o processo hormonal que o corpo tá reaprendendo a fazer naturalmente.

Em alguns momentos eu acabo usando medicações tradicionais também, principalmente quando envolve algum risco de ter alguma cicatriz permanente em pacientes mais novos.


Além disso, produtos que contenham nos ingredientes os ativos que são considerados antiacne como óleos essenciais com efeito antimicrobiano e bactericida (melaleuca, copaíba, alecrim, sálvia); a aloe vera que é um potente antiinflamatório e calmante da pele; hidrolatos (águas florais) de camomila e calêndula. As argilas são fundamentais nesse controle da acne porque ajudam no processo de cicatrização, secam as espinhas mais rápido, tem uma ação antiinflamatória legal. As mais indicadas pra acne são a verde e a branca.

Ter uma esteticista que você confie pra remover esses cravos mais profundos e mais fechados em limpezas de pele. Recomendo muito limpeza de pele para tirar esse excesso de células mortas e comedões.

Quando passa a fase da inflamação mais intensa, ter o hábito de esfoliar a pele acaba tirando o fator de obstrução dos poros que falei anteriormente. Se você tem o hábito de esfoliar semanalmente ou até duas vezes na semana, acaba que você elimina essa causa. De uma forma natural você acaba substituindo os efeitos dos ácidos que de uma forma geral atuam pra remover justamente essa obstrução, promovendo uma descamação da pele. Só não fazer na fase inflamatória.

Pra ler mais: